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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Leilão de imóveis por preço baixo tem riscos; veja os direitos do devedor

Falta de informações no edital é razão para atrasar ou até anular o negócio. Proprietário inadimplente pode pedir liminar para evitar despejo do imóvel.

Um anúncio na internet mostra o que parece ser o imóvel dos sonhos. Bem localizado, amplo e ofertado por metade do valor de mercado. Ao ligar para o anunciante, o interessado descobre que não é uma imobiliária, mas uma assessoria especializada em leilões – modalidade cada vez mais presente no segmento imobiliário.

A atendente informa, então, que o imóvel tem um preço atrativo porque será leiloado e retomado de alguém que não pagou as contas. Por telefone, ela diz que não é preciso se preocupar com a parte jurídica do negócio, mas existe um "porém". O imóvel está ocupado e o possível comprador não pode visitá-lo antes de fechar o negócio. Alguém ainda mora lá e, talvez, brigue na justiça para não sair.
“Não é por acaso que os imóveis vendidos em leilão valem bem menos que o preço de mercado. Todos os riscos estão embutidos no baixo preço”, explica André Junqueira, advogado especializado em direito imobiliário. Estes riscos podem variar de problemas com a documentação até dívidas não pagas, que podem ser repassadas para o novo proprietário.

1 a cada 20 imóveis torna-se viável
Investidor há 18 anos e especializado em leilões de imóveis, Carlos Alberto Pereira conta que a cada 20 imóveis ofertados em leilão, apenas um torna-se viável para arrematar, devido aos problemas que surgem na análise da documentação e demais riscos do negócio. “Não dá para se aventurar com leilão sem antes conhecer o mercado. Por isso, é mais fácil para o investidor do que para quem procura a casa própria”, defende.

Pereira calcula já ter arrematado cerca de 300 imóveis para investimento e em torno de 1 mil para clientes. Ele diz que é possível obter lucro na revenda entre 50% e 100% sobre o valor investido. Mas pondera que esse mercado ficou mais concorrido a partir de 2012, com mais pessoas disputando lances, o que eleva um pouco o valor final de compra.

Inadimplência maior estimula leilões
Um imóvel pode ir a leilão por atraso de mais de três meses nas parcelas do financiamento imobiliário. O prazo para o devedor resolver o atraso das parcelas com o banco após a notificação no cartório é de três meses se ele for financiado pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e de 15 dias pelo SFI (Sistema Financeiro Imobiliário). Passado esse prazo, o imóvel vira propriedade do banco e segue para leilão extrajudicial.

Também existe outra modalidade de leilão, por via judicial. Ele geralmente decorre de ações movidas por condomínios, por falta de pagamento das mensalidades, ou por prefeituras, pela inadimplência com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Na Caixa Econômica Federal, que controla cerca de 70% do crédito imobiliário do país, o número de compradores que perderam o imóvel saltou 53% no ano passado, mostrou em junho uma reportagem do G1. Em 2015, 13.137 unidades foram ofertadas em leilão extrajudicial por inadimplência, contra 8.541 nos 12 meses anteriores. Desde 2010, esse aumento foi de 93%.

Acompanhando esse aumento, os leilões judiciais de imóveis também aceleraram com as ações por falta de pagamento dos condomínios, graças ao novo Código de Processo Civil (CPC), que entrou em vigor em março, segundo Junqueira. Elas aumentaram cerca de 50% em seu escritório desde a vigência a lei, conta. Antes levava-se anos para resolver o problema com condomínios na justiça. Agora, com uma parcela em atraso e se o devedor não pagar em 72 horas após ser notificado, o condomínio já pode penhorar o imóvel em 10 dias.

Tanto no leilão judicial (condomínios e prefeituras) quanto no extrajudicial (geralmente bancos), o processo demora. O comprador corre o risco de levar meses e até anos para conseguir entrar no imóvel que adquiriu.

Fonte: Taís Laporta, G1

Antes de comprar imóvel em leilão, verifique:

Se há dívidas pendentes: o comprador deve quitá-las (em caso de IPTU e cobndomínio) e pode pedir desconto na compra do imóvel em caso positivo.

Se o imóvel está ocupado: o devedor pode entrar na justiça para impedir que seja despejado e atrasar entrega do bem.

Se há ações judiciais: qualquer pendência na Justiça que envolva o leilão do imóvel a ser leiloado pode pesar contra o novo proprietário.

Condições de venda: alguns leilões pedem o pagamento à vista, outros permitem financiar com o banco. Esta informação deve estar no edital.

Comissão do leiloeiro: o edital deve informar o percentual do valor fechado no negócio que será destinado ao leiloeiro.

Impostos e taxas: além do valor da compra, é preciso reservar um dinheiro para a escritura e tributos como o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis).

Estado de conservação do imóvel: o edital deve descrever quaisquer problemas que o imóvel tenha, como infiltrações ou falhas que comprometam sua avaliação.

Preço mínimo: no edital, também é preciso ver o valor do lance mínimo a ser ofertado no leilão.

Fonte: Amspa e advogados

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Como lidar com vazamento no imóvel

Quando um vizinho bate à sua porta para reclamar de um vazamento, começa a dor de cabeça para o morador do imóvel. Este é um dos problemas mais frequentes enfrentados por locadores, locatários e síndicos. E a pergunta que sempre ocorre é “quem deve arcar com os prejuízos?”.


“A dúvida é correta, pois​ afinal, quando um cano estoura, fura ou vaza acaba não se restringe ao local-foco do problema, extravasando para a vizinhança” – adianta o advogado Luís Guilherme Russo, diretor-presidente da Irigon, empresa voltada para administração de condomínios e locação de imóveis


“E quando isso acontece” – continua ele – “não há como escapar de um contato com os vizinhos dos apartamentos contíguos para os necessários​ consertos. Com a umidade, parede e pintura podem ser comprometidas em extensões mais amplas​, sendo necessário também verificar a amplitude do dano, quando então será necessário gastar com reformas muitas vezes imprevistas”, complementa o advogado. Segundo ele, os principais prejuízos causados por vazamentos são sempre referentes paredes​ ou teto, o que pode incluir pisos com revestimento e  azulejos,​ entre outros trabalhos de alvenaria maiores ou menos.


