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segunda-feira, 15 de março de 2010

QUAL O ALUGUEL IDEAL DE UM IMÓVEL?

A maioria das pessoas que resolvem fazer investimentos em imóveis para auferir renda, têm em mente obter um retorno de “X” por cento sobre o capital aplicado. E a substituição do “X” por um número varia conforme o país, o estado, a cidade, e, ainda, a época.

Nos países do chamado Primeiro Mundo, onde os investimentos financeiros em renda fixa dão retornos que para nós beirariam o ridículo (1% a 2% ao ano – porém com inflação próxima de zero), conseguir um rendimento locatício de 0,20% é motivo de festa.

Já no Brasil, nos tempos de inflação galopante, superior a dois dígitos mensais, não se cogitava nada menos do que 1% ao mês, mais atualização monetária. Uma taxa relativamente modesta quando comparada aos 3% reais que boa parte das instituições financeiras pagavam aos que nelas investiam seus recursos.

Mesmo com a estabilidade monetária, advinda do Plano Real, as autoridades monetárias não lograram reduzir a conhecida taxa Selic a patamares decentes, diante do contínuo temor do país sofrer um ataque especulativo internacional. Isso fez com que os aluguéis continuassem oscilando na casa do um por cento.

Apenas nos últimos tempos, quando a inflação foi praticamente dominada e mantida em percentuais toleráveis, forçando a redução da taxa oficial de juros, houve uma mudança no comportamento dos investidores imobiliários.

Assim é que, nos dias de hoje, tornou-se palatável uma remuneração média de 0,50% a.m. ou 6% anuais sobre o capital investido em imóvel, a título de aluguel, visto tratar-se de remuneração efetiva, já que a ela é acrescida a correção monetária. Como todos sabem, meio por cento é o rendimento pago pelas cadernetas de poupança, garantidas pelo Governo Federal, ao qual se soma a inflação medida pela variação da Taxa Referencial (TR).

Contudo, existe uma diferença descomunal entre aquele que aplica em imóvel e o que opta pela poupança. O investidor imobiliário conta com a certeza de que seu capital continuará se valorizando – afora o aluguel percebido -, enquanto que o investidor financeiro pode ter a inabalável convicção de que seu capital será corroído ao longo dos tempos pelos resíduos inflacionários não apurados pelos indexadores do mercado.

Evidentemente que alguém poderia contra-argumentar que não foram dados como exemplos outros tipos de aplicações financeiras, como as bolsas de valores e de mercadorias, as grandes somas de dinheiro que recebem uma especial atenção dos bancos etc., onde as remunerações dos capitais podem ser mais generosas. Só que, nesses casos, como é sabido e comprovado por precedentes históricos, há risco de perda do capital ou de parte dele, condição praticamente inexistente no ramo das locações.

Dito isso, é possível afirmar-se com segurança que aluguéis que correspondam a 0,50% do valor de compra podem e devem ser encarados como remuneração condizente. Abaixo desse porcentual, aconselha-se o investidor a rever sua posição, Acima dele, é certo que o locador fez um excelente negócio ao adquirir o imóvel.

No aluguel de flats, serviços pesam mais do que preços

A advogada Isis Kimura e o contador Fabiano Mariscal moravam num antigo apartamento de quarto-e-sala no Catete. O valor gasto com aluguel e condomínio era de R$ 750. Mas o casal de namorados queria se mudar para um imóvel mais espaçoso. Na procura pelos bairros da Zona Sul do Rio, eles se depararam com uma outra forma de morar, que até então não passara pela cabeça dos dois: um flat Apesar de ter as mesmas medidas, o custo de aluguel mais taxas da unidade, em Botafogo, era de R$ 1.550, ou seja, mais que o dobro do que pagavam. Mas Isis e Fabiano foram seduzidos. Pelos vários serviços incluídos.

De acordo com Isis, a estrutura oferecida a quem mora neste tipo de imóvel e o fato de ser um prédio novo foram fatores determinantes na escolha.

- O apartamento tem as mesmas características do imóvel que morávamos. É um quarto-e-sala, com 40 metros quadrados. Mas tem um ótimo playground, um restaurante com preços acessíveis e serviços de faxina e lavanderia. Pagamos mais caro, mas compensa pelas facilidades – diz a advogada.

Os aluguéis de flats em bairros da Zona Sul do Rio, de maneira geral, chegam a custar o dobro dos de apartamentos do tipo padrão. No Leblon, local com grande oferta de apart-hotéis, a locação pode chegar a R$ 5 mil, por unidades com áreas, predominantemente, de 50 a 80 metros quadrados. Já os apartamentos comuns com as mesmas características têm aluguel máximo de R$ 2.500, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio) no mês de novembro.

Em Ipanema, o preço máximo do aluguel de um apartamento comum de quarto-e-sala, ainda segundo a pesquisa do Secovi-Rio, é de R$ 2.300. Já os flats podem ter preços superiores a R$ 5 mil. De acordo com Luiz Paulo Machado, gerente comercial e de locações da Protel, empresa especializada em flats, os preços médios em Botafogo são mais acessíveis, girando em torno de R$ 2.300. Mas, as melhores ofertas, segundo ele, estão na Barra da Tijuca e no Recreio.

- A procura por imóveis nessas regiões cresceu bastante e a oferta também está aumentando. Nas áreas próximas da praia, pode se encontrar flats com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 2.500 – diz o gerente comercial.

Copacabana, já conhecida pela grande oferta, também tem flats por volta R$ 2.500. Já os apartamentos comuns no bairro têm aluguéis médios de R$ 1.107.

Fonte: O Globo

sexta-feira, 12 de março de 2010

Quem e como contratar na hora de reformar ou construir sua casa?

Existem diversas maneiras de se realizar uma obra. Explicarei sucintamente as mais básicas, mas tenha em mente que é possível realizar combinações entre o que irei descrever e que não existe uma solução “ideal”.

O método vai depender de diversos fatores, como a técnica construtiva escolhida até o desembolso de dinheiro previsto. As formas mais comuns de se realizar uma obra são:

Construir diretamente: Esse é o formato mais comum para pequenas reformas. O proprietário contrata os serviços diretamente com os profissionais e ele mesmo coordena o encanador, o eletricista, o azulejista, o pedreiro, o marceneiro e quem mais for necessário. Toda a administração da obra cabe ao proprietário, sem nenhum intermediário.

Em tese, esse sistema é o mais barato. Você pagará apenas o custo da mão de obra e dos materiais, poderá realizar inúmeros orçamentos e assim por diante.

Mas... Se você não é da área de construção civil, é grande a possibilidade de se atrapalhar nos detalhes, na interface dos materiais e na coordenação das diferentes atividades da obra, e ter um produto final aquém do esperado. Administrar uma obra toma muito tempo e se você tem um trabalho que ocupa todo o seu dia, provavelmente a obra vai atrapalhar o seu cotidiano e torná-lo ainda mais estressante.

Você terá mais dificuldades para encontrar uma mão de obra de qualidade, pois dependerá apenas de indicações, e nem sempre é possível consegui-las. Realizar compras e contratações sem a ajuda de um profissional da área pode ser um tiro pela culatra e a obra acaba mais cara. Fora a dor de cabeça...

Dica: Procure um mestre de obras ou um pedreiro realmente tarimbado. Assim você pode ao menos concentrar a contratação da mão de obra pesada em uma só pessoa. E essa pessoa responde pelos encontros de disciplinas diferentes, que é onde usualmente acontecem os problemas. Será também uma pessoa em quem concentrar a comunicação, inclusive para mostrar do que não gostou – e ele não poderá jogar a culpa em outra pessoa!

Obra por administração ou gerenciamento: A obra por gerenciamento implica um profissional da área, em geral engenheiro ou arquiteto, como responsável pelo dia a dia da construção. Essa modalidade é bastante comum para reformas de apartamento, construção de casas e até algumas obras de grande porte. O profissional cobra do proprietário uma taxa de administração (mensal ou quinzenal) sobre o valor total da obra. Essa taxa varia muito, mas está em geral entre 10% e 18% – a variação acontece conforme tabela do profissional e, especialmente, em função do valor e complexidade da obra. Obras mais caras implicam taxas mais baixas, e vice versa.

Quando tudo dá certo, há transparência no que está sendo realizado. O profissional emite relatórios financeiros que mostram o que foi comprado, onde, quando e por que. Essas tabelas são as bases dos honorários do administrador. Assim você sabe exatamente o quanto está pagando para o profissional, e essa taxa evita que você tenha o desgaste citado na opção anterior.

O profissional encarregado possui conhecimentos técnicos que você não tem e, portanto, a obra tende a ter uma qualidade melhor, desperdício menor, e mais fluidez. A taxa que você paga não se refere só ao fato de ele contratar e controlar os envolvidos na obra, mas também aos conhecimentos técnicos que ele colocará em ação, facilitando o planejamento do trabalho.

Porém, é importante conseguir um bom profissional, com referências. Se não as tem, visite algum trabalho anterior do profissional para avaliar o resultado. Infelizmente, o mercado está cheio de maus profissionais que acabam por atrapalhar muito mais do que ajudar. Um orçamento muito mal feito, por exemplo, pode acabar por surpreender lá na frente, quando já é impossível voltar atrás.

A obra por gerenciamento não implica que, caso algo dê errado, o administrador irá bancar a recuperação do problema. Isso se aplica mais a casos de empreitada, mas é possível discutir caso a caso. Assim a chance é grande de que, caso haja um problema, você ter de pagar.

Dica: Busque do profissional encarregado de gerenciar sua obra certa cumplicidade, tente fazer com que ele tenha o mesmo desejo que você tem de ver a obra ficar pronta e bonita, para que assim ele se dedique ao máximo.

Evite sempre picuinhas e discussões tolas. Feita a escolha, confie no profissional para não ser taxado de cliente chato e desagradável – o que certamente diminuirá o número de visitas à sua obra. Deixe o clima sempre leve. E evite sempre, a qualquer custo, mudanças de projeto.

Obra por empreitada: A obra por empreitada é o sistema “pacote fechado”, ou seja, é combinado um valor global pelo trabalho ou partes dele. Em geral quem realiza esse tipo de obra é uma construtora ou empreiteira de médio porte, pois é bem possível que seja necessário um capital de giro para manter a obra em andamento.

O proprietário combina com a construtora a empreitada, verifica cuidadosamente todos os itens que ela irá realizar por aquele preço combinado (é importante existir um projeto a que esse valor irá se referenciar), os prazos e datas de pagamento e fica apenas acompanhando o andamento dos trabalhos.

