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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Caixa fecha cerco a inadimplentes do Minha Casa e imóveis serão retomados

O governo federal decidiu retomar os imóveis dos beneficiários mais carentes do programa Minha Casa Minha Vida que estão inadimplentes há mais de três meses. A Caixa Econômica Federal apertou a cobrança das prestações que estão atrasadas. Passou a ligar e a enviar SMS para os beneficiários logo após os primeiros dias de vencimento.

A mudança de postura em relação aos calotes da chamada faixa 1 do programa – famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil – se deve a dois fatores: o agravamento da crise, que não permite ao governo ser leniente com a inadimplência em momento de frustração de recursos, e o temor da fiscalização dos órgãos de controle, já que até 95% desses imóveis são bancados com dinheiro público.

A inadimplência do faixa 1 fechou o primeiro semestre deste ano em 22%, dez vezes superior aos atrasos dos financiamentos imobiliários tradicionais. O nível é também destoante das operações das outras duas faixas de renda do Minha Casa: a parcela de atrasos acima de 90 dias nessas faixas está por volta de 2%. Os dados foram repassados pelo Ministério das Cidades. Segundo o governo, um quarto dos contratos do MCMV faixa 1 está há mais de 90 dias em atraso. De acordo com as regras do programa, as prestações para as famílias da faixa 1 não podem ultrapassar 5% da renda do beneficiário, com valor mínimo de R$ 25 pagos pelo período de dez anos.

O primeiro passo para retomar os imóveis dessas famílias foi dado no fim do ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Ela modificou uma lei para determinar que os imóveis tomados devem ter um tratamento diferenciado. Em vez levar a leilão, como costuma acontecer nos financiamentos imobiliários, a Caixa tem de reincluir o imóvel no programa, para ser direcionado a outro beneficiário que está na lista de espera do Minha Casa.

A alteração na lei evita que o imóvel retomado seja comprado por uma família com renda superior à dos beneficiários do programa, o que seria uma desvirtuação do programa. Essas casas ou apartamentos têm um tratamento tributário diferenciado, ou seja, são construídos com menos impostos.

Na época, o Ministério das Cidades informou que o programa não tinha objetivo de retomar os imóveis no caso de inadimplência, mas ajudar as famílias a superar as dificuldades financeiras e colocar as prestações em dia. Ressaltou o fato de que a faixa 1 do Minha Casa não era um financiamento como outro qualquer, mas uma política social para reduzir o déficit habitacional.

O discurso, porém, mudou. O Ministério das Cidades informou agora que adotará o que diz a lei para os casos de inadimplência, ou seja, entregar o imóvel para outra família. “Hoje, o Ministério das Cidades e o agente operador do programa estão discutindo a forma de implementação da lei”, informou.

“Tolerar a inadimplência como ocorreu até pouco tempo é inadmissível. O imóvel é bancado com dinheiro da sociedade. Não consigo entender por que não tomaram essa decisão antes”, diz Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, o sindicato de empresas do setor em São Paulo. Ele considera que as condições são “exageradamente favoráveis” para o calote e que falta uma qualificação mais precisa das condições financeiras das famílias.

Para Lauro Gonzalez, coordenador do centro de estudos de microfinanças e inclusão financeira da FGV, parte considerável dos beneficiários do programa poderia pagar uma prestação superior à de 5% da renda. Ele defende que o caminho seria uma espécie de microcrédito orientado para essas famílias, com análise do potencial de pagamento de cada uma. “Isso diminuiria a inadimplência e o subsídio empregado no programa”, diz.

domingo, 13 de setembro de 2015

Mais baratos, imóveis sem garagem já são 25% do total


A região central de São Paulo tem vocação para a vida sem carro -e isso já se reflete nos novos empreendimentos residenciais em oferta na área. Segundo levantamento da consultoria imobiliária Geoimóvel, 25% desses novos condomínios já vêm sem vaga de garagem.

Além da facilidade de interligação com todas as regiões da cidade por metrô, ônibus e trens, os lançamentos no centro foram afetados pelo Plano Diretor, que incentiva a construção de edifícios com no máximo uma garagem por unidade e o uso misto, com comércio e serviços no térreo, perto do transporte público.