Em imóveis alugados, a situação é um pouco diferente. A estudante Elisa Calmon e a policial civil Samantha Balestero, por exemplo,​ moram em um sobrado com apartamentos sobrepostos. Samantha, vive no primeiro andar e​ conta que ​tem o banheiro inundado toda vez que a estudante do andar de cima joga água em determinados cômodos. “Antes de qualquer coisa, Samantha precisa descobrir se o vazamento que atinge seu apartamento​ é proveniente de coluna de água do sobrado – que é comum a todos os moradores por se tratar de um condomínio – ou diretamente do ralo do banheiro, cozinha ou área de serviço​ do apartamento de Elisa”, diz Luís Guilherme.


Após a identificação do vazamento


Descobrindo de onde vem o vazamento e de posse do laudo técnico emitido por empresas especializadas, Samantha deve cobrar o reparo e os prejuízos causados ao responsável. “Caso o vazamento se origine da coluna do sobrado, ela deve cobrar do condomínio onde se localizam os apartamentos”, explica Luís Guilherme. “Agora, caso venha do ralo do banheiro de Elisa, Samantha deve cobrar a vizinha de forma amigável”. O advogado explica também que, caso o problema ​ não seja resolvido de forma amigável, Samantha pode cobrar judicialmente do proprietário do apartamento​ de Elisa, caso a locatária se negue a resolver o problema.


Luís Guilherme diz ainda que a imobiliária não pode ser responsabilizada. “Se a responsabilidade for do imóvel locado e a cobrança for judicial, o proprietário é quem deve ser cobrado”, afirma. Nessas situações, o diretor da Irigon sempre aconselha o caminho amigável. “O responsável deve ser notificado, fixando prazo para reparos e indenização pelos prejuízos. Caso não ocorra dessa forma, os direitos devem ser buscados judicialmente”, completa.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Aumento da acessibilidade nos hotéis paulistanos demanda incentivo financeiro

Por Jamille Niero

Uma resolução publicada recentemente no Diário Oficial da capital paulista traz diretrizes para o desenho universal de acessibilidade em unidades de hotéis, motéis, pousadas e similares. A norma, que foi aprovada pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, visa cumprir exigências da Lei Brasileira de Inclusão, de abrangência nacional. A resolução segue a definição de norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que trata do tema, contendo, por exemplo, o tamanho adequado para portas, corredores e passagens, além da altura de camas, interruptores, maçanetas, entre outros.

Segundo especialistas em hotelaria, a medida é positiva ao estimular a acessibilidade no atendimento às pessoas com deficiência, público que soma mais de 45 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Contudo, as ações nesse sentido devem ir além da exigência de alterações no espaço físico dos estabelecimentos. Passam ainda por incentivar o treinamento de profissionais que lidam diretamente com tais hóspedes e tornar os espaços públicos acessíveis. O estímulo financeiro também é necessário, ainda mais em momento de crise econômica.

É preciso garantir que as regras sejam viáveis, aponta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP), Bruno Omori. De acordo com ele, para que os estabelecimentos do ramo se tornem mais acessíveis, são necessárias medidas complementares. Entre elas, incentivos fiscais - como a redução do imposto dos materiais usados na transformação do espaço, linha de financiamento específica para obras de adaptação e descontos no IPTU para quem implantar medidas nesse sentido. “Tem que existir ações conjuntas entre as iniciativas pública e privada. Precisamos considerar ainda que é um momento delicado para os empresários, que evitam qualquer coisa que for encarecer os custos, uma vez que a crise reduziu a ocupação dos hotéis”, explica Omori.

A ABIH-SP tem desde 2012 o Programa de Acessibilidade e Inclusão Social, cujo objetivo é oferecer ao mercado hoteleiro e setores ligados ao turismo informação, orientação e capacitação. O resultado é a certificação do estabelecimento com selo em parceria com a ABNT.

Dificuldades

Para o Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (CEVEC) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), é extremamente importante que os meios de hospedagem sejam acessíveis para pessoas com todos os tipos de deficiências. Mas a acessibilidade deve abranger desde equipamentos e atrativos (públicos e privados) até a infraestrutura de mobilidade urbana, como ruas, calçadas e transporte público. “De nada adianta termos todos os meios de hospedagem adaptados se o visitante/turista não conseguir se locomover assim que deixar um estabelecimento”, aponta a presidente do referido Conselho, Viviânne Martins.

A docente de Hotelaria do Senac São Paulo, Luana Manini, observa que muitos hotéis da cidade possuem espaços e atendimento acessíveis. A falta da acessibilidade é mais comum em estabelecimentos como motéis. “A vida sexual de pessoas com deficiência ainda é um tabu”, justifica.
Nos pequenos e médios empreendimentos independentes – sejam hotéis, motéis ou pousadas – a dificuldade está nos casos em que o dono não tem formação hoteleira. “Muitos são criados quando o proprietário tem um imóvel disponível e aproveita o espaço para abrir o estabelecimento, mas não conta com assessoria e planejamento adequados”, comenta.


A acessibilidade na rede hoteleira pode ser encarada ainda como uma oportunidade de atrair novos clientes. Os hóspedes com deficiência podem se instalar no hotel acompanhados de amigos ou familiares, aumentando a ocupação do estabelecimento. Por outro lado, espaços acessíveis podem ser um diferencial para atrair empresas que buscam locais para realizar eventos corporativos e contam com funcionários com necessidades especiais. Há ainda a demanda dos turistas mais idosos. Empreendimentos que se preparam para receber cães-guias conseguem ampliar o público-alvo e hospedar também outros viajantes com animais de estimação.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A melhor forma de remunerar o síndico

Administrar um condomínio não é tarefa fácil. Por muito tempo essa demanda esteve nas mãos de algum morador que, em assembleia, era eleito síndico. Porém, o advento do Código Civil permitiu a contratação de um síndico não proprietário.

“Isso beneficiou tanto o ramo de síndicos, quanto os condomínios, que passaram a ser gerenciados por profissionais capacitados, sem deixar que vínculos pessoais possam interferir na administração”, aponta Rodrigo Karpat, advogado especialista em direito condominial e imobiliário.

Quem escolhe o sindico, seja profissional ou não, são os condôminos em assembleia. “Na ocasião qualquer morador que tenha interesse em exercer a sindicância poderá concorrer em igualdade de condições”, diz.

Quando é feita a opção por um síndico não proprietário para cuidar das demandas do condomínio, alguns cuidados devem ser levados em conta. Primeiro, é preciso buscar referências no mercado, explica Paulo Sanford, síndico profissional e proprietário da Sindpro. Além disso, ele tem que ter feito cursos preparatórios na área.