Esse tipo de obra é a que dá menos trabalho ao proprietário, pois há uma empresa encarregada de tudo. Teoricamente basta acompanhar e ver a obra acontecer.

É muito mais fácil para o cliente controlar os pagamentos e prever o desembolso necessário. Caso a obra tenda a ficar mais cara, essa variação está contemplada na empreitada e a construtora deve assumir a diferença. A empresa é responsável pelos itens que construiu por cinco anos. Assim, caso haja um problema, basta acionar a construtora responsável.

Essa modalidade tende a ser a mais cara, porque a construtora tem que colocar, além da remuneração dos envolvidos e de seu lucro, um valor a mais (conhecido no meio como “gordura”) para itens não previstos, problemas de obra, etc.

Você também tende a ficar “refém” da construtora, no sentido deu que não poderá facilmente mudar um fornecedor ou instalador a qualquer momento, pois ele está dentro de um delicado sistema de custos. Os custos tendem a não ser abertos ao proprietário, o que pode deixá-lo inseguro no momento de contratar a empreitada. Além disso, se o projeto não estiver muito bem detalhado, esta modalidade pode se mostrar ruim porque qualquer mudança implicará novo orçamento de serviços extras que deverão ser pagos com pouca margem de discussão.

Dica: Se for contratar uma empreitada de porte razoável, digamos uma casa, contrate um arquiteto ou engenheiro de confiança para realizar uma pequena licitação. Cada construtora coloca coisas diferentes no pacote da empreitada e é muito difícil para quem não é da área equalizar e analisar as propostas. A que parece mais barata, não é necessariamente a mais em conta.

Na realidade não há sistema bom ou ruim. Depende muito do tamanho da obra, do tipo, do projeto, das técnicas construtivas, do local, do valor, da disponibilidade de recursos e assim por diante. O exposto acima é uma simplificação das modalidades de obra. Lembre-se sempre que elas podem se somar, como por exemplo, uma empreitada de mão de obra dentro de um gerenciamento por arquiteto.

Sempre que possível consulte um profissional da área antes de tomar uma decisão. Converse com amigos ou parentes que já fizeram obras e verifique qual o sistema que eles adotaram antes iniciar a sua.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mineiro constrói casa Invertida

O advogado de Belo Horizonte Eduardo José Lima, em uma noite de insônia, teve uma idéia inusitada: resolveu que queria construir uma casa de cabeça pra baixo. Literalmente. "Primeiro tive a idéia de fazer um telhado invertido, e desse telhado surgiu a idéia da casa completa," explicou.

Lima conta que fez a casa para um filho morar. "Mas ele está assustado, acha que não é adequado para uma residência. Se ele realmente não quiser, talvez ela vire um museu ou algo parecido que vou desenvolver".

Para quem passa na rua, a impressão é de que alguma coisa está errada. As varandas, luminárias, caixa de correio e de água, tudo está invertido. As bicicletas e as árvores que enfeitam a pequena calçada que contorna a casa estão penduradas no teto. Já o telhado de um dos pavimentos está enterrado no chão.

A estudante Vitória Liza, 10 anos, é vizinha da construção. "É uma casa muito bonita. É uma criatividade que quase ninguém tem, a gente fica abismado em ver uma bicicleta no teto, nunca vi coisa igual."

A amiga Amanda Gomes, 12 anos, também gostou da idéia. "Muito interessante, ele tem uma criatividade ótima, as duas casas ficaram muito bonitas. Tudo de cabeça para baixo é muito legal mesmo."

A casa ao contrário fica no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha. E como está satisfeito com o resultado do trabalho, o advogado já está construindo outra, só que desta vez, não de cabeça para baixo, mas de lado.

"Já falaram que quem idealizou a casa é louco, que devia ter fumado muito, são as mais diversas expressões possiveis, mas muitos dão risadas de espanto e não de deboche," se diverte.

Lima diz que aceita todos os tipos de sugestões. "Se for boa eu acato. Só sei que queria fazer e consegui fazer. Deus me deu inspiração, força e disposição," afirma.

Por dentro, a residência ainda está sendo construída, por isso o advogado não autoriza a entrada de ninguém estranho, por enquanto.

O sistema de energia e água da casa é parecido com uma residência normal. Ele bolou um sistema de captação de água pluvial no telhado que fica embutido na parte superior. A água cai numa caixa que tem capacidade para 50 mil litros.

"A água está difícil, é um recurso escasso, nem tanto para nós, mas vai se tornar algum dia, e o aproveitamento da água de chuva foi a forma que encontrei para minimizar este problema e ajudar ao meio ambiente."


terça-feira, 9 de março de 2010

Para ter o imóvel não basta comprá-lo, é preciso registrá-lo - e isso tem um custo

Depois de uma possível longa jornada à procura de moradia e de enfrentar uma avalanche burocrática de financiamentos, o futuro proprietário ainda vai se deparar com uma despesa extra e, muitas vezes, ignorada: o custo do registro do imóvel. “Muitos futuros proprietários desconhecem que terão que desembolsar mais recursos para arcar com os custos do registro do imóvel. Como muitos são pegos de surpresa, geralmente não estão prevenidos quando se deparam com a despesa extra”, afirma Maíra Vieira Varanda, advogada da Local Imóveis, uma imobiliária de São Paulo.

Segundo a advogada, os custos para registro do imóvel podem representar até 5% do valor total da moradia. “Depois de lavrada a escritura, o futuro proprietário do imóvel se verá às voltas com inúmeras taxas referentes à documentação necessária para fazer o registro do bem”, observa.

Na hora de se obter a escritura, por exemplo, o comprador precisará escolher um cartório de notas para dar início ao pagamento de taxas. É aí que, na maioria das vezes, o comprador tomará conhecimento da existência do chamado ITBI (Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis), um imposto sobre o valor da venda do imóvel que deve ser pago à prefeitura.

A incidência do ITBI sofre variações de acordo com uma tabela que retrata os valores de referência de imóveis que consta na prefeitura. Essa tabela aborda custos que vão de R$ 651 a R$ 16 milhões e, em geral, o imposto é de 2% sobre o valor da venda. Só que a prefeitura tem um sistema de avaliação do imóvel pelo valor venal de referência. Se o valor declarado do imóvel for inferior ao preço de referência que consta na prefeitura, os custos do ITBI não serão sobre a venda, mas sobre aquele valor de referência que a prefeitura estabelece.

Após o pagamento do ITBI, o tabelião mandará a documetação para o registro de imóveis, e o futuro proprietário terá de arcar com os custos da tabela da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo. “Essa tabela começa no zero e pode superar R$ 60 milhões. É uma tabela progressiva que também estabelece valores de referência para o imóvel”, explica Maíra Vieira Varanda, da Local Imóveis.

A advogada lembra que o ato da assinatura da escritura exige a presença do vendedor e do comprador do imóvel em cartório. “Algumas imobiliárias conseguem que os cartórios não cobrem a diligência ao passar a assinatura, caso o cartório venha até a imobiliária. Caso contrário, comprador do imóvel poderá ter que arcar com valores entre R$ 50 e R$ 300 para pagar o cartório”, diz.

Por fim, o comprador terá que comprovar se o imóvel está em ordem, no sentido jurídico. “Precisamos da certidão de executivos fiscais municipais e estaduais, o que custa R$ 14, e das certidões de dez cartórios, que saem por volta de R$ 7,64 cada”, lista a advogada.

Pagar para vender
O vendedor também tem suas despesas. Precisa obter a certidão de propriedade do imóvel ao custo de R$ 30,28. “Esse documento, retirado no Cartório de Registro de Imóveis, confirma a verdadeira titularidade do imóvel, isto é, se realmente está no nome da pessoa que o está vendendo”, explica Varanda, além de descobrir se existe algum ônus sobre o bem, como hipoteca ou penhora. O vendedor também precisa apresentar declaração de quitação de condomínio e das três últimas contas de água, luz e gás.

A advogada alerta para uma prática nesse mercado como a cobrança indevida de alguns despachantes por documentos que podem ser obtidos facilmente pela internet. É o caso de documentos como a certidão emitida pela Justiça Federal e que atesta se o cidadão tem dívidas ou ações com a justiça, e a certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e dívida ativa da União, esta emitida pelo site da Receita Federal.

O vendedor tem mais um pequeno gasto com sua certidão trabalhista, que custa R$ 5,53. “Quando for fazer a escritura, o comprador precisará desse documento para se certificar de que o proprietário não tem nenhuma ação trabalhista”, observa a advogada da Local Imóveis.

O presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB-SP, Marcelo Manhães, observa que todas essas despesas levam, muitas vezes, os futuros proprietários a não formalizarem a sua aquisição pela escritura pública, permanecendo apenas com o contrato particular firmado com o vendedor. “Ou seja, formalmente o imóvel continua em nome do vendedor e, portanto, se este vier a falecer, ou se sofrer algum processo de execução de dívida, certamente o adquirente terá muito trabalho para defender a sua titularidade do imóvel”.

Manhães julga que algumas das etapas do processo de registro do imóvel poderiam ser eliminadas. “O que se poderia pensar é na dispensa da obrigatoriedade de se lavrar uma escritura pública, visando, assim, economizar as custas com o Tabelião de Notas. Nesse sentido, bastaria levar para o Registro de Imóveis o instrumento particular de compra e venda e o respectivo termo de quitação para se promover a transferência da propriedade para o adquirente”, apregoa.

O especialista da OAB adicionou mais algumas etapas na hora da conclusão da aquisição do imóvel. “As outras providências que devem ser tomadas para deixar o imóvel devidamente legalizado em termos fundiários é a transferência do titular perante a Prefeitura Municipal para a alteração do cadastro municipal – IPTU, e quando for o caso, alterar a inscrição perante o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (se for imóvel Rural). O futuro proprietário ainda deve alterar o cadastro perante concessionários de serviços públicos”, diz.

segunda-feira, 8 de março de 2010

QUAL O ALUGUEL IDEAL DE UM IMÓVEL?

A maioria das pessoas que resolvem fazer investimentos em imóveis para auferir renda, têm em mente obter um retorno de “X” por cento sobre o capital aplicado. E a substituição do “X” por um número varia conforme o país, o estado, a cidade, e, ainda, a época.

Nos países do chamado Primeiro Mundo, onde os investimentos financeiros em renda fixa dão retornos que para nós beirariam o ridículo (1% a 2% ao ano – porém com inflação próxima de zero), conseguir um rendimento locatício de 0,20% é motivo de festa.