Outro atrativo é o preço: uma vaga de garagem pode acrescentar até R$ 60 mil no valor final de uma unidade, segundo estimativa da incorporadora Setin. Tanto que alguns dos imóveis mais baratos disponíveis na região não têm vagas, como o Setin Downtown São Luis, que custa a partir de R$ 274 mil.

Segundo João Mendes, diretor comercial da incorporadora, a aposta nos edifícios sem garagem não foi às cegas. "Começamos a lançar esses empreendimentos há cinco anos e fomos percebendo a cada novo lançamento que o mais demandado era o apartamento compacto sem garagem. Hoje, alguns deles têm só 15% das unidades com vagas", conta.

A demanda vem de pessoas como o publicitário Eduardo Nasi. Ele se mudou de Porto Alegre para São Paulo há dez anos para trabalhar em uma agência no Brooklin (zona sul). Em um primeiro momento, decidiu viver perto do emprego, já que não gosta de dirigir.

"Mas eu preferia o centro. No ano passado, decidi me mudar, ir de ônibus até o trabalho, mas ter os serviços todos à mão", conta Nasi. Ele encontrou o apartamento que buscava em frente à praça Roosevelt. "Moro em um andar alto e o barulho do trânsito não me incomoda."

É o mesmo caso da dona de casa Sheila Baray, 45, casada, mãe de dois filhos adolescentes, que mora no bairro Campos Elíseos, sem carro. "A escola dos meus filhos fica quase em frente da nossa casa. Tem metrô, supermercado, padaria, tudo por perto", resume.

FACILIDADES

Saem as garagens, entram outras facilidades. Em um prédio da incorporadora BKO, por exemplo, que lançou dois de seus quatro empreendimentos no centro sem opção de garagem, cinco bicicletas elétricas vão ficar à disposição dos futuros moradores. Um apartamento de 20 m² no empreendimento custa a partir de R$ 207,5 mil.

Outro edifício da construtora, no largo do Arouche, a ser lançado nos próximos meses, também não tem garagem e vai adotar o uso misto, com comércio e residência em um mesmo empreendimento, também motivado pelo atual Plano Diretor.

No prédio haverá um estacionamento particular, para quem precisar guardar o carro, e um café no piso inferior.

Fonte: Ismael Pfeifer, Folha de São Paulo


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vagas de garagem de um condomínio podem ser locadas para terceiros?

Em muitos empreendimentos, especialmente os comerciais, a rotatividade dos usuários favorece a locação das vagas para terceiros, como por exemplo a implantação de um estacionamento rotativo.

Normalmente as empresas de parking destinam 25% a 30% das vagas do condomínio para o rotativo, entretanto existe sempre o questionamento se os proprietários podem locar as vagas para pessoas estranhas. Então, pode-se locar ou não?

De acordo com a Lei 12.607/12 que alterou o artigo 1331, do Código Civil, se o dono da sala tiver o direito legítimo sobre a vaga de garagem, uma vez que algumas unidades possuem somente o direito ao uso do espaço de estacionamento, e a convenção do condomínio conceder autorização expressa para a sua implantação, a locação para terceiros poderá ser implantada, inclusive para empreendimentos residenciais.

Veja o artigo abaixo:

“Art. 1.331 – Pode haver, em edificações, partes que são propriedade exclusiva, e partes que são propriedade comum dos condôminos. § 1o  As partes suscetíveis de utilização independente, tais como apartamentos, escritórios, salas, lojas e sobrelojas, com as respectivas frações ideais no solo e nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas livremente por seus proprietários, exceto os abrigos para veículos, que não poderão ser alienados ou alugados a pessoas estranhas ao condomínio, salvo autorização expressa na convenção de condomínio. (red. Lei nº 12.607, de 04 de abril de 2012)”.

O retorno da locação pertence aos proprietários das vagas e deverá ser realizado através de rateio conforme percentual da fração ideal das unidades. Caso os proprietários concordem o retorno poderá ficar em prol do condomínio para futuras benfeitorias e manutenção, porém para tal será necessário autorização expressa do mesmo.