Esse profissional pode ser pessoa física ou jurídica. Para ambos, existem dois tipos de contratos que podem ser feitos. Um é por demanda e o outro por tempo fixo, mas nenhum gera vínculo empregatício com o condomínio. No por demanda, o sindico profissional se propõe a fazer serviços operacionais por determinado tempo, resolvendo assuntos já estabelecidos.

“Ele pode durar em média 30 dias, por exemplo. Já no contrato por tempo fixo, fica acordado, por exemplo, que ele fique oito horas por dia no local e é feito principalmente por condomínios comerciais e de grande porte”, completa. O síndico profissional pode ainda ser um funcionário de uma empresa administradora, com os serviços pagos por ela.

Dentre as atividades exercidas pelo síndico estão movimentação da conta bancária, cobrança de inadimplentes, planejamento de despesas e fiscalização de serviços.

“A remuneração por demanda gira em torno de RS 1,5 mil para condomínios de até 30 unidades. Já quando o síndico profissional trabalha em tempo integral, é em média R$ 8 mil”, afirma Paulo.

É importante lembrar que o conselho só poderá rescindir o contrato se esse poder lhe foi conferido em assembleia. “Caso contrário, com o desejo de suspender o mandato do síndico, deverá realizar-se uma assembleia para a discussão do tema para a aprovação dos moradores ou esperar que o profissional renuncie”, completa Rodrigo.

Síndico condômino
Ainda assim, há quem prefira um síndico morador justamente pela maior proximidade com os condôminos. Nesse caso, a remuneração é decidida ainda em assembleia, explica Lilian Alves, vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-CE) e sócia da Focus Administradora de Condomínios.

“Depende do que tem na convenção e do que ficou definido em assembleia. Os moradores podem optar por um pró-labore ou pela isenção da taxa de condomínio para o síndico”, diz.

Se ficar acordado um pró-labore, que é um regime diferenciado de pagamento, baseado nas atividades empenhadas e sem vínculo trabalhista, ele pode ser pago por quinzena ou mensalmente.

Frase
Os moradores podem optar por um pró-labore ou pela isenção da taxa de condomínio para o síndico

O minha casa, minha vida tem solução?

Bruno Araújo, novo ministro das Cidades, deu um panorama da situação de sua pasta em reunião da Política Olho no Olho, ocorrida dia 15/7, na sede do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).
“O antigo governo nos deixou restos a pagar gigantescos. O que se fez foi passar um cheque sem fundo para a sociedade brasileira”, ponderou Araújo, referindo-se às promessas feitas pelo governo anterior sem a devida capacidade de pagamento. De acordo com ele, este ano o ministério tem de empenhar R$ 66,5 bilhões, mas tem apenas R$ 8 bilhões em caixa.
O Minha Casa, Minha Vida foi um dos mais afetados no reajuste de contas pelo qual o ministério teve de passar. Dos R$ 16,18 bilhões empenhados, há R$ 6,95 bilhões de recursos disponíveis para o programa.
Dados do ministério dão conta da queda do ritmo do MCMV nos últimos anos. A quantidade de unidades contratadas na faixa 1, em 2013, foi de 399,2 mil; em 2014, caiu para 132,6 mil; em 2015, para 1,18 mil. Até o mês de abril, período que antecedeu o governo interino de Michel Temer, não houve novas contratações.
Mesmo com o conturbado momento econômico do País, o ministro comprometeu-se a dar continuidade ao programa em todas as modalidades. “Eu diria que nossa missão é salvar o Minha Casa, Minha Vida”, pontuou, elencando as diversas medidas que estão para ser adotadas com vistas a dar fôlego ao programa.
Dentre elas, destaca-se a reestruturação da faixa 1,5, cuja operação será destinada ao mercado. “O Minha Casa, Minha Vida não é um programa de governo ou de partido político; é, sim, uma política de Estado, que pertence a toda a sociedade brasileira. Para isso, a participação da iniciativa privada é fundamental”, disse.
Segundo o ministro, primeiramente será feita uma análise do crédito do adquirente, e, depois, o cadastramento para recebimento da unidade. Com isso, o beneficiário terá certeza de que tem perfil para a contratação. Até agora, o critério adotado era o sorteio, para depois o candidato ter seu cadastro avaliado.
Nessa faixa, devem ser contratadas entre 40 mil e 50 mil unidades até o fim deste ano. No total, com todas as demais faixas, o MCMV deve contratar de 300 mil a 400 mil moradias até dezembro.
Flavio Amary, presidente do Secovi-SP, destacou a importância do setor imobiliário para a retomada do crescimento da economia. “Em 2009, a indústria imobiliária foi decisiva para contornar a crise, graças à implantação do Minha Casa, Minha Vida, que nasceu neste Sindicato”, afirmou, ao ressaltar que, no cenário de hoje, o setor produtivo também está pronto para dar sua contribuição.  Fonte: Secovi

sexta-feira, 15 de julho de 2016

"Tinder dos imóveis" quer facilitar compra e venda de propriedades

SÃO PAULO - O paulista Felipe Jacinto passou por uma experiência negativa ao tentar vender seu imóvel no ano passado. Na internet, ele percebeu que, mesmo nos sites especializados, era difícil negociar diretamente com os interessados sem a intermediação de corretores e imobiliárias, que apareciam em quase todas as páginas de busca. Então, desenvolveu um aplicativo e, no final de maio, surgiu o App do Imóvel.
A plataforma é inspirada no aplicativo de encontros Tinder e tem visual semelhante. Os interessados na compra de um imóvel podem "curtir" uma propriedade e, caso o vendedor retribua a "curtida", ambos podem entrar em contato via telefone ou e-mail. Também é possível realizar buscas pelo site, mas o layout é diferente do aplicativo para celular.
O App do Imóvel não dá garantias em relação ao imóvel, mas orienta seus usuários a contratar um advogado para ajudar na negociação e verificar os documentos da propriedade.
Já que o aplicativo foi desenvolvido na intenção de evitar as taxas cobradas por intermediários, como corretores e imobiliárias, Jacinto não permite esses players na plataforma. "Tenho uma equipe que faz a checagem e banimos quando um corretor ou imobiliária cadastra imóveis", afirma.
O empreendedor é o único fundador, mas pretende buscar um investimento para ter outro sócio e alavancar o negócio. Neste momento, apenas dois meses após o lançamento, ele ainda não fatura com o site. Não há cobrança de taxa dos interessados na compra nem dos que querem vender uma propriedade.
Segundo Jacinto, apesar da forte resistência que vem encontrando por parte dos corretores, o App do Imóvel atrai, em média, 100 novos usuários por dia. O objetivo do empreendedor, porém, é que 30 mil imóveis sejam cadastrados até o final do ano. No momento estão disponíveis 3.100 propriedades, 80% delas no estado de São Paulo.
Raphael Ferreira

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Conheça o Asian Cobra Tower, o imponente edifício em formato de cobra!