Já no Brasil, nos tempos de inflação galopante, superior a dois dígitos mensais, não se cogitava nada menos do que 1% ao mês, mais atualização monetária. Uma taxa relativamente modesta quando comparada aos 3% reais que boa parte das instituições financeiras pagavam aos que nelas investiam seus recursos.

Mesmo com a estabilidade monetária, advinda do Plano Real, as autoridades monetárias não lograram reduzir a conhecida taxa Selic a patamares decentes, diante do contínuo temor do país sofrer um ataque especulativo internacional. Isso fez com que os aluguéis continuassem oscilando na casa do um por cento.

Apenas nos últimos tempos, quando a inflação foi praticamente dominada e mantida em percentuais toleráveis, forçando a redução da taxa oficial de juros, houve uma mudança no comportamento dos investidores imobiliários.

Assim é que, nos dias de hoje, tornou-se palatável uma remuneração média de 0,50% a.m. ou 6% anuais sobre o capital investido em imóvel, a título de aluguel, visto tratar-se de remuneração efetiva, já que a ela é acrescida a correção monetária. Como todos sabem, meio por cento é o rendimento pago pelas cadernetas de poupança, garantidas pelo Governo Federal, ao qual se soma a inflação medida pela variação da Taxa Referencial (TR).

Contudo, existe uma diferença descomunal entre aquele que aplica em imóvel e o que opta pela poupança. O investidor imobiliário conta com a certeza de que seu capital continuará se valorizando – afora o aluguel percebido -, enquanto que o investidor financeiro pode ter a inabalável convicção de que seu capital será corroído ao longo dos tempos pelos resíduos inflacionários não apurados pelos indexadores do mercado.

Evidentemente que alguém poderia contra-argumentar que não foram dados como exemplos outros tipos de aplicações financeiras, como as bolsas de valores e de mercadorias, as grandes somas de dinheiro que recebem uma especial atenção dos bancos etc., onde as remunerações dos capitais podem ser mais generosas. Só que, nesses casos, como é sabido e comprovado por precedentes históricos, há risco de perda do capital ou de parte dele, condição praticamente inexistente no ramo das locações.

Dito isso, é possível afirmar-se com segurança que aluguéis que correspondam a 0,50% do valor de compra podem e devem ser encarados como remuneração condizente. Abaixo desse porcentual, aconselha-se o investidor a rever sua posição, Acima dele, é certo que o locador fez um excelente negócio ao adquirir o imóvel.

CARLOS ALCEU MACHADO
Advogado pós-graduado em Direito Imobiliário, Consultor, Coach e Palestrante para o Mercado de Imóveis

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que deve ser analisado antes da compra de um terreno?

A busca por um terreno é sempre um grande desafio. O melhor passo antes de começar essa jornada é ter claro em sua mente os desejos e pretensões para o espaço. Se for uma casa que você deseja construir, gostaria que ela fosse ampla? Térrea? A vista é importante para você? O silêncio? O contato com a natureza? A localização?

Ainda que você parta para essa busca com alguns objetivos claros, novidades irão surgir. Como terrenos que não são exatamente o imaginado, mas que apresentam algum aspecto emocional capaz de mudar suas idéias anteriores, como uma grande figueira no meio do lote (ainda que ele não seja tão silencioso como você gostaria, ou possua uma inclinação maior do que a imaginada, mas com uma vista tão fantástica...). E é isso mesmo!

Apesar dos objetivos iniciais serem importantes para se pensar o cenário ideal, e até servirem como uma reflexão do que você precisa, o principal é ter alguma flexibilidade para aproveitar uma grande oportunidade que apareça. Mesmo que ela mude sua cabeça – a arquitetura da casa que você irá construir deverá balancear os pontos negativos e exaltar os positivos de forma que você consiga o seu resultado ideal.

Se você estiver interessado em um arquiteto antes de comprar o terreno, saiba que ele pode ser de grande auxílio na escolha– é comum estar em dúvida entre dois ou três terrenos e pedir para o profissional dar suas opiniões sobre qual deles daria um bom trabalho. Em geral, ajudar nessa decisão é interessante para o arquiteto, pois garante que ele terá o local mais adequado para o projeto que irá desenvolver.

Independente da presença do arquiteto durante suas perambulações em busca do terreno ideal, existem alguns aspectos que merecem atenção antes de fechar uma compra.

A insolação
O norte está voltado para onde do terreno? Este é um aspecto simples e indispensável de se verificar. O norte representa o local do seu terreno que irá receber a maior parte da insolação diária, e é a insolação mais controlável aqui no Brasil – basta um bom beiral ou aletas altas para minimizar o sol em excesso. O leste é o sol nascente, o sol da manhã, que rapidamente sobe no horizonte. E o oeste, sol da tarde, o mais temível, pois é ele que pode ofuscar e super aquecer sua sala no final do dia, ainda que garanta um belo por do sol! O sul é interessante para grandes aberturas, pois pega muito pouco sol e não se corre o risco de calor em excesso, mas caso o terreno seja cercado por prédios com exceção do sul, você pode ter um problema de insolação.

Vizinhos
Verifique o que os arquitetos chamam de “entorno”. Quem são os seus vizinhos? São muito grandes? Bloqueiam o sol ou a vista? Como é a calçada, a rua, o comércio imediato? Existem serviços como padaria, locadora, lavanderia, em que você possa chegar a pé? Há algum parque ou praça agradável por perto?

Zoneamento
Sempre é interessante verificar brevemente o zoneamento antes de adquirir um imóvel. Geralmente, bons corretores podem informar a respeito. Ou consulte um profissional.

O zoneamento divide a cidade em áreas nas quais as possibilidades de construção são diferentes entre si. Ele define espaços residenciais, comerciais, industriais ou mistos, além de colocar taxas de ocupação, possibilidades máximas de construção, gabaritos de altura, etc. Esse zoneamento varia de acordo com o município e faz parte do plano diretor da cidade.

Pode-se construir um prédio ao meu lado? Uma fábrica na esquina? Quais são os recuos (espaços laterais a construção) que eu e meus vizinhos temos de respeitar? Há um máximo de pavimentos que posso construir? Podem construir uma boate no terreno ao lado do meu? Estas são questões importantes de se perguntar antes de adquirir um imóvel, independente do uso que se pretende dar a ele.

Caso esteja comprando um terreno em condomínio fechado, em geral, valem as leis do condomínio como uma espécie de zoneamento. Nunca deixe de conferí-las para garantir que é possível realizar o que você deseja.

É raro, mas existem casos de terrenos em que a região é tombada pelo patrimônio histórico ou outros órgãos como o Conpresp (Conselho Municipal de Manutenção do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), como é o exemplo do bairro Jardim Europa, em São Paulo. Neste caso devem-se verificar atentamente as restrições construtivas que são muito mais amplas do que o simples zoneamento. Cada cidade possui seu órgão responsável.

Declividade
A declividade é sempre um fato importante. Muitos têm medo de terrenos muito íngremes, apelidados de “pirambeiras”, mas esses terrenos em geral custam menos e podem se mostrar excelentes barganhas. A obra pode ser um pouco, ou até muito mais cara do que um terreno plano. Mas uma boa arquitetura é capaz de obter resultados fantásticos.

Declividades acentuadas tendem a possuir visuais mais amplos, bastante interessantes, que de certa forma contrabalanceiam o tradicional quintal ou jardim – é uma questão de escolha e oportunidade. Grandes movimentações de terra são sempre indesejáveis, pois são caras e prejudiciais à natureza. No entanto não tema alguma movimentação de terra e confie em um bom arquiteto: ele é plenamente capaz de propor diversas soluções para os mais variados tipos de declividade.

Árvores
É muito importante checar a questão de mata e árvores que podem existir em seu terreno. As árvores são protegidas por diversas legislações, bastante severas. Caso queira cortar alguma delas, há procedimentos de compensação que devem ser seguidos. E é sempre interessante imaginar que a vegetação pode ser absorvida de alguma forma pela arquitetura.

Dicas do IBEDEC na contratação do Financiamento e do Seguro Habitacional

1- Não aceite a imposição de seguros de vida para a família, de compra de títulos de capitalização ou seguros para veículo, ao buscar seu financiamento no banco. Caso tal cobrança ocorra, denuncie ao PROCON que investigará o caso e aplicará multa ao estabelecimento.

2- Quem foi obrigado a contratar qualquer tipo de produto para ter liberado o financiamento da "casa-própria", pode recorrer ao Judiciário para anular estas contratações e ter seu dinheiro de volta.

3- Quem já tem contrato em andamento, pode pesquisar no mercado outras seguradoras e trocar a apólice de seguro por uma mais barata. Se o banco negar, o mutuário deve recorrer ao Judiciário.

4- Existe uma Ação Coletiva movida pelo IBEDEC que vale para todo o Brasil e para todos os mutuários da Caixa Econômica Federal. Quem contratou o seguro habitacional em desacordo com a legislação vigente pode se associar ao IBEDEC e será beneficiado com o
sucesso da ação que ainda está em trâmite na Justiça.

Grupo Santander Brasil oferece duas opções de Seguro Habitacional

Os bancos Santander e Real, do Grupo Santander Brasil, oferecem pelo menos duas opções de apólices coletivas dos seguros relacionados ao financiamento imobiliário, conforme resolução do Banco Central nº 3.811 e da resolução da Superintendência de Seguros e Previdência (Susep) nº 205, que entraram em vigor no último dia 20 de novembro. O Santander e o Banco Real oferecerão as apólices das seguradoras Santander Seguros e Tokio Marine que abrangem dois tipos de seguros: o de Morte e Invalidez Permanente (MIP) e o de Danos Físicos do Imóvel (DFI).

Os clientes também poderão contratar uma apólice individual, desde que tenha cobertura mínima de MIP e DFI por todo o prazo contratual e o banco como beneficiário.De acordo com as resoluções, os bancos terão prazo de 15 dias para analisar a apólice individual. Poderá ser cobrada uma tarifa, cujo valor máximo é R$ 100,00. Os prêmios dos seguros serão cobrados diretamente pelo banco financiador do imóvel.Durante a vigência de seu contrato, o mutuário poderá trocar sua apólice por uma coletiva do agente financeiro ou por uma individual (com o pagamento da tarifa). A nova apólice será vigente a partir da terceira prestação.