Fonte: Resumo Imobiliário

sábado, 18 de julho de 2015

Grupo Pão de Açúcar aporta R$ 100 milhões na rede Extra em 2015

Os últimos oito meses, período em que o francês Laurent Cadillat instalou-se no Brasil, foram bastante produtivos para o executivo que atua há 23 anos no grupo Casino e que veio ao país para assumir a posição de diretor executivo da rede Extra. Trata-se de um negócio que corresponde a aproximadamente 25% do faturamento do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e é composto por 584 pontos de vendas, 137 hipermercados, 206 supermercados, 158 drogarias e 83 postos de combustível.
Em seu mais de 1 milhão de metros quadrados espalhados por cerca de 100 cidades de 17 estados brasileiros são feitas um total de 180 milhões de compras por ano (somatória dos tíquetes emitidos nos check-outs durante o ano). Geograficamente, metade da vendas dessa bandeira concentra-se no estado de São Paulo.
No momento em que o mundo discute o futuro do hipermercado, chegando a prever até sua morte, o GPA está aportando R$ 100 mi­lhões na bandeira Extra em 2015, valor usado, dentre outras ações, na reforma e modernização das lojas de grande porte, com tamanho médio de 5 mil a 6 mil metros quadrados. Há, ainda, unidades como a do Extra Morumbi, o maior hipermercado do país, com 14.000 metros quadrados, 80 mil itens à venda, 1,5 mil vagas de estacionamento e 52 caixas. Toda essa estrutura funciona 24 horas por dia.

terça-feira, 7 de julho de 2015

‘Minha Casa Minha Vida’ ganha terceira etapa com nova faixa de renda; entenda

A terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, prevista para ser lançada no segundo semestre, deverá facilitar a vida de famílias com renda entre R$ 1,2 mil e R$ 2,4 mil. A secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, afirmou que será criada a Faixa 1- FGTS, na qual a família interessada poderá comprometer até 27,5% de sua renda com o financiamento da casa própria.

Nesta nova modalidade, a contrapartida dos governos estadual ou municipal ou da poupança será de 20% do valor do imóvel. “Se uma família com renda mensal de R$ 1,6 mil comprar um imóvel de R$ 135 mil, por exemplo, necessitará de um subsídio de R$ 45 mil”, disse.


Atualmente, o Minha Casa Minha Vida tem três faixas de renda. Na primeira, para famílias que recebem até R$ 1,6 mil, o subsídio pode chegar a R$ 95% do valor do imóvel. Na segunda (até R$ 3.275 mensais), esse subsídio tem um teto de R$ 25 mil.

O ajuste se explica pela forte demanda na faixa 1, que acaba concentrando as contratações em famílias que recebem entre R$ 800 e R$ 900. Na prática, a nova faixa intermediária reduzirá as prestações destas famílias.
O governo também estuda adotar uma agenda sustentável para o programa. Algumas das medidas são ampliar a eficiência enérgica, reduzir o consumo de água e criar um sistema integrado de cadastramento de beneficiários. “Esse sistema traria transparência para os municípios”, observou Inês Magalhães no evento em Campinas (SP).

Financiamento

O vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Teotônio Rezende, disse que, apesar da atual conjuntura econômica, as famílias brasileiras continuam procurando casas para comprar. Prova disso é que seis milhões de pessoas fizeram simulação de financiamentos imobiliários no site da Caixa apenas no mês de maio, sendo 40% para imóveis do Minha Casa Minha Vida.

“Notamos que as simulações de financiamento foram feitas para unidades de até R$ 150 mil reais e por famílias com idade entre 25 e 35 anos”, disse Rezende, lembrando que o banco reponde por 68% do crédito imobiliário do país. “[A Caixa] não trabalha com redução de investimento em habitação de interesse social”, acrescentou.

Anunciada pela presidenta Dilma Rousseff em julho do ano passado, a meta da terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida é construir mais de 3 milhões de unidades até 2018. Trata-se de um número expressivo se comparado às 3,75 milhões de moradias contratadas desde a criação do programa em 2009.


Essa etapa consta de uma série de medidas do governo federal para retomada do crescimento da economia. Em junho, foram anunciados o Programa de Investimento em Logística (PIl) e o Plano Nacional de Exportações (PNE).

domingo, 28 de junho de 2015

Cidade na Sicília está distribuindo casas de graça

Uma cidade na região da Sicília, Itália, está oferecendo uma proposta difícil de ser recusada: casas de graça ou por preços simbólicos. Muitas propriedades do pequeno município de Gangi foram abandonadas há gerações e, para reabitar a cidadezinha que começou a perder moradores no final do século XIX, o governo local decidiu agir como um corretor de imóveis.