Residente em Mónaco, o empresário e ex-banqueiro, arquiteto russo, Vasily Klyukin afirma que seu trabalho é "predizer o futuro", e suas criações passadas incluíram iates com jatos destacáveis. O designer acredita que sua torre de serpentes provavelmente atrairia desenvolvedores em cidades do Oriente Médio e Ásia, onde serpentes são vistos como um sinal de sabedoria. "No Japão, dizer a alguém que ele é uma cobra significa um elogio. Na China, serpentes e dragões costumam significar o mesmo ", explica Klyukin. Incluído nos projetos para a serpente preto e ouro são luzes mutáveis ​​que correm até a estrutura e um padrão de diamante na parte traseira para refletir Ying e Yang.






quinta-feira, 30 de junho de 2016

IMÓVEL NOVO OU USADO: VANTAGENS E DESVANTAGENS DE CADA UM

A compra da residência própria é uma decisão complexa e se torna cada vez mais difícil de ser feita, devido à grande gama de opções disponíveis, todas com suas vantagens e desvantagens. Se você escolher um imóvel usado ou novo, saiba que cada um possui suas particularidades e, primeiramente, o mais importante a fazer é analisar cada detalhe para definir os pontos positivos e negativos de cada opção.

Sabemos que quando se pensa em casa ou apartamento próprio a imagem de um imóvel na planta é a mais lembrada, afinal, todo mundo quer um espaço novo e bem cuidado. Mas, da mesma forma que algumas pessoas, ao analisarem um imóvel usado e suas condições, acabam se surpreendendo pela qualidade, você também pode sentir o mesmo. E, para ajudá-lo na sua escolha, trouxemos algumas características dos imóveis novos e usados. Conheça as vantagens e desvantagens de cada um!

LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL
Geralmente, por serem mais velhos, a maioria dos imóveis usados possui boa localização na cidade, ocupando bairros disputados e próximos dos melhores tipos de serviços. Resta então aos imóveis novos aquelas áreas mais afastadas dos grandes centros de desenvolvimento, o que pode ser uma desvantagem se você não pretende se locomover por distâncias maiores. Por outro lado, é fato que áreas recentemente ocupadas só tendem a crescer, mas isso pode demorar muito dependendo das suas expectativas. O ideal é que se faça a avaliação adequada de cada tipo de imóvel para não haver arrependimentos.

PERSONALIZAÇÃO E ADEQUAÇÃO
Um imóvel novo tem como uma das maiores vantagens a possibilidade de personalização e adequação dos seus espaços ao gosto do cliente, ao passo de que o imóvel usado já vem praticamente pronto, isso se ainda não precisar de alguma reforma. Um imóvel usado pode até ser adequado aos desejos do comprador, mas isso gera custos e além do mais, certas intervenções não são possíveis dependendo do tipo de estrutura e/ou material existente. Ponto maior para o imóvel na planta quando o assunto é personalização.   

VALOR
A diferença de valor dos dois tipos de imóveis podem variar conforme a região e localização, mas podemos considerar que imóveis usados em geral possuem um preço mais acessível por área construída, já que muitas vezes são vendidos diretamente por pessoa física e não através de construtoras. Sendo assim, a compra de imóveis usados é mais acessível do que para os novos.

ÁREA DISPONÍVEL
Com o crescimento acelerado das cidades, a disponibilidade de espaços para a construção de estabelecimentos fica cada vez mais escassa, aumentando assim os valores dos terrenos. É por isso que ultimamente boa parte dos imóveis novos são projetados com o máximo aproveitamento das áreas, o que os torna, muitas vezes, pequenos ou até apertados.

Por outro lado, as áreas de lazer dos imóveis na planta são quase sempre maiores, então fica a cargo do comprador saber qual tipo de área lhe interessa ser valorizada. Portanto, quando o assunto é área para moradia, o imóvel usado sai ganhando. Outro ponto positivo deste é a existência de um pé direito mais alto, outra característica de um tempo onde se projetava espaços mais amplos.

MANUTENÇÃO
Dependendo da idade do imóvel usado, sua manutenção pode ser frequente ou até dispensável. Prédios e casas com mais de 30 anos podem necessitar de maiores reformas, gerando custos e possíveis incômodos para o morado. Um imóvel novo, por outro lado, pode ser mais confortável pela falta de problemas de instalação e de estrutura, mas não está livre da necessidade de manutenção frequente, que acontece quando não é bem projetado, por isso, avalie e acompanhe as condições em planta e durante a execução.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Cidade poderá ganhar construções maiores próximas a terminais de transporte

A Prefeitura da Cidade de São Paulo permite investir na construção de empreendimentos maiores em áreas próximas a equipamentos do sistema de transporte público, como estações de trem e metrô e terminais de ônibus. A mudança, implementada pela nova Lei de Zoneamento, de março deste ano, vale tanto para as edificações comerciais quanto para as residenciais.
Relator do texto, o vereador Paulo Frange (PTB-SP) explica que a nova possibilidade está no artigo 90 da Lei e engloba não só as áreas próximas aos locais em que operam sistemas de transporte público, mas também os espaços pertencentes ao governo remanescentes de desapropriações relacionadas ao transporte coletivo.
“Da mesma forma que a lei trata do comércio dentro das estações de metrô, a nova legislação trouxe essa possibilidade para as áreas externas próximas, o que, sem dúvida, facilitará o cotidiano dos cidadãos e movimentará a economia”, afirma o parlamentar.
Benefícios
Segundo o Conselho de Desenvolvimento Local da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), para os empresários, a principal vantagem são os potenciais consumidores, seja pela grande movimentação de pessoas em equipamentos de transporte público, seja pelo acesso facilitado que esses locais propiciam.
Já para a população, a medida é importante por possibilitar a diminuição do tempo no deslocamento trabalho-casa-compras e gerar melhor qualidade de vida. A proposta descentraliza a oferta de empregos quando aproxima os postos de trabalho dos meios de locomoção.
Em contrapartida, justamente por essa gama de vantagens, a medida pode ocasionar uma grande procura por esses espaços, tornando-os caros e inacessíveis economicamente para parte da população.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Hotéis com práticas mais sustentáveis podem reduzir custos e atrair clientes

Por Jamille Niero


De olho no consumidor consciente sobre questões ambientais, sociais e econômicas, o setor hoteleiro paulista se prepara para adotar práticas mais sustentáveis. “A sustentabilidade é um fator diferencial para a gestão de qualquer tipo de empreendimento e no hoteleiro é até mais, porque o setor utiliza muito fatores como energia e água, além da relação com as pessoas”, observa Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP).