Outras mudanças - Os seguros relacionados ao financiamento imobiliário poderão ser oferecidos por seguradoras de pessoas ou de danos do mercado. O seguro MIP dará cobertura para idade + prazo de financiamento de 80 anos e 6 meses. As seguradoras deverão informar o Custo Efetivo do Seguro Habitacional, conforme regra a ser divulgada pela Susep.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mudanças no seguro habitacional são frustradas pelos bancos

Os maiores bancos brasileiros anunciaram parcerias para oferecer uma segunda opção de seguros aos mutuários. Na prática, por exemplo, os clientes do banco bradesco terão sempre como segunda opção o seguro do Banco do Brasil e os do Banco do Brasil terão como segunda opção a seguradora do Bradesco.

No entendimento do IBEDEC, em um curto espaço de tempo os preços ficarão praticamente tabelados. Ou seja, é um "acordo de cavalheiros" onde a concorrência que se pretendia dar ao mercado de seguros habitacionais será anulada pelas ditas "parcerias".

Por outro lado, as resoluções 3.811 do Conselho Monetário Nacional (CMN) e 205 da Superintendência de Seguros Privados (Susep), publicadas em novembro de 2009, ressuscitaram um item da apólice de seguro que não é obrigatório por lei, o seguro de Danos Físicos no Imóvel - DFI.

É que está vigente desde 24 de agosto de 2001 a Medida Provisória 2197/43 que desobriga os mutuários consumidores de contratarem o seguro por Danos Físicos no Imóvel, além de permitir a contração de outra seguradora até fora do SFH: "Art. 2º Os agentes financeiros do SFH poderão contratar financiamentos onde a cobertura securitária dar-se-á em apólice diferente do Seguro Habitacional do Sistema Financeiro da Habitação, desde que a operação preveja, obrigatoriamente, no mínimo, a cobertura relativa aos riscos de morte e invalidez permanente."

Portanto os consumidores têm o direito à escolher qualquer seguradora para sua apólice de seguro habitacional e só fazer apólice para cobertura de Morte e Invalidez Permanente. Se este direito for negado ao consumidor, ele deve denunciar o caso ao PROCON e recorrer à Justiça se necessário.

José Geraldo Tardin, presidente do IBEDEC, enfatizou que "os abusos, principalmente da CAIXA e dos grandes bancos como Bradesco e Santader, não tiveram fim com a medida já expedida pelo CMN, pois será grande a pressão do banco para que os candidatos a mutuário fechem com a seguradora indicada por ela, "para ganhar pontos na aprovação do financiamento", como ocorre todos os dias, em todo o país, conforme relatos de consumidores feitos pessoalmente e por e. mail ao IBEDEC".

"Queremos que o mutuário tenha o direito de escolher a seguradora com melhores preços e que só contrate os seguros obrigatórios por lei. Enganar o mutuário, fazendo-o contratar um seguro que não é obrigado e ainda pagar mais caro por um produto que o mercado tem por preços mais acessíveis, além de ilegal é imoral", destacou Tardin.

Caso se confirme a previsão do IBEDEC de prática combinada de preços em relação aos seguros, o caso será levado ao CADE para imposição das penalidades cabíveis no campo administrativo.

E no Judiciário o IBEDEC irá questionar a venda casada, caso se confirme a obrigatoriedade do consumidor contratar com a seguradora do próprio banco financiador ou de seus "parceiros", sem opção de contratar com uma terceira seguradora.

A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro de 2009, fixou uma tese sobre Seguro Habitacional, que considerou que não há obrigatoriedade de que o mutuário contrate o referido seguro diretamente com o agente financeiro, ou por seguradora indicada por este. Para o STJ, isto configuraria "venda casada", o que é vedado pelo Código de Defesa do Consumidor. O Ministro Salomão, relator do caso, destacou que, embora o seguro habitacional seja uma exigência legal (Lei n. 4.380/64), deve ser observada na contratação a absoluta liberdade contratual. Este julgamento foi feito em sede de recursos repetitivos e será aplicado em todas as situações idênticas a esta que forem levadas ao Judiciário.

As ilegalidades que poderão ocorrer com as anunciadas parcerias, ocorrerão em três frentes distintas, a exemplo do que fez a Caixa Econômica Federal nos últimos 20 anos:

1- Venda Casada de Seguros Pessoais para "contar pontos" ou como condição para liberação de financiamento habitacional. A prática é ilegal, capitulada no Código de Defesa do Consumidor, e quem for vítima deste golpe, pode exigir na Justiça os valores pagos indevidamente.

2- Propaganda Enganosa e informação falsa da obrigatoriedade de contratar seguros por Danos Físicos no Imóvel no SFH. Por força de Medida Provisória vigente desde 24/08/2001, só é obrigatório ao mutuário contratar um seguro por Morte e Invalidez Permanente vinculado ao contrato do SFH. Só que além deste seguro, o mutuário acaba sendo obrigado a contratar também um seguro de Danos Físicos no Imóvel, que não é obrigatório. Juntos, estes dois seguros representam mais de 15% do valor da prestação mensal do "sonho" da casa-própria.

3- Venda Casada de Seguro de Morte e Invalidez Permanente do SFH pela seguradora do Banco ou de seus "parceiros", onde os mutuários são compelidos a contratar o seguro habitacional com a seguradora indicada.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Internet ajuda a fechar 30% das compras de imóveis

A internet tem se mostrado uma aliada cada vez mais presente na hora de comprar a casa própria. Hoje, os negócios realizados com a ajuda do meio on-line correspondem, em média, a 30% de tudo que é vendido pelo setor.

Há três anos, a participação da internet não chegava a 10% dos contratos assinados. Para este ano, esse volume pode ultrapassar os 35%.

A legislação brasileira não permite que a compra de um imóvel seja realizada totalmente pela internet. No entanto, quase todo o processo pode ser feito de forma virtual, desde o conhecimento do projeto a até o envio de documentação.

O engenheiro civil Carlos Eduardo Paiva Reyes, 25 anos, economizou tempo ao buscar um imóvel pela internet. “Comecei a pesquisar e utilizei o corretor on-line. Com esse auxílio, consegui todas as informações que precisava. Só conheci o empreendimento pessoalmente no dia em que assinei o contrato”, diz ele, que comprou um apartamento no bairro de Pirituba.

Reyes conta que estava há seis meses procurando um imóvel, mas não tinha tempo de ir aos plantões de vendas. “Com a internet, não só vi as fotos como obtive todas as informações, valores e forma de pagamento pelo atendimento on-line. Também mandei meus documentos por e-mail. E a mesma pessoa que tirou minhas dúvidas pelo site foi a que me atendeu pessoalmente, o que achei muito bom”, comenta.

O casal Alexandre Regi Lozei Moreira, 25 anos e Thais Caes Molina, 21 anos, também preferiu a internet para encontrar e comprar um imóvel em Santo André. “Economizamos tempo e gasolina. Em um mês fechamos o negócio”, afirma. “Mas em sites em que não há informação e atendimento on-line, só me decepcionei no plantão de vendas, porque não era o que queria”, completa.

Pensando em atingir o maior número possível de potenciais compradores, as construtoras e empresas de vendas investem cada vez mais na internet. No site da Living, braço de imóveis considerados econômicos da Cyrela, o mês de outubro de 2009 registrou a marca de 75 mil visitas, das quais 10 mil foram contatos por meio de chat com corretores. “Em um plantão não é possível atender tantas pessoas assim. Por isso queremos inovar cada vez mais nessa área e o próximo passo é permitir acesso ao conteúdo via celular”, explica Gilson Hochman, diretor de vendas da Cyrela.

O site da consultoria de imóveis Lopes registra cerca de 1,2 milhão de visitas por mês e até 4% se convertem em atendimento on-line. “A internet responde por 35% a 40% de nossas vendas. Conseguimos atingir desde o público de produtos econômicos até o alto padrão com o site e corretores virtuais”, diz Adriana Sanches, gerente de marketing da empresa.

Para Marcelo Bigucci, diretor de marketing da construtora M. Bigucci, a internet também é um modo barato de divulgar os produtos e contatar os clientes. Ele acredita que o site atinja um volume maior de possíveis compradores do que as propagandas e material de divulgação. “Hoje, todo mundo tem acesso à internet”, diz. A empresa tem 15% de suas vendas realizadas por meio virtual.

O vice-presidente de mercado imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Odair Senra, afirma que o trabalho virtual também melhora o relacionamento entre consumidores e corretores. “Por muito tempo, a visão que se tinha era de que os corretores eram uns chatos, que ficavam ligando atrás de clientes desinteressados. Mas com a internet, quem procura é o cliente e não o profissional de vendas”.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Crédito na planta é mais simples

A burocracia envolvida na compra de um imóvel pode assustar quem se aventura nessa empreitada, porém, a necessidade de documentos varia conforme o tipo de financiamento escolhido.

Um imóvel financiado na planta tem uma burocracia menor do que na compra do imóvel pronto. Na planta, a aprovação do crédito costuma se basear apenas nas informações oferecidas pelo comprador. Ele, por sua vez, deve se cercar com o máximo de informações possíveis sobre o projeto e sobre a empresa construtora, para se proteger do risco da não entrega.

Uma das recomendações primordiais é checar o memorial de incorporação da obra. A consulta é gratuita no cartório de registro de imóveis, mas pouca gente sabe disso, afirma o diretor-executivo do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (Irib), Carlos Eduardo Duarte Fleury. O documento mostra se o terreno está quitado ou alienado e se a incorporação está aprovada na Prefeitura.

Na hora de financiar, a lista de documentos exigidos é relativamente enxuta. É que, neste caso, não serão pedidos documentos do imóvel e do vendedor. Apenas são necessárias certidões pessoais e de idoneidade financeira do comprador.

O comprador deve ainda estar atento se o crédito é feito direto com a construtora ou se por meio de banco. Quando é feito pela construtora, não costuma haver cobrança de juros durante a construção da obra. Já no financiamento bancário, há instituições que cobram a taxa desde a primeira parcela.

No ato da entrega das chaves, quem opta pelo financiamento bancário na planta tem o crédito automático, sem burocracia, caso tenha histórico de bom pagador ao longo da obra. Já no financiamento pela construtora, quando as chaves são entregues, ele deve quitar a dívida ou oferecer um financiamento bancário. Se por ventura não sair o financiamento, o comprador terá que pagar com recursos próprios, ou ficará sujeito a multas e juros de forma indefinida, alerta Hamilton Quirino, advogado especializado em direito imobiliário. Para ter certeza de que não haverá transtorno, é preciso, por exemplo, acompanhar a averbação da construção junto ao Registro de Imóveis, pois sem isso não sai financiamento.