As casas oferecidas na pitoresca cidade localizada nas montanhas de Madonie devem ser restauradas e tornadas habitáveis em até quatro anos pelos novos donos. A oferta já atraiu dezenas de compradores interessados em casas de verão e o renascimento do turismo local trouxe novas oportunidades aos construtores e comerciantes da região.

“Para a nossa mentalidade siciliana, Gangi sempre foi considerada uma cidade muito longe do mar” para ser atrativa para os turistas, afirmou Giuseppe Farrarello, prefeito da cidade, ao jornal The New York Times. A iniciativa de habitação, disse ele, “coloca em movimento o mecanismo que era impensável anteriormente para uma cidade no centro da Sicília” onde cidades encolheram diante das diminutas perspectivas econômicas da região.

Gangi tinha uma população de aproximadamente 16.000 pessoas em 1950, afirmou o prefeito. Atualmente, o número gira em torno de 7.000 habitantes. As ondas de emigração começaram no final do século XIX, movidas pelas baixas perspectivas econômicas e pelo sonho de uma vida melhor na América, afirma Marcello Sarja, diretor de um museu de imigração na Sicília.

Na década de 1890, segundo os registros da Ilha Ellis, a principal entrada de imigrantes nos Estados Unidos, 1.700 moradores de Gangi desembarcaram em Nova York entre 1892 e 1924. Entre os anos de 1930 e 1940, a Argentina acabou se tornando o destino preferido.

Muitas famílias deixaram para trás as casas típicas da cidade, conhecidas como pagglialore. As estruturas, que se assemelham a torres, abrigavam jumentos e cavalos no piso térreo. Galinhas e cabras eram mantidas no andar médio, enquanto a família do agricultor vivia no piso superior. Essas propriedades agora estão entre as que a cidade tornou disponíveis para compra.

Até agora, mais de 100 casas já foram doadas ou compradas por preços extremamente baixos.

A comunidade conseguiu também facilitar o processo de apropriação das propriedades, extremamente burocrático na Itália, e facilitar ainda mais a vida dos novos moradores de Gangi.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Crise faz aumentar calote no programa “Minha Casa Minha Vida”

O Minha Casa Minha Vida, maior programa habitacional do país, tem registrado uma alta da inadimplência, reflexo da queda na renda do trabalhador e do aumento do desemprego. Segundo dados do Ministério das Cidades, os atrasos acima de 90 dias, período a partir do qual o cliente é considerado inadimplente pelo sistema bancário, atingiram, em março, 21,8% dos financiamentos concedidos na faixa 1 do programa, destinada às famílias com renda mensal de até 1,6 mil reais. Em abril de 2014, eram 17,5%. Nas faixas 2 e 3, que inclui famílias com renda de até 5 mil reais, a inadimplência também subiu de 1,9% para 2,2% nesse intervalo. Os números foram publicados pelo jornalFolha de S. Paulo, nesta segunda-feira.

O grupo da faixa 1 paga prestações mensais entre 25 e 80 reais mensais por um período de dez anos, valor que corresponde a 5% do imóvel. Nesse caso, o valor não pago pelo mutuário é bancado pelo Tesouro Nacional. Já nas faixas 2 e 3 as perdas são assumidas pelo banco que concedeu o empréstimo, como em qualquer financiamento imobiliário.

A alta dos atrasos entre mutuários levou a Caixa a suspender, em fevereiro, o programa Minha Casa Melhor, que disponibilizava uma linha para compra de móveis e eletrodomésticos com prestações de pouco mais de 100 reais. “As pessoas de menor renda são mais suscetíveis a mudanças na economia. Com o aumento do desemprego e a inflação elevada, a tendência é mais inadimplência até essas pessoas conseguirem ajustar o orçamento”, afirmou o presidente do Secovi-SP (sindicato de habitação), Flavio Amary.


Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o cenário econômico favorece a inadimplência, pois as famílias gastam mais água, luz e condomínio. Há também a perda de renda com emprego e inflação. Gonzalez aponta ainda falhas no programa. “Quando se cobra um valor muito inferior à capacidade de pagamento, a pessoa enxerga aquela obrigação como um compromisso menos importante”, diz sobre o valor cobrado na faixa 1.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Abusos na compra de imóvel na planta

Com o desaquecimento do mercado imobiliário, muitas construtoras estão enfrentando dificuldades, seja para manter os contratos já firmados, no caso dos imóveis vendidos ainda na planta ou mesmo para cumprir o prazo de entrega das unidades. Diante desse cenário, os consumidores têm sido vítimas de abusos quase sempre que em nome do sonho da casa própria compram imóvel na planta. O advogado Gilberto de Jesus da Rocha Bento Jr*, titular da Bento Jr. Advogados, pontua algumas ilegalidades impostas pelas construtoras aos consumidores, "que muitas vezes nem sabem que estão sendo lesados". Umas das irregularidades mais comuns é a cobrança da comissão de corretagem do comprador. "A comissão de corretagem deve ser paga por quem contrata o corretor. As construtoras usam esses profissionais com o objetivo de facilitar a venda dos imóveis, razão pela qual é abusivo impor ao comprador o pagamento da comissão", esclarece.

Além disso, ao comprar um imóvel na planta, as construtoras imputam aos compradores o pagamento da Taxa de Serviço de Assessoria Técnico-Imobiliário, que tem como finalidade auxiliar o comprador na entrega de documentos e na análise do contrato de compra e venda de imóvel. "Isso significa que as construtoras impõem ao comprador o pagamento desse profissional, que, muitas vezes, é advogado da própria construtora", diz esclarecendo que essa prática configura venda casada, que é ilegal. "A cobrança é ilegal, pois o serviço é prestado ao interesse exclusivo das construtoras", orienta Bento Jr mencionando que essa taxa é cobrada, normalmente, a 3% (três por cento) sobre o valor do imóvel.
Outro ponto crucial, muito comum, são os atrasos na entrega das obras. "Se o comprador atrasa pagamento certamente arcará multa e outros custos e encargos. Mas, por outro lado, se a construtora atrasa a entrega das chaves, o consumidor tem que tolerar", pontua o advogado informando que tem tido sucesso ao pedir multa de pelo menos 1% do valor do imóvel, por mês, mas o valor do aluguel de imóvel equivalente, pelo período do atraso na entrega das chaves.

Gilberto de Jesus da Rocha Bento Jr alerta, ainda, que a cobrança CM repasse na planta é a exigência do pagamento de correção monetária do valor financiado e repassado parceladamente pela Caixa Econômica Federal, que utiliza a Taxa Referencial (TR) como índice de atualização. "Com isso, as construtoras se sentem prejudicadas, tendo em vista que há tempos o índice é igual a zero, e passam este custo ao consumidor, que não devem ser responsabilizados por mais este pagamento, já que as construtoras estabelecem no contrato que o financiamento estará sujeito às regras da própria Caixa Econômica Federal."

Outra prática comum é a retenção desproporcional do valor das parcelas pagas em razão da rescisão contratual por culpa do comprador, normalmente é estipulado em contrato a retenção de até 60% (sessenta por cento) do valor pago pelo comprador caso este desfaça o contrato sem justa causa, quando o bom senso judicial estabeleceu que esta retenção não devesse passar de 15% (quinze por cento). Bento Jr exemplifica que, caso o comprador tenha pagado até a rescisão R$ 100.000,00 (cem mil reais), a construtora poderia reter no máximo R$ 15.000,00 (quinze mil), "o que passar disso é excesso e deve ser restituído".

Além de outras ilegalidades, normalmente, no final do contrato é cobrada a taxa de anuência para o caso de transferência do imóvel a terceiro. "As construtoras arbitram percentual entre 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) sobre o valor do imóvel, justificando a necessidade para pagar despesas administrativas com a cessão", esclarece o advogado afirmando que "novamente a cobrança é indevida, pois essas despesas já fazem parte da atividade das construtoras, não podendo transferir este encargo ao consumidor".

Bento Jr finaliza comentando que estas são apenas algumas infrações legais quando alguém compra imóvel na planta, seja comercial ou residencial. "São práticas pontuais de determinadas construtoras. Felizmente, a Justiça vem condenando essas condutas por serem contrárias aos direitos do consumidor e determinando a devolução dos valores muitas vezes em dobro", conclui.