Para auxiliar esses empreendimentos, a ABIH-SP, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), criou o Selo Verde para certificar quem utiliza práticas sustentáveis. Segundo Omori, o projeto está em fase final de formatação e em breve atenderá os hotéis que desejam a certificação. 

A ideia é oferecer a implementação sem custo aos associados, começando por ações de redução de consumo e a criação de relatórios anuais de sustentabilidade. “É o ponto inicial para o empreendimento gradualmente evoluir e melhorar as três questões [ambiental, social e econômica] para chegar ao final do programa e conseguir o selo”, explica. Segundo Omori, a entidade está trabalhando com o Estado e municípios a possibilidade de leis de incentivo para o setor na compra de materiais sustentáveis e também para a captação de financiamentos para reformas e adequações. 

Sobre o custo para obter a certificação, o presidente da ABIH-SP destaca que será o menor possível. “Neste momento, será apenas na auditoria final, pois este valor é tabelado pela ABNT, e inclui a visita do auditor e a emissão do certificado. O processo que antecede, não terá custo porque queremos que os hotéis sejam mais sustentáveis”.

O que pode gerar despesa é a adequação do local e a adoção das medidas necessárias, dependendo de cada caso. Por exemplo: se no estabelecimento há apenas chuveiros elétricos nas acomodações, a recomendação é que eles sejam trocados por sistema mais eficiente de aquecimento da água – com o uso de um “boiler” a cada 10 apartamentos. Outras medidas incluem a instalação de redutor de vazão nas torneiras e sistema de captação de água pluvial, além de programas de reciclagem, economia de água e energia, etc. 

Na análise da professora do curso de Hotelaria da Universidade Anhembi Morumbi, Maria Angela Cabianca, as certificações têm viabilizado para o hóspede o acesso à informação mais confiável sobre a respon¬sabilidade socioambiental dos empreendimentos, buscando tornar transparentes os processos pelos quais tentam produzir transformações positivas dentro de suas operações. 

Ela aponta que a hotelaria incorporou a ideia de sustentabilidade em seus negócios porque percebeu esta demanda da sociedade. “Os hotéis que se engajam no compromisso com a qualidade ambiental destacam-se em um mercado que possui um consumidor informado e exigente”. 

Por outro lado, o controle das atividades causadoras de impactos ambientais requer investimentos. “Há práticas que garantem redução do consumo de água e energia que não implicam em custos tão elevados, como algumas campanhas para o uso mais racional destes recursos. Já a aquisição de equipamentos que promovem estes benefícios significa outro nível de investimentos”, diz. Segundo Maria Angela, implantar um sistema de gestão ambiental e o processo para obtenção e renovação da certificação são importantes para o empreendimento que deseja estabelecer esta imagem no mercado, mas implicam em despesas grandes ao negócio.

Medidas simples para quem quer começar 

Em tempos de crise, fica mais difícil para o empresário investir no que não é extremamente essencial para o funcionamento do negócio. Por este motivo, quem não tem caixa para instalar sistemas e equipamentos mais sofisticados no momento pode adotar medidas simples, mas que já ajudam na economia. 

A assessora do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Cristiane Cortez, destaca como ação positiva a opção que alguns hotéis dão ao hospede de não lavar as toalhas e roupa de cama diariamente, mas com uma frequência mais espaçada, visando economizar recursos naturais como a água. 

Outra medida simples é disponibilizar recipientes diferentes para descarte de lixo orgânico e seco. “Seria oportunidade para o hotel gastar menos, usar menos os recursos da natureza, e também uma forma de educar o viajante. A pessoa pode se dar conta de fazer o mesmo em casa”, diz. 

“O consumo consciente de matérias primas, envolvimento de hóspedes e funcionários nos cuidados com a natureza e com a sociedade são, basicamente, ações de cidadania que podem contribuir significativamente para a melhoria do entorno do hotel e, em um contexto mais amplo, para os problemas ambientais globais”, reforça Maria Angela, da Universidade Anhembi Morumbi. 

Decididas as ações, o hotel só não pode esquecer de comunicar ao hóspede, com muita clareza, todas as ações realizadas nesse sentindo e treinar a equipe para que possa orientar o turista da melhor forma possível.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Minha Casa, Minha Vida deu certo? Veja pontos positivos e negativos

Programa habitacional criado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Minha Casa, Minha Vida virou motivo de polêmicas quando o presidente interino, Michel Temer (PMDB), assumiu o governo. Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) chegaram a ocupar o saguão do prédio da Secretaria da Presidência da República, na avenida Paulista, em São Paulo, para exigir que o novo ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), voltasse atrás da decisão de revogar portaria do governo Dilma Rousseff (PT) que autorizava a contratação da construção novas unidades.

A portaria determinou a construção de até 11.250 unidades destinadas à faixa mais baixa de renda – de até R$ 1.800 por mês. Elas fazem parte da modalidade Entidades, em que associações e cooperativas administram a obra.
Lançado em 2009, o Minha Casa é o maior programa habitacional do país nos últimos 30 anos. A terceira fase pode fazê-lo superar os números do BNH (Banco Nacional da Habitação), criado durante a ditadura.

O Minha Casa foi concebido para dinamizar a construção civil brasileira e combater os efeitos da crise econômica internacional iniciada em 2008. Também se tornou um instrumento para reduzir o deficit habitacional do país, mas não escapa de críticas de pesquisadores que estudam seus empreendimentos.

Lançado em 2015 pela editora Letra Capital, o livro "Minha Casa... E a Minha Cidade?" é considerado um dos principais estudos sobre o programa. A publicação foi organizada por Caio Santo Amore, Lúcia Zanin Shimbo e Maria Beatriz Cruz Rufino, professores de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), e é resultado das pesquisas da Rede Cidade e Moradia, com equipes de seis universidades públicas, uma universidade particular e duas organizações não-governamentais. A obra avalia projetos da primeira fase do Minha Casa em seis Estados. 

"De maneira geral, os altos índices de satisfação com a propriedade privada e regular da moradia, contrastam com percepções de piora no acesso aos transportes, comércios e serviços e relatos sobre o medo das mães de exporem suas crianças ao convívio social nos espaços coletivos do condomínio", comenta Maria Beatriz Cruz Rufino, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), na publicação.