Cuidados em financiamentos:

Pela construtora

Juros – Saber se há pagamento de juros durante a obra, ou se a taxa será cobrada apenas ao receber as chaves;
Informações – Saber se o terreno está alienado, hipoteca, e qual o prazo de liberação ao final do pagamento. É muito comum que a pessoa pague e a construtora não tenha ainda dado baixa na hipoteca;
Patrimônio de afetação – Saber se o projeto está registrado em regime de Patrimônio de Afetação, o que garante que a verba recolhida pela empresa por meio da venda de unidades seja aplicada na obra.

Pelo Bancário

Juros - Saber se os juros incidem desde a compra na planta, ou se apenas ao final da construção, e qual o índice de correção monetária, durante e depois da obra;
Documentação - Saber se a empresa está plenamente regularizada junto ao banco, para evitar que a falta de documentos da empresa venha a retardar ou inviabilizar o financiamento;
Facilidade - Conforme as condições oferecidas, dê preferência ao banco que for indicado pela construtora. Geralmente, o banco já analisou toda a sua documentação. Muitos compradores procuram outros bancos para pagar taxas menores, mas às vezes a empresa não está registrada;
Sistema - É importante conhecer o sistema de financiamento adotado, procurando informações técnicas sobre a modalidade mais usada atualmente (alienação fiduciária, cuja inadimplência de três meses pode gerar a imediata perda do imóvel em leilão extrajudicial).

Imóvel pronto

Neste caso, o comprador deve se cercar de uma série de documentos:
Sinal – Oferecer o menor valor possível, com cláusula de devolução, em caso de haver problema na documentação do vendedor;
Contrato – Estabelecer um prazo razoável, de 60 dias no mínimo, para que seja aprovado o financiamento;
Avaliação – Solicitar prévia avaliação do valor do imóvel e toda a documentação, do imóvel, do vendedor e também do comprador, para evitar ultrapassar o prazo a ser contratado entre as partes, com incidência de multas ou perda do sinal;
Planejamento – Saber de antemão, junto ao banco, que terá condições financeiras de assumir o valor do financiamento;
Restrições – Saber se não tem nenhuma restrição junto aos órgãos de crédito (Serasa, SPC, etc).

domingo, 31 de janeiro de 2010

Com medo de alagamentos, construção civil procura CGE antes de investir

Moradores da capital paulista consultam órgão antes de comprar imóveis

O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, virou fonte de informação também para o mercado imobiliário. Com medo de comprar imóveis ou terrenos em locais onde existe histórico de alagamentos, moradores da capital paulista e construtoras consultam o órgão antes de fechar o negócio.

"O CGE é uma fonte de consulta para as pessoas que procuram imóveis na cidade, para comprar, ou mesmo para alugar. É para que as pessoas saibam se na rua tem histórico de alagamentos. Essas consultas são corriqueiras ao longo do ano", diz o engenheiro Hassan Mohamad Barakat, que trabalha no centro de monitoramento.

As notificações sobre pontos de alagamento são repassadas por funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que monitoram as ruas e avenidas da capital paulista, e ficam registradas no site do CGE. Eles priorizam as vias que mais causam impacto no trânsito. Por causa disso, a maior parte dos pontos de alagamento registrados está dentro do chamado centro expandido.

O vice-presidente de Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Odair Senra, admite que as empresas consultam o órgão antes de adquirir terrenos para empreendimentos. "O SindusCon orienta seus associados que eles não só consultem a Prefeitura, como façam, quando forem visitar o local, um questionamento sobre o histórico do lugar. Evidentemente, com essas chuvas intensas, esse cuidado tem que ser maior", afirma.

Segundo Senra, a Prefeitura é apenas uma das fontes a serem consultadas. "O melhor para as informações são os vizinhos, porque eles sofrem o problema na pele e não esquecem", afirma. Ele diz que o profissional da área imobiliária precisa se colocar no lugar do cliente e ser o mais informado que puder sobre o local do empreendimento. "O comprador do imóvel é implacável, procura saber das coisas o máximo possível."

A bancária Priscila Casari, de 26 anos, descobriu por acaso que a rua onde pretendia comprar um apartamento alagava. Interessada no negócio, ela chegou a dar um cheque caução pelo imóvel na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo. "A gente foi lá no dia do lançamento. Minha mãe quis fechar na hora, ela tinha se apaixonado pelo apartamento", contou a bancária.

Uma semana depois, a mãe decidiu mostrar o apartamento para a avó e a tia de Priscila. Ao chegar ao endereço, em um dia de muita chuva em São Paulo, a rua estava toda alagada. "Era em um dia que tinha chovido muito e não dava nem para chegar ao estande porque tinha mais de um metro de altura de água", contou. Ela desistiu do negócio e pegou o cheque de volta.

Para evitar surpresas desse tipo, o engenheiro Hassan Barakat indica, além do próprio CGE, consultas na subprefeitura da região e conversas com os vizinhos mais antigos do bairro.

Atraso nas obras
Os dados sobre chuvas do CGE também servem de base para justificar atrasos nas obras, segundo Barakat. "Qualquer tipo de obra que é feita na cidade de São Paulo precisa emitir cronograma. E nem sempre eles [construtores] conseguem cumprir o cronograma por causa das chuvas", afirma o engenheiro.

O vice-presidente da SindusCon-SP concorda que os números da chuva são necessários para uma justificativa ao cliente. "É um motivo de força maior o eventual atraso. Quem está em fundação, não consegue [realizar a obra]. É quase imprevisível uma quantidade de chuva dessas."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Caixa dobra crédito, mas fica longe da meta de moradias

Total em 2009 chega ao recorde de R$ 47 bi. CEF atingiu 275 mil dos 400 mil imóveis previstos no Minha Casa, Minha Vida

A Caixa Econômica Federal bateu no ano passado o recorde de financiamentos habitacionais no país, com R$ 47,05 bilhões em créditos para a compra da casa própria, que beneficiaram 896.762 famílias. Embora tenha dobrado o volume de crédito imobiliário, a Caixa não atingiu a meta estabelecida para o programa Minha Casa, Minha Vida, que previa encerrar 2009 com 400 mil moradias populares financiadas.

Do total de financiamentos do banco, R$ 14,1 bilhões foram destinados a moradias populares, o que representou a venda de 275.528 unidades.

Por isso, a Caixa tem o desafio de triplicar o número de unidades financiadas pelo Minha Casa, Minha Vida, para atingir a meta do governo federal de construir um milhão de moradias populares até o fim de 2010.

Segundo o vice-presidente da área de Governo da Caixa, Jorge Hereda, as metas não foram atingidas nos oito meses iniciais devido ao "processo de aprendizado" dos agentes envolvidos na liberação dos financiamentos.

“Mas a velocidade vem aumentando: só no último trimestre de 2009 foram contratadas 188 mil moradias. Será o programa habitacional com mais peso neste ano, inclusive nos feirões da casa própria. A meta é manter a média de contratação de 60 mil unidades/ mês, o que beneficiaria um milhão de famílias até dezembro”, garantiu.

Caixa respondeu por 71% do crédito imobiliário em 2009
Até 31 de dezembro, de acordo com Hereda, o total de propostas apresentadas para todas as faixas de renda do programa federal chegou a 656.368, ou 66% da meta: "Por isso, esperamos atingir um milhão já em maio. A perspectiva é receber 30% de propostas acima disso. Ou seja, até julho chegaremos a 1,3 milhão de propostas e tentaremos viabilizar a maioria nos sete meses restantes para bater a meta", afirma.

Os R$ 47,05 bilhões liberados pela Caixa representaram 71% de todo o crédito imobiliário do mercado brasileiro no ano passado. E superaram as estimativas divulgadas em dezembro pela instituição, de R$ 41 bilhões em 2009. Os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para imóveis novos ou na planta, totalizaram R$ 9,4 bilhões, número 109% maior que 2008, com 144.309 unidades comercializadas - 31%, a mais que em 2008. Para os imóveis usados, os recursos aumentaram 36%, saltando de R$ 5,74 bilhões para R$ 7,84 bilhões. No total, os financiamentos pelo FGTS cresceram 65% no ano passado.

Sem projetar metas para a expansão do crédito habitacional neste ano, a Caixa informou apenas que em janeiro dispunha de R$ 50 bilhões em recursos disponíveis para a casa própria. O montante, contudo, pode ser revisto ao longo do ano - assim como em 2009, em que a provisão inicial para a área era de R$ 27 bilhões.

O vice-presidente da Caixa aposta que os recordes devem continuar sendo quebrados neste ano. Até o último dia 21, a Caixa havia registrado média diária de 145 mil acessos no simulador de financiamento disponível em seu site.

“É um bom número para janeiro, mês considerado fraco para o mercado. Só perde para os dois meses de início da operação do Minha Casa, Minha Vida, em abril e maio de 2009, quando foram registrados 201.311 e 164.328 acessos diários, respectivamente”, explicou Hereda.

Fonte: O Globo - RJ

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Financiamento da casa própria dobra e bate recorde

O volume de financiamentos imobiliários contratados na Caixa Econômica Federal em 2009 atingiu o recorde de R$ 47,05 bilhões, volume 102% maior que o visto no ano anterior, informou a instituição nesta quarta-feira.

O crescimento foi turbinado pelo programa Minha Casa Minha Vida do governo federal lançado em abril de 2009 que, sozinho, respondeu por R$ 14,1 bilhões do total.

As linhas de crédito habitacional com recursos do FGTS, para imóvel novo ou na planta, alcançaram R$ 9,4 bilhões, montante 109% superior ao de 2008. Já os financiamentos lastreados nos recursos da poupança totalizaram R$ 19,4 bilhões, 108% superior ao registrado em 2008.

Crédito total
Em 2009, a Caixa Econômica Federal emprestou 71% do total de crédito imobiliário do mercado, a maior contratação habitacional da história do banco. Foram beneficiadas 896.762 famílias, das quais 275.528 no programa governamental.

Em São Paulo, foram financiados 181.217 imóveis no valor total de 12,2 bilhões. Os dados constam do balanço da instituição em 2009.