Questionado se leva em consideração as observações feitas pelos pesquisadores que produziram o livro, o Ministério das Cidades respondeu apenas que "segue a legislação do Minha Casa, Minha Vida".

Com base no livro e em números do Ministério das Cidades, da Fundação João Pinheiro e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o UOLlevantou aspectos positivos e negativos do programa. Confira abaixo:

PONTOS POSITIVOS

Tamanho e velocidade do programa
Lançado em 2009, o programa contratou 4,2 milhões de unidades habitacionais até dia 30 de abril de 2016, de acordo com o Ministério das Cidades. Desse total, foram entregues 2,7 milhões de moradias. Ainda segundo a pasta, o total de investimentos em sete anos já passou de R$ 300 bilhões.

Esses números fazem do Minha Casa, Minha Vida o maior programa habitacional do país nos últimos 30 anos e o deixam perto de alcançar e superar a produção do sistema gerido pelo antigo BNH (Banco Nacional da Habitação), criado pela ditadura militar. O BNH financiou 4,5 milhões de moradias, mas só chegou a essa marca com 22 anos de existência.

Segundo Lúcia Shimbo, professora do IAU-USP (Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – campus São Carlos), parte das construtoras que atua no programa passou a contar com mão de obra própria, o que agilizou a produção. Outras empresas continuaram com operários terceirizados por empreitada.
Redução do deficit habitacional

De acordo com a Fundação João Pinheiro, o Brasil tinha um deficit habitacional de praticamente 6 milhões de unidades em 2009. Em seu estudo mais recente sobre o tema, apontou que o deficit era de 5,8 milhões de moradias em 2013. Ou seja, a carência de unidades habitacionais caiu 2,5% em quatro anos. No mesmo período, a população brasileira cresceu 3,9%.

Um estudo da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado no começo deste ano também apontou uma diminuição do déficit entre 2010 e 2014 e destacou a importância do Minha Casa, Minha Vida para essa redução.

Estudos de pesquisadores que elaboraram o livro "Minha Casa... E a Minha Cidade?" indicam, porém, que o programa não vem atuando com eficácia no combate ao deficit porque a oferta de imóveis nem sempre atende a população mais carente, seja pela localização ou pelo preço das unidades construídas. Além disso, os pesquisadores afirmam que a construção de casas não deveria ser o único instrumento para diminuir o deficit.

Subsídio
Um dos principais méritos do Minha Casa, Minha Vida é resolver um problema histórico e de difícil solução para os programas habitacionais. Ele consegue dar à população mais pobre o acesso ao imóvel próprio. A faixa 1 de financiamento, que atende os mais pobres, permite a participação de famílias com renda mensal bruta de até R$ 1.800.

Nessa faixa, até 90% do valor do imóvel pode ser subsidiado pelo governo. O valor que cabe ao beneficiário tem de ser pago em até 120 prestações mensais de no máximo R$ 270 sem a cobrança de juros. Na modalidade Entidades, as famílias podem se organizar em associações ou cooperativas para construir as unidades habitacionais.

Os financiamentos do programa, feitos via Caixa Econômica Federal, são sustentados por recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). "Pela primeira vez na política brasileira, se destinou tanto recurso orçamentário para subsidiar famílias para adquirirem a casa própria", afirmou ao UOL a professora Lúcia Shimbo.

PONTOS NEGATIVOS

Localização dos terrenos
A Caixa Econômica e as construtoras são as protagonistas do Minha Casa, Minha Vida. "A instituição financeira [Caixa], por um lado, e as empresas, por outro lado, ganham centralidade em detrimento dos órgãos e instituições responsáveis pelas políticas urbanas e habitacionais", observa Maria Beatriz Cruz Rufino no livro "Minha Casa... E a Minha Cidade?".

Muitas vezes, são as próprias construtoras que decidem a localização do empreendimento. Orientadas pela lógica financeira, elas constroem em terras baratas situadas em locais periféricos e até em antigas áreas rurais, acessíveis por via única -- às vezes, inclusive, somente por rodovia --, criando "frentes pioneiras" de urbanização. Em muitos desses casos, as moradias ficam distantes de equipamentos que oferecem serviços essenciais como educação e saúde, de sistemas de transporte e de locais de empregos.

Ou seja, a produção habitacional nem sempre é feita de forma integrada à cidade. Isso resulta em uma série de dificuldades para os moradores, que passam a ter de gastar mais tempo e dinheiro nos deslocamentos, e para o poder público, que precisa estender a estrutura de seus serviços. Nos casos em que as prefeituras participam da escolha do terreno, os problemas citados acima tendem a ser minimizados.
Padronização das construções

O Minha Casa, Minha Vida repete alguns defeitos dos conjuntos construídos nos tempos do BNH. Há, por exemplo, uma padronização de projetos de casas e prédios construídos. O padrão é uma unidade com dois quartos, o que dificulta o atendimento de famílias maiores. Com a padronização, as construtoras podem potencializar seus lucros.

Os pesquisadores também observam que as áreas públicas são pouco valorizadas nos projetos dos condomínios. "Os espaços não construídos são efetivamente "o que sobrou", são os espaços entre os blocos, destinados à consolidação do sistema viário e de estacionamentos, numa clara valorização do carro em detrimento dos espaços de socialização", aponta Maria Beatriz no livro.

Além disso, a grande maioria dos conjuntos é destinada somente ao uso residencial, sem espaço para comércio e serviços. Isso, segundo a professora da USP, "fez emergir em numerosas situações um setor terciário informal no entorno dos empreendimentos ou improvisados nas próprias unidades, com vistas a oferecer produtos básicos aos moradores, ao mesmo tempo que se consolida como alternativa de geração de renda e sobrevivência sob um grau de absoluta precariedade".

"O predomínio da forma condomínio, a precariedade dos espaços coletivos e a ausência de espaços públicos que estimulem a integração e sociabilidade nos empreendimentos e com a vizinhança reforçam ainda mais uma urbanização privatizada que tende a exacerbar a segregação e guetificação [segregação] dos mais pobres na cidade", prossegue a pesquisadora.

Neste aspecto, a modalidade Entidades, que permite a participação dos moradores na definição do projeto, apresenta vantagens em relação ao modelo tradicional.

Dificuldade para se sustentar
Beneficiários de renda mais baixa têm dificuldade para se sustentar depois da mudança para o imóvel próprio. O acesso ao financiamento e a posse da moradia não são suficientes para estabilizar sua situação financeira. A nova vida também traz novos gastos. Quem vem de assentamentos informais passa a ter de arcar com contas decorrentes da formalização, como as taxas de água e luz.

Quem passa a morar em um conjunto também passa a arcar com uma conta nova: a do condomínio. "Em vários empreendimentos investigados constatou-se que a taxa de condomínio representa valores superiores ao pagamento da parcela da moradia que, como já referido, foi amplamente subsidiada", destaca Maria Beatriz em "Minha Casa... E a Minha Cidade?".

Segundo a pesquisadora, a investigação de casos particulares mostrou que a população proveniente de antigas áreas de risco é a que mais enfrenta dificuldades "de arcar com os custos relacionados à moradia formal e ao condomínio, passando em vários casos a ser estigmatizada pelos demais moradores dos novos conjuntos".

Essas dificuldades levam ao abandono ou venda de moradias e complicam a situação financeira do condomínio. "As consequências desse processo de endividamento podem ser vistas tanto na insustentabilidade da gestão de alguns dos condomínios como na dificuldade de permanência das famílias mais vulneráveis na nova moradia (...) A análise preliminar dos questionários revela ainda a maior frequência de vendas irregulares de unidades entre essas famílias mais vulneráveis."

Cadastros sem transparência e ação do tráfico
Segundo a professora da USP, os pesquisadores encontraram dificuldades para conferir os cadastros de beneficiários do programa montados pelas prefeituras. "Com relação ao processo de definição da demanda foram evidenciadas, em diversas situações, a falta de transparência na construção dos cadastros e nos processos de sorteios e a demora na entrega da lista dos beneficiários para a Caixa. Tais problemas tendem a dificultar a execução do trabalho social e a facilitar a ação do tráfico e de milícias, que passaram a controlar vários empreendimentos", afirma no livro.

"Pode-se dizer, de maneira geral, que a atuação dos municípios foi pouco efetiva na realização do trabalho social e da fiscalização após a entrega das chaves."

De acordo com os pesquisadores, o tráfico e a milícia, ao dominar determinados conjuntos do Minha Casa, também se beneficiam de dois fatores listados acima: a localização periférica dos condomínios e a vulnerabilidade socioeconômica dos moradores.


Fonte: Wellington Ramalhoso, do UOL, em São Paulo

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Com ousadia, o QuintoAndar quer abocanhar uma parte do tradicional mercado das imobiliárias

Com ousadia, o QuintoAndar quer abocanhar uma parte do tradicional mercado das imobiliárias
Alugar um imóvel é um perrengue, por definição. Não bastasse a dificuldade natural de se encontrar um lugar que atenda o que você precisa e caiba no seu bolso, há também a burocracia… É um tal de conseguir um fiador com um imóvel na cidade, juntar uma série de documentos dele, juntar uma série de outros documentos seus, ir ao cartório, ratificar assinaturas, enfim, coisas que tornam a experiência uma penúria. Há tempos a internet já dá uma forcinha, com uma oferta enorme de sites que mostram apartamentos por bairro, características e preço, mas a barreira da papelada segue imutável. E se tudo pudesse ser bem mais simples e rápido? Com um modelo ousado de negócio, totalmente online, o QuintoAndar está crescendo ao facilitar a vida de muita gente eliminando, por exemplo, a necessidade fiador.

É o jeito que os sócios encontraram para, seguindo uma cartilha relativamente comum no mundo do empreendedorismo, resolver o próprio problema enquanto criavam uma empresa que viabilizava isso em escala para o mercado. O mineiro Gabriel Braga, 34, sofreu na pele todos os problemas clássicos quando tentava alugar um apartamento em São Paulo, logo após sair de Belo Horizonte. Ele não tinha fiador. Já André Penha, 36, que viria a ser o seu sócio, não conseguia alugar um apartamento que tinha em Campinas, que estava encalhado há meses, porque os inquilinos também se perdiam na burocracia.

Gabriel conta sobre o embrião da empresa: “A gente tinha uma motivação genuína em resolver o problema, que era nosso e de muita gente. Todas as nossas experiências pessoais com locação de imóveis foram frustradas, e as dos nossos amigos também. Aí pensamos: ‘Vamos resolver esse problema de verdade’”. Ele diz que criar a empresa foi uma consequência disso e acredita que, mesmo com as dificuldades enfrentadas (pois não basta uma boa ideia para algo dar certo), foi justamente a lembrança de que o problema persistia, sem solução, no mercado, que os fez insistir até encontrar a melhor forma de resolvê-lo:

“É muito fácil um negócio fazer sentido no PowerPoint, no Excel. Aí, você passa três meses na rua e nada acontece. O que nos fez continuar foi a crença de que tínhamos que resolver aquele problema”

Gabriel e André se conheceram quando foram colegas de curso na Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Eles maturaram o projeto lá mesmo e, para tanto, tiveram o apoio de professores e de experts da área. Uma ajuda que foi muito útil, como contam, pois desde a formatação da empresa eles encontraram pelo caminho pessoas dispostas a investir no projeto, caso ele andasse.

COMO DISRUPTAR O NEGÓCIO DAS IMOBILIÁRIAS

O QuintoAndar trabalha apenas com apartamentos (atualmente há cerca de 1 700 unidades disponíveis em São Paulo), expostos no site, que tem um funcionamento simples e alguns detalhes que acabam fazendo a diferença. Por exemplo: as fotos dos imóveis são todas tiradas por um fotógrafo profissional, um serviço exclusivo do QuintoAndar, que sai de graça para o dono do apartamento.
Escolhido o imóvel, você pode agendar a visita pela internet e receberá online as opções de horários. Caso o interessado queira negociar o valor ou fazer uma contraproposta, ele pode tratar disso diretamente com o proprietário, sem depender do corretor de imóvel. “Para os proprietários não ficarem no escuro, sem saber se o corretor levou determinada proposta ao interessado ou não, a gente criou esse mecanismo, que deixa a negociação muito transparente”, diz Gabriel.

Visto e aprovado, é hora de fechar negócio. Hora do QuintoAndar mostrar a que veio — e reduzir a burocracia ao mínimo. Para alugar, o cliente precisa ter uma renda igual ou superior a 3,4 vezes o valor do aluguel. Aqui entra detalhe ousado: vale juntar a renda de pessoas próximas para chegar ao valor desejado. Por exemplo, se uma garota que é estagiária e ganha 1 000 reais por mês, mas quer alugar o apartamento de 1 600 reais, a renda de seus pais pode entrar no processo para fechar a conta. A documentação é enviada via e-mail para a empresa, que aprova ou não os dados.