Fonte: Reuters e Agência Brasil

Construtoras usarão captação na Bolsa para crescer este ano

Ofertas já listadas em Bolsa pretendem arrecadar R$ 1,27 bilhão (PDG) e R$ 339 milhões (Inpar)

O setor de construção civil começa a sinalizar crescimento forte em 2010 e já domina as primeiras ofertas de ações na Bolsa. Das quatro marcadas para os próximos dias, duas são de companhias do setor: PDG Realty e Inpar (incorporadoras), acompanhadas de Aliansce (shopping centers) e Multiplus (controlada da TAM). Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há 14 ofertas em análise, das quais sete são IPOs.

O IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da administradora de shopping centers, cujo período de reservas terminou ontem, será o primeiro do ano e pode atingir a cifra de R$ 1,15 bilhão - caso seja obtido o preço de R$ 13 por ação. No mesmo dia a Multiplus abriu o período de reservas, que vai até o dia 3 de fevereiro, e pode arrecadar R$ 1,27 bilhão, se exercidos os lotes suplementar e adicional. O preço do papel é definido no dia seguinte ao encerramento do período de reservas.

As ofertas das incorporadoras, já listadas em Bolsa, cujo período de reservas termina no início de fevereiro, pretendem arrecadar R$ 1,27 bilhão (PDG) e R$ 339 milhões (Inpar), considerados os valores dos papéis no pregão de ontem. Com o dinheiro, as empresas podem investir em novos projetos, mas a finalidade, segundo analistas da Brava Investimentos, é obter fluxo de caixa.

"Elas [incorporadoras] têm uma contabilização diferente de outros setores da economia. Usam dinheiro à vista para adquirir terrenos, aplainá-los, pré-vendas e vem o dinheiro bem depois. É um fluxo de caixa descasado", afirma, ressaltando que o tempo médio de maturação de um empreendimento - recuperação do valor investido -, no caso das grandes, é de quase três anos.

Segundo a equipe, companhias do setor de construção civil devem vir ainda com mais frequência à Bolsa, caso o Ibovespa volte a operar acima dos 70 mil pontos. "Acima dos 60 mil pontos o cenário ainda é atrativo, mas é melhor acima dos 70 mil", diz, sem dar projeções para o número de ofertas do setor neste ano.

A espera se pontua pelo índice Bovespa porque essas empresas são muito sensíveis ao indicador e, logo, com a queda da Bolsa, caem também os preços dos papéis, e a capitalização tende a não render tanto, explica a corretora. Encerrada a queda livre da Bolsa - que caiu ontem pelo quarto dia seguido, aos 65.523 pontos -, os gigantes do mercado devem emitir mais ações.

"Os principais players do mercado (Gafisa, Cyrella, Brookfield e Agre, da fusão entre Klabin Segall, Abyara e Agra) ainda podem esperar. Eles tiveram muita realização de lucros com a retomada do Ibovespa no ano passado."

O movimento será acentuado, diz a corretora, pela corrida contra o déficit habitacional, embalada pelo programa "Minha Casa Minha Vida", do governo federal. "A maioria dos grandes players está nesse mercado e quem não está quer entrar. Só a Caixa Econômica Federal deu crédito de R$ 50 bilhões no ano passado [para empresas e consumidores]."

Apesar da possibilidade de crédito junto a bancos e de outras formas de captação, a equipe de analistas diz ser pouco provável que as incorporadoras busquem alternativas às ofertas de ações, principalmente porque os juros no mercado são altos, principalmente para esse tipo de empresa.

"Sem a possibilidade de recorrer a Bolsa, uma alternativa seria a emissão de debêntures, porque a classificação de risco das companhias está bem avaliada. Os bancos seriam a última opção."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prefeitura investirá R$ 400 milhões em moradias no centro de SP

Prédios terão unidades mais baratas, para famílias de baixa renda, e outras para classe média

Em uma medida defendida por urbanistas e entidades de moradia desde a década de 1980, a Prefeitura vai investir R$ 400 milhões para desapropriar e reformar 50 prédios abandonados no centro de São Paulo. Andares hoje totalmente decadentes, ociosos e esquecidos vão dar lugar a apartamentos de R$ 40 mil a R$ 170 mil feitos pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab).

O decreto de utilidade pública será publicado pelo governo municipal em fevereiro - a intenção é tanto diminuir o déficit habitacional para a população de baixa renda quanto criar opções de moradia na região central para idosos e servidores públicos.

A Prefeitura queria ter anunciado a medida ontem, no aniversário da cidade, mas há detalhes jurídicos que ainda precisam ser estudados antes da assinatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O 50 endereços selecionados até agora foram eleitos com base em estudo inédito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), feito a pedido da Cohab, que descobriu pelo menos 208 prédios desocupados no centro.

Todos os imóveis foram analisados, os donos, encontrados e as dívidas, procuradas no cadastro de inadimplentes da Prefeitura - em média, cada prédio deve R$ 100 mil de IPTU.

Estima-se que existem na cidade inteira cerca de 420 mil imóveis desocupados, entre casas e edifícios, e pelo menos um quinto poderia ser revitalizado e transformado em moradia. Só a Prefeitura tem 37 imóveis residenciais ociosos, que estão fechados e sem resultar em rendas para o município.

"Estamos concluindo as avaliações, justamente para saber a viabilidade da desapropriação e das reformas", diz o engenheiro Luiz Ricardo Pereira-Leite, presidente da Cohab. "Há muitas complicações para adaptar esses prédios antigos para a legislação atual, então ainda não sabemos o valor exato do projeto."

O plano é tratado como o maior projeto da história da companhia, por tentar reverter o fluxo de despovoamento que vem movendo nos últimos 25 anos o centro - reduzindo assim o tempo de deslocamento de moradores da periferia até o trabalho -, e por criar moradias para a população de baixa renda que trabalha no região e vive em cortiços e em ocupações.

De acordo com as análises concluídas até o momento pela Cohab, os prédios escolhidos terão de 50 a 280 unidades e a ideia é que cada apartamento atraia todas as faixas salariais dentre os 900 mil cadastrados na fila da Cohab. O financiamento poderá ser feito por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que dá subsídio de R$ 52 mil para habitações destinadas a famílias que ganham até dez salários mínimos (R$ 4.650).

Fonte: O Estado de S. Paulo - SP

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Financiamento imobiliário com poupança fecha ano em R$ 34 bi e bate recorde

Os financiamentos imobiliários com recursos da caderneta de poupança atingiram R$ 34,017 bilhões em 2009, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). O desempenho superou o registrado no ano anterior (R$ 30,032 bilhões) em 13,3% e bateu novo recorde.

Em números absolutos, as contratações feitas pelos agentes do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) no ano corresponderam a 302.680 unidades --um aumento de 2,1% ante 2008 (quando o número chegou a 296.454 unidades).

O presidente da Abecip, Luiz Antonio França, atribuiu o novo recorde ao aumento de renda da população. "Os clientes das imobiliárias vão ganhando renda e decidem ir para um apartamento maior. Além disso, quem não tinha condições de comprar, passou a ter", disse.

Ele citou também a queda da taxa básica de juros, a Selic (em 8,75% ao ano), que aumentou a competitividade da poupança.

Ao todo, incluindo também os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), as operações de crédito imobiliário contratadas em 2009 chegam a R$ 49,6 bilhões, 22,6% a mais que no ano anterior.

Os dados da Abecip mostram uma alta de 46% nos valores financiados para aquisição, para R$ 20,16 bilhões, ao mesmo tempo em que os recursos para a construção somaram R$ 13,85 bilhões, em queda de 14,6%.

França ressaltou que o mercado secundário ganhou força no ano passado, já que as construtoras reduziram os lançamentos de novos empreendimentos em meio à crise. "As empresas não podiam fazer lançamentos, mas tinham volume em estoques e os colocaram à venda. Além disso, o mercado de usados também se movimentou."

Dezembro

Apenas em dezembro, os financiamentos atingiram R$ 3,82 bilhões, crescimento de 51% ante o mesmo mês de 2008. Na comparação com novembro, houve alta de 5,2%. O número de unidades financiadas ficou em 31.688, contra 25.462 mil no ano anterior.

Os dados da Abecip mostram ainda um aumento no valor médio financiado em 2009, para R$ 123 mil, ante R$ 100,5 mil em 2008. A porcentagem do financiamento em relação ao preço do imóvel subiu de 58,6% para 61,1%.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

GRUPO SANTANDER BRASIL DESTINOU R$ 3,7 BILHÕES PARA FINANCIAMENTO A CONSTRUÇÃO, DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2009

O mercado de construção de imóveis voltou a aquecer, com reflexos no financiamento a empreendimentos. O Grupo Santander Brasil, que reúne os bancos Santander e Real, destinou R$ 3,7 bilhões ao financiamento de incorporadoras, de janeiro a novembro de 2009. Com este resultado, o Grupo liderou os financiamentos imobiliários neste segmento no período, com 33,6% do mercado. O banco financia atualmente mais de 600 empreendimentos em todo o país, principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, mas observa tendência de crescimento no Centro-Oeste.

Segundo Alda Lucia Rosselli, superintendente de Crédito Imobiliário - Pessoas Jurídicas da instituição, além da retomada dos projetos das incorporadoras brasileiras, há grande interesse de investidores internacionais no país.

O Grupo Santander Brasil atua em toda a cadeia de produção imobiliária, ou seja, desde o financiamento à construção até o crédito para os futuros moradores, o que gera vantagens tanto para os empresários quanto para os clientes finais. De janeiro a novembro, os financiamentos para pessoa física alcançaram 1,5 milhão.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PRODUTO DA BASF AJUDA A CONSTRUIR O EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO, EM DUBAI

Atingindo mais de 800 metros de altura em 160 andares, o Burj Dubai foi inagurado no dia 04 de janeiro.

O hiperplastificante da linha Glenium® aumenta a resistência inicial do concreto e contribui para a rapidez no processo construtivo.

O Burj Dubai deixou para trás o Centro Financeiro Internacional de Taiwan, com altura de 509 metros e 101 andares. Com um período total de construção de cinco anos e condições climáticas extremas, o Burj Dubai apresentou um desafio muito especial para garantir que as características do concreto fossem mantidas durante a construção.

Com o alto desempenho garantido pelo hiperplastificante da linha Glenium®, foi possível bombear o concreto até 600 metros de altura sem interrupção. As fundações e a super estrutura do Burj Dubai utilizaram 180.000 m3 de concreto com o aditivo. “A construção do edifício é um marco da engenharia. Para nós é um orgulho poder contribuir para o sucesso desse projeto”, disse Tilman Krauch, responsável pela divisão de Químicos para Construção da BASF globalmente.