Outro detalhe — e talvez o principal diferencial do QuintoAndar — é que inexiste a necessidade de fiador, já que a empresa arca com o custo de um seguro-fiança, que é grátis para quem aluga. Nas imobiliárias tradicionais, a praxe é quem aluga o imóvel ser responsável pelo seguro, que é usado como garantia. Inverter essa lógica parece um suicídio empresarial, não? “Tem dado certo”, os sócios afirmam.

Aprovado o cadastro e acertado o valor, o futuro morador recebe online o contrato e, em vez de ter que ir pessoalmente a um cartório, pode utilizar a assinatura virtual para fechar o negócio. Uma área específica do site explica o funcionamento de todas essas etapas, tanto para proprietários como para corretores e inquilinos. O processo todo costuma durar, dizem os sócios, de dois a quatro dias, enquanto numa imobiliária tradicional esses trâmites podem levar de 20 a 30 dias.

O faturamento do QuintoAndar é gerado da seguinte forma: para anunciar e ter o seu imóvel administrado pela empresa, o proprietário paga uma comissão de 8% em cima do valor do aluguel e, fechada a locação, o primeiro aluguel fica para a empresa.

OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO

Vendo assim, como a empresa está estruturada hoje, parece tudo lindo, mas até chegar ao atual modelo André e Gabriel tiveram uma série de obstáculos, tanto na hora de convencer as pessoas de que o projeto era viável, quanto para conseguir chegar no formato que ele está atualmente.

Convencer as respectivas mulheres de que queriam voltar ao Brasil para abrir a startup não foi tão difícil. No final de 2012 já estavam por aqui, em Campinas, que fica a 100 km da capital paulista. O desafio seguinte foi conversar com os investidores-anjo, aqueles que tinham acenado positivamente para a ideia lá em Stanford, para dar encaminhamento ao projeto. A duras penas, ele conseguiriam levantar 300 mil dólares de investimento inicial.

O QuintoAndar começou com uma pequena sala em Campinas, com uma equipe de quatro pessoas. O site entrou no ar seis meses depois. Durante este tempo, André e Gabriel reduziram o custo de vida e tiravam apenas uma ajuda de custo, que afirmam ser algo bem longe de um salário. Era hora de buscar fundos para o crescimento da empresa. André conta:

“Ao saber que o seguro-fiança era grátis, as pessoas riam e falavam: ‘Tá bom, daqui seis meses se vocês ainda estiverem no mercado a gente conversa’”

Os investidores não apareciam, o negócio não decolava. Isso os obrigou a dar um passo atrás e começar a operação do QuintoAndar sem o diferencial do seguro-fiança grátis. Eles acordaram que iriam implementar a medida depois. Aceitaram, então, entrar no jogo usando as garantias normais do mercado tradicional: fiador, seguro, renda 3 vezes o valor do aluguel. Provaram o que já sabiam que não iriam gostar: “Era um inferno! Um caso era fiador, contrato e demorava de 20 a 30 dias para gente conseguir fechar o aluguel”, conta Gabriel.

UMA SÉRIE DE AS IDAS E VINDAS ATÉ ACERTAR O TOM

O sonho era bacana, ousado, poderia dar super certo, mas a realidade exigiu deles uma espécie de purgatório antes de conseguir colocar em prática o que haviam planejado. Foram dois anos de muita disciplina, resolvendo os problemas mais urgentes da jovem empresa. De acordo com André, eles viam o que estava “gritando” mais, para ir fazendo as coisas, uma de cada vez.

Durante esse período, o site do QuintoAndar também abria espaço para que imobiliárias e locadores anunciassem seus imóveis, o que ajudava o negócio a ganhar corpo e visibilidade, mas desviava a principal receita desse business, que é a taxa de administração cobrada dos proprietários. Como André e Gabriel já estavam há dois anos querendo implementar o tal do seguro-fiança e não conseguiam, resolveram dar mais um passo atrás. Decidiram que era a hora deles mesmos administrarem os imóveis anunciados — quem não quisesse continuar ali, estava livre para ir embora.

“Não dava certo a gente não administrar o imóvel, porque o usuário entrava no site, alugava com a gente, mas de repente quem administra o imóvel é uma administradora que não é muito legal e aí, a experiência do locatário vai embora. Decidimos diminuir os clientes do QuintoAndar para poder crescer. Isso é contra intuitivo”, conta André. E complementa seu raciocínio:

“Uma das coisas mais difíceis de empreender não é decidir o que fazer. É decidir o que não fazer”

Resiliência, confiança e uma pitada de coragem. O passo atrás acabou provando que a intuição dos dois estava certa. A empresa voltou a crescer e, agora, está prestes a se despedir do escritório que esta repórter visitou próximo a Avenida Paulista, em São Paulo, para um espaço maior. Hoje a empresa tem 70 funcionários, a maioria deles trabalhando com tecnologia e produtos, na capital paulista, e mais 30 pessoas no escritório em Campinas.

PARA ONDE CRESCER

Os sócios contam que, para o proprietário, o processo de colocar um imóvel no ar demora 48 horas, às vezes, um pouquinho mais. Já a saída de um imóvel vai variar de acordo com a região em que ele está, se ele está perto do metrô, o valor do aluguel, como acontece em outras imobiliárias. Foi este um dos motivos deles terem optado por não trabalhar em alguns bairros da capital paulista, como o Morumbi (que tem apartamentos muito grandes e com valores altos, que demoram para sair). “A gente ainda não encontrou a fórmula para alugá-los”, diz André. Como comparação, ele conta que o imóvel que deixou em Campinas, quando se mudou para São Paulo, foi alugado em apenas uma semana. Até por conta desse tipo de problema, estava nos planos do QuintoAndar desenvolver uma ferramenta para ajudar os locadores a precificar o imóvel, e isso já começou a acontecer.

Os planos de expansão da startup são ambiciosos: não só chegar a todos os bairros de São Paulo e Campinas, mas também romper as fronteiras do estado. Também está nessa lista o aumento da área de tecnologia da empresa, e para isso, eles irão contratar de mais gente. “A nossa vantagem é que temos uma estrutura enxuta e é mais fácil expandir”, diz André. “É um misto de expansão tecnológica e geográfica. Tem muita gente perguntando quando vamos atender a Zona Norte, quando vamos para Porto Alegre.”


Fonte: Alessandra Braz