O hiperplastificante à base de éteres policarboxílicos garante a preservação das características do concreto, e, durante o processo de bombeamento, impede a segregação do material apesar da alta pressão utilizada.

Nesta obra, foi possível manusear o concreto sem perder a qualidade devido à utilização do produto. Além disso, o hiperplastificante da linha Glenium® aumenta a resistência inicial do concreto. O aditivo da BASF também contribuiu para a rapidez no processo de construção. Com dois andares construídos por semana, a velocidade da obra ultrapassou o padrão de Dubai (que é de um andar por semana).

Outro desafio foi a condição climática do local. Na cidade, as temperaturas podem variar entre 10ºC, no inverno, e 50ºC, no verão, e a diferença entre o dia e a noite pode facilmente atingir os 20ºC. A linha Glenium® e o conhecimento da equipe BASF garantiram a altíssima qualidade do concreto, mesmo nestas condições.

Para completar as dificuldades, a grande altura do Burj Dubai exerce uma pressão extrema na estrutura do concreto. Para prevenir o colapso do arranha-céu, o Glenium® proporcionou ao concreto resistência à compressão superior a 80 MPa, permitindo maior vida útil do concreto e garantindo sua durabilidade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fundo imobiliário mira universidades

Com a expectativa de um crescimento ainda maior da renda do brasileiro, o setor de educação vem atraindo cada vez mais a atenção de investidores dispostos a aplicar no segmento. Gestores e administradores de fundos imobiliários, por exemplo, estão de olho nos imóveis que abrigam principalmente universidades. O mais novo fundo a mirar essa área é o Educacional, que pretende captar R$ 200 milhões e pretende atrair investidores de varejo.

O fundo tem como foco a compra de imóveis de instituições privadas de ensino para, em seguida, fechar um contrato de aluguel de longo prazo com ela. Para diversificar os riscos, há um limite de 25% do patrimônio para aplicação em um único empreendimento e em único locador, segundo informações contidas no prospecto da oferta.

A carteira tem como administrador o Banco Ourinvest e a gestão ficará a encargo da Claritas Administração de Recursos e da Credit Suisse DTVM. O valor total da emissão será de R$ 200 milhões, sendo que cada cota terá preço de R$ 1 mil. A aplicação mínima, no entanto, é de R$ 30 mil. A taxa de distribuição é de 1% do valor investido pelo cotista. Essa taxa é deduzida do valor investido no momento da integralização das cotas. Isso quer dizer que quem quiser aplicar R$ 30 mil terá de pagar R$ 300 no momento da compra.

Dado o tamanho da operação, é provável que os imóveis selecionados estejam concentrados nas principais cidades do país. Além disso, provavelmente terão como foco as quatro empresas de capital aberto do setor: Anhanguera Educacional, Estácio Participações, Kroton Educacional e Sistema Educacional Brasileiro (SEB).

O prazo para reservar as cotas do fundo termina no dia 12 de julho, segundo o prospecto, mas poderá se encerrar antes se o total da emissão for atingido. Já a taxa de administração é de 1,75% ao ano. Há a cobrança de 20% a título de performance sobre o que exceder a variação do IPCA mais 8%.

Este é o segundo fundo imobiliário no mercado com foco em educação. O primeiro foi o Anhanguera Educacional, uma carteira de R$ 38 milhões destinada à compra de um imóvel localizado na Rodovia Régis Bittencourt, em Taboão da Serra (SP).

A isenção sobre os rendimentos confere um atrativo a mais para a pessoa física interessada em buscar ganhos diferenciados neste momento de juros baixos. Os rendimentos distribuídos pelos fundos imobiliários não pagam IR. Mas isso só vale se o investidor não tiver mais de 10% das cotas do fundo.

Os fundos imobiliários são fechados, ou seja, não há resgate das cotas. Se quiser deixar a aplicação, o investidor deve vender suas cotas a terceiros no mercado secundário. Nesse caso, a falta de liquidez pode ser um entrave.

ECONOMIA: VÁLVULA ECONOÁGUA REDUZ 40% DO VALOR DA CONTA DE ÁGUA

Estabelecimentos comerciais, empresas, residências e condomínios podem contar com um novo sistema na busca pela economia: a Econoágua, uma válvula bloqueadora de ar com mecanismo capaz de reduzir 40% do valor da conta de água mensal. A peça é lançamento da linha de produtos da Wurth do Brasil, multinacional alemã especializada em peças de fixação, ferramentas e produtos químicos.

A redução expressiva é possível porque a válvula impede a entrada de ar da rede de abastecimento e o retorno da água da tubulação - quando acontece falta de água ou manutenção. Além disso, diminui a vazão de água, evitando a alta pressão, um dos fatores responsáveis por danificar as bóias das caixas d’água e torneiras.

A válvula Econoágua é um recurso acessível que garante economia em curto prazo. “Este produto é uma inovação tecnológica. Em pouco tempo, o usuário tem o retorno do valor investido no equipamento e o resultado pode ser comprovado na conta de água mensal”, explica Bruno Chagas, engenheiro de Produtos da Divisão Construção Civil da Wurth.

A praticidade é outra característica do lançamento da Wurth. Para instalação não é preciso nenhuma ferramenta específica, é necessário apenas uma chave de boca (fixa, inglesa ou grifo) para deslocar o cano localizado após o hidrômetro que, portanto, já pertencente à residência ou estabelecimento. Também não é necessário nenhum tipo de acessório, uma vez que a válvula já vem com dois anéis de vedação. O próprio consumidor pode fazer a montagem, mas em caso de dúvida ou se o encanamento não estiver em boas condições, basta procurar a ajuda de um encanador ou pedreiro com conhecimentos em hidráulica.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tecnisa estrutura-se para crescer

Ele ainda guarda em um papel sulfite amarelado os cálculos atuariais feitos a mão para calcular o retorno dos seus primeiros projetos imobiliários. Apesar da aparência jovem, Meyer Nigri, presidente da Tecnisa, está entre os empresários que mais conhece o mercado. Mas ainda é capaz de se surpreender com o setor. "Nunca imaginei receber um currículo de auxiliar de pedreiro e mestre de obras pela internet", diz Nigri, de volta, oficialmente, ao comando da empresa que fundou há 32 anos.

O empresário prepara a companhia para um novo estágio. Depois de lançar R$ 1,5 bilhão (US$ 872,1 milhões) em 2008 e chegar mais perto das grandes, a Tecnisa desacelerou mais que a maioria dos concorrentes e colocou no mercado cerca de R$ 500 milhões (US$ 290,7 milhões) em novos imóveis no ano passado. "Sabemos que ainda estamos na segunda divisão, mas estamos nos esforçando para ir para o pelotão de frente", disse Meyer ao Valor em sua primeira entrevista após reassumir a presidência.

Para 2010, a Tecnisa pretende dar um salto importante e lançar R$ 2 bilhões (US$ 1,16 bilhão). Ainda assim, fica longe do primeiro grupo - Cyrela PDG Realty, MRV, Gafisa e Rossi trabalham com números entre R$ 3 bilhões (US$ 1,74 bilhão) e R$ 5 bilhões (US$ 2,9 bilhões) este ano. Para engordar o caixa, a Tecnisa partiu para o mercado de dívida - captou R$ 300 milhões (US$ 174,4 milhões) em debêntures, além de R$ 60 milhões (US$ 34,9 milhões) para capital de giro com a Caixa Econômica Federal. "Será dinheiro suficiente para lançarmos R$ 2 bilhões (US$ 1,16 bilhão) este ano e R$ 2,5 bilhões (US$ 1,45 bilhão) em 2011", afirma Nigri.

A companhia foi uma das últimas a aderir ao sedutor apelo da baixa renda, mas não vai criar uma marca específica para o segmento econômico - como a Cyrela ou a Rossi - nem ser tão agressiva nesse segmento, como os concorrentes. O objetivo da Tecnisa é fazer mais lançamentos econômicos - 50% dos lançamentos de 2010 devem ficar abaixo de R$ 250 mil (US$ 145,3 mil) - mas não vai fazer imóveis populares, que custem menos de R$ 100 mil (US$ 58,1 mil). "O mercado agora acha que só tem espaço para a baixa renda", diz Nigri. "Nossa estratégia é diluir o risco é estar em todos os mercados.".

Por conta do histórico antes da abertura de capital, ainda é tida pelo mercado como uma empresa de atuação na média e alta renda e muito concentrada em São Paulo. A Tecnisa - e Meyer, pessoalmente - rechaça a afirmação e trabalha para divulgar a sua estratégia de expansão geográfica. Além de São Paulo, está em cidades como Brasília, Curitiba e Fortaleza.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

PROGRAMAS DE MORADIA POPULAR RECEBEM R$ 3 BILHÕES


O governo federal anunciou nesta terça-feira (12) a liberação de R$ 3 bilhões para ações de moradia popular do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sendo R$1 bilhão exclusivamente para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida em municípios com menos de 50 mil habitantes. Os recursos são do Orçamento Geral da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Com os recursos do “Minha Casa, Minha Vida”, que serão repassados a estados e prefeituras, a previsão é construir 74 mil habitações para famílias com renda de até R$1.395. Segundo o ministro das Cidades, Márcio Fortes, duas mil propostas foram selecionadas, num total de 2.014 municípios atendidos. Cidades vítimas de calamidade pública, com as atingidas pelas enchentes em Santa Catarina, tiveram prioridade na seleção.

O Nordeste é a região que mais receberá recursos dessa fase do programa: R$ 540 milhões, seguido pelas regiões Norte e Sudeste, com R$ 161 milhões cada. Os estados do Sul receberão R$ 76,2 milhões, e os do Centro-Oeste, R$ 60 milhões.
Os contratos garantirão subsídio de até R$ 16 mil no valor dos imóveis, com contrapartida de valor simbólico pelos beneficiários. Estados e municípios têm até o dia 31 de março para assinar os contratos com as instituições financeiras.
Até o fim de dezembro de 2009, o número de contratos assinados no “Minha Casa, Minha Vida” era de 250 mil, um quarto da meta prevista no lançamento do programa, de um milhão de casas. Fortes disse que pelo menos 600 mil contratos estão habilitados para obtenção do financiamento de acordo com os critérios o programa.
Já o programa Pró-Moradia vai receber R$ 2 bilhões para financiamento de 54 projetos em 13 estados. O dinheiro deve ser aplicado em ações de urbanização de assentamentos precários e áreas de risco, construção de casas populares e desenvolvimento institucional.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Na Água Espraiada, favela cresce ao lado de área preparada para remoção

Região assiste a novo inchaço de ocupações, perto de onde Prefeitura vai retirar 40 mil pessoas, para obra de túnel

A poucos metros de prédios neoclássicos gigantescos em construção à beira da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul de São Paulo, o trabalho daqueles cinco homens de bermuda e camiseta regata parece até de formiguinha. Eles carregam tijolos, puxam tábuas, se equilibram em cima de muros, pulam pequenos vãos. Enquanto os carros passam impacientes às margens do Córrego Água Espraiada e os espigões sobem da noite para o dia ao seu redor, os homens constroem lentamente suas casas de reboco aparente, sem nenhuma pressa.

Eles não são os únicos, diga-se. No trecho da avenida que corta os bairros do Brooklin Novo, Brooklin e Campo Belo é possível flagrar a construção de casas em pelo menos quatro terrenos, aumentando o número de moradias que se espremem nas pequenas favelas já existentes ao longo da via. Cenas de homens levando tábuas e tijolos podem ser vistas a apenas um quilômetro do ponto na Roberto Marinho onde a Prefeitura promete fazer a maior remoção de favelas da história da capital paulista - 40 mil moradores serão retirados para a construção de um túnel de 2,8 quilômetros que vai chegar à Rodovia dos Imigrantes. Apesar da grandiosidade do projeto, que já está em curso, as favelas ao longo da avenida continuam a inchar, sem a interferência do poder público municipal.

As novas construções irregulares na Roberto Marinho ficam dentro do perímetro da Operação Urbana Água Espraiada, que - pelo menos no papel - contempla a futura urbanização das favelas da área. "O pessoal vai tendo filhos, os filhos saem de casa, e aí precisam morar sozinhos, né?", diz Antônio, um marceneiro que há 12 anos mora na avenida.

A frase resume em poucas palavras a situação habitacional da capital. De acordo com levantamento feito com base no banco de dados da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab), o número de favelas caiu no ano passado pela primeira vez na história. Os motivos passam pela falta de novos terrenos para a criação de ocupações e pela desapropriação de favelas - em 2008 eram 1.641 e atualmente são 1.636. Ainda assim, a população favelada continua a crescer em um ritmo quase duas vezes superior à da média paulistana. Hoje, segundo a Sehab, há cerca de 1,3 milhão de pessoas em favelas, número que cresce 3,7% ao ano.

"Eu já morei na Arábia (favela em Parada de Taipas, zona oeste). Aí desapropriaram lá e meu marido conseguiu uns trabalhos perto da zona sul. Então, compramos esta casa", diz a vendedora de doces Maria dos Santos Penteado, que há menos de três meses mora em uma favela da Roberto Marinho. "A gente não tem folga no orçamento para alugar em outro lugar melhor, e mesmo para comprar fora de favela. Às vezes (o dinheiro), não é suficiente nem para as despesas."

Segundo moradores do Campo Belo, também cresce o número de pessoas que estão se instalando gradativamente no interior das muretas centrais de proteção da avenida, coladas ao córrego. As ocupações contrastam com o número de espigões de alto padrão que surgiram na área - nos últimos sete anos, os bairros às margens do córrego valorizaram até 80%. E o otimismo do mercado imobiliário não parece ter fim. De acordo com o Secovi (sindicato da habitação), o complexo de túnel vai garantir melhorias urbanísticas e ambientais, capazes de criar mais um eixo de desenvolvimento para a cidade.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Erro em projeto de construção civil pode virar crime

Conforme abordagem do Projeto de Lei (PL) 5716/09 - em análise pela Câmara Federal, os erros em projetos ou na execução de obras civis que colocam em risco a vida ou o patrimônio das pessoas serão tipificados como crime.

A proposta, do deputado Maurício Rands (PT-PE), prevê pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa. Se a Justiça considerar que o crime foi somente culposo, a pena cai para detenção de seis meses a um ano.

Atualmente, os donos de construtoras ou os engenheiros responsáveis só respondem criminalmente se acontecer um desabamento. Em casos menos graves, mesmo quando há a interdição da edificação, os eventuais processos só podem ser acolhidos na área civil.

Na defesa do PL proposto, Maurício Rands destaca que tragédias causadas por erros cometidos na construção civil já se tornaram um problema nacional, “sendo injusto que os responsáveis não respondam criminalmente”.

Como exemplos, Rands cita eventos ocorridos na Região Metropolitana do Recife, PE, considerada pelo deputado como um caso “alarmante". O deputado menciona que, entre 1977 e 2004, mais de 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por conta dos desabamentos de 12 edifícios.

O PL 5716/09 está em fase de análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cartilha do BNDES apresenta linhas de financiamento voltadas à construção civil

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançou a Cartilha de Apoio à Construção Civil, que apresenta as linhas de financiamento do banco voltadas ao setor. O objetivo é facilitar e ampliar o acesso a esses produtos.

Endereço para o Arquivo da Cartilha
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/cartilha/CartilhaConstrucaoCivil.pdf

O documento apresenta as mais recentes linhas de crédito lançadas, como o Cartão BNDES, o BNDES Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), o PEC (Programa Especial de Crédito), e o Programa de Apoio à Aquisição de Bens de Capital Usados.

Além disso, expõe os dados de como operar o financiamento por meio do banco e divulga o Programa BNDES Contrução Civil, dividido em subprogramas: o BNDES Qualidade Construção (dedicado aos fabricantes de materiais e sistemas construtivos) e o BNDES Construção Industrializada (direcionada aos itens financiáveis, como máquinas, equipamentos, obras civis, capacitação gerencial e capital de giro).

Dubai inaugura maior arranha-céu do mundo

Edifício de 160 andares mede mais de 800 metros de altura e pode ser visto a 95 km de distância.

Repórter da BBC em Dubai - O prédio mais alto do mundo, Burj Dubai - que em árabe quer dizer Torre Dubai - será aberto nesta segunda-feira em Dubai.

A inauguração ocorre pouco depois de o emirado pedir moratória e de ter que recorrer a um empréstimo de US$ 10 bilhões do emirado vizinho Abu Dhabi para pagar suas dívidas.

Com mais de 800 metros de altura, o edifício de 160 andares ultrapassa em centenas de metros o prédio que vinha sendo o mais alto do mundo, o Taipei 101, em Taiwan, que mede 508 metros de altura.

O prédio é duas vezes mais alto que o Empire State, em Nova York, é possível vê-lo a uma distância de 95 quilômetros e o exterior é coberto com cerca de 28 mil painéis de vidro, que brilham ao sol do deserto em torno de Dubai.

O desenho do edifício trouxe desafios técnicos e logísticos sem precedentes, não apenas por conta de sua altura, mas também porque Dubai é suscetível a fortes ventos e está perto de uma falha geológica.

Os ventos no emirado chegam a 50 km por hora, e no topo do prédio a velocidade pode ser três vezes mais alta.

"Você encontra as soluções para o problema, mas sempre se pergunta se elas vão realmente funcionar", disse à BBC Mohamed Ali Alabbar, diretor da Emaar, a empresa responsável pela construção.

"Fomos atingidos por raios duas vezes, houve um grande terremoto no ano passado originado no Irã, e tivemos todos os tipos de vento atingindo o prédio durante a construção. Os resultados foram bons e eu cumprimento os arquitetos e profissionais que ajudaram a construí-lo."

Poder do leste

Nas últimas duas décadas, houve um aumento da construção de arranha-céus na Ásia e Oriente Médio, onde se localizam hoje quatro dos cinco edifícios mais altos do mundo.

Cidade vista do andar 124 da torre, que projeta sua sombra à direita. Ahmed Jadallah /Reuters


"Isso se deve à confiança", afirma Andrew Charlesworth da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle. "Muitas dessas economias emergentes se veem como importantes jogadores mundiais e querem demonstrar que são capazes de desenvolver este tipo de projeto."

"A riqueza do mundo está se mudando do Ocidente para o Oriente e as economias emergentes querem destacar suas expectativas para o futuro em termos de como elas vão se posicionar globalmente."

Elefante branco?

Dubai é uma cidade de superlativos, onde tudo é maior e mais arrojado. Nos últimos anos, a cidade atraiu a atenção internacional com ilhas artificiais, edifícios giratórios e um hotel sete estrelas.

Mas como muitos dos outros prédios mais altos do mundo do passado, Burj Dubai foi planejado e construído durante os anos de crescimento econômico, e foi concluído durante a crise global do mercado de crédito - o Empire State foi concluído durante a Grande Depressão dos anos 30 e as Torres Petronas, na Malásia, durante a crise asiática dos anos 90.

Muitos questionaram se o novo edifício seria um elefante branco, mas Ali Alabbar, presidente da empresa responsável pela construção, afirma que 90% do prédio já foram vendidos e que a construtora já obteve mais de 10% de lucro.

A maioria dos imóveis foi vendida ainda na planta, antes da crise no mercado imobiliário, e os compradores já pagaram 80% do valor, com os 20% restantes a serem pagos na ocupação.

Para os investidores, o resultado de seu empreendimento ainda é incerto. No auge de sua avaliação, os imóveis valiam até 5.000 dirhams (cerca de R$ 2.365) por metro quadrado, mas com a crise, o preço chegou a cair 50% e pode cair outros 30%, segundo o analista imobiliário do banco de investimentos USB Saud Masud.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Andamento do “Minha Casa, Minha Vida”: 176 mil moradias contratadas em todo o Brasil

Até o dia 30 de novembro, a Caixa Econômica Federal recebeu 2.763 propostas de empreendimentos dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida” em todo o Brasil, o que corresponde a 567 mil moradias. Desse total, 322.300 é para o público com renda de até três salários míninos; 138 mil de 3 a 6 SM e 106,7 mil de 6 a 10 SM.

Em contratações, os números já ultrapassam 176.379 residências, num valor superior a R$ 11,17 bilhões. São 102.585 moradias para 0 a 3 SM; 56.051 3 a 6 e 17.743 para 6 a 10 SM.

No Estado de São Paulo, 588 propostas de empreendimentos com 106.151 unidades e valor de R$ 8,4 bilhões foram recebidas para avaliação. Até o momento foram contratados 33.056 imóveis correspondendo a R$ 2,1 bilhões.

Na Região Metropolitana de São Paulo, 211 propostas de empreendimentos com 42.577 unidades e valor de R$ 3,2 bilhões foram recebidas para avaliação. Até o momento foram contratadas 9.946 unidades, correspondendo a R$ 766,9 milhões.