* Gilberto de Jesus da Rocha Bento Jr é titular do Bento Jr. Advogados, possui vasta experiência e atuação nas áreas empresarial, tributária, trabalhista e relações de consumo, com mais de 200 artigos jurídicos publicados sobre assuntos fiscais, organização de empresas e recursos humanos e métodos organizacionais

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O mapa do mercado de engenharia no Brasil

Confiras as cidades e as áreas com mais engenheiros, os salários anuais médios e as tendências do mercado de engenharia em 2015, segundo a Kelly Services


domingo, 17 de maio de 2015

Imóveis de luxo não param de crescer no Brasil

Um imóvel de alto padrão é classificado, principalmente, a partir da região em que está situado. Bairros paulistanos como Itaim Bibi, Vila Nova Conceição, Alto de Pinheiros, Moema, Jardim Anália Franco e Jardim Paulistano são áreas nobres, repletas de empreendimentos luxuosos. O valor do metro quadrado de apartamentos desse nível? Algo entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. Itens exclusivos, que no passado eram encarados apenas como um bônus que valorizava o imóvel, hoje são fator imprescindível à comodidade. Além de uma excelente localização, o consumidor de alto padrão busca uma proposta arquitetônica que privilegie o design — moradias inteligentes, simultaneamente belas e funcionais. “Neste mercado, o cliente geralmente é um cidadão do mundo, tem referências, conhece arquitetura, estética, frequenta eventos internacionais, gosta de arte… A proposta do empreendimento precisa, enfim, enquadrar-se em uma série de demandas”, afirma Maurício Eugenio, uma das principais referências do país no segmento e fundador da Eugenio, agência especializada em marketing imobiliário e que tem mais de duas décadas.

No começo dos anos 1990, o mercado imobiliário nacional era bastante básico. A arquitetura de então era “dura” e não havia grandes preocupações estéticas. O que se construía na época eram prédios verticais puros, com muros altos, sem muito glamour. Agora, as construtoras sabem da importância do uso de um projeto renomado, moderno, assinado por escritórios internacionais e por nomes importantes desse meio. “Um apartamento é algo essencial, todos precisamos de um lar. Nos últimos 25 anos esse mercado evoluiu demais. Foi bom ter me especializado nele, pois se trata de um setor no qual se precisa saber atender com padrões altos de excelência”, conta. Alguns anos atrás, a demanda no setor era gigantesca. Hoje ela se destaca mais por ser exigente. Há bastante estoque, mas é possível achar empreendimentos que se destacam.
E quais são as inovações e diferenciais que as construtoras estão oferecendo aos compradores de seus empreendimentos de alto padrão? “Há muitas novidades na área, como pisos de banheiro aquecidos e outras. A sustentabilidade dos empreendimentos também está em alta. Projetos que promovam algum tipo de gentileza urbana e com funcionalidades inteligentes, tecnologia de segurança e administração eficiente são muito importantes.” Para Eugenio, os consumidores querem adquirir uma experiência, algo distinto. O imóvel, o conceito que o permeia, deve traduzir a personalidade e as aspirações pessoais de seu comprador. Um bom exemplo de empresa do ramo que está cada vez mais focada em propostas inovadoras é a Porte Engenharia e Urbanismo. Criada em 1986, ela é reconhecida como sinônimo de alto padrão em empreendimentos na parte leste da cidade de São Paulo, especificamente no Jardim Anália Franco e Tatuapé. Seu fundador, Marco Antônio Melro, nasceu e cresceu na região e percebeu tanto a carência quanto o potencial da área para imóveis de luxo. “Na época, famílias que eu conhecia e que tinham melhorado de vida estavam saindo do bairro para morar em outros endereços da capital. Foi então que percebi que algo precisava ser feito. Focamos em residenciais de alto padrão e empreendimentos comerciais que alavancassem o desenvolvimento local”, conta Melro.
Atualmente, a empresa tem mais de 40 empreendimentos no portfólio — quatro em construção. Residenciais como Sainte Claire, Maria Callas, Amedeo Modigliani e Camille Claudel enfeitam as ruas e avenidas onde a Porte atua, além do recém-entregue Josephine, de 40 andares e que evidencia a modernidade e renovação daquela parte da cidade. São todos imóveis dotados de alta tecnologia, sustentáveis, com acabamento de primeira linha e muitos diferenciais. Geram até 40% de economia em eletricidade ao usar energia solar para aquecer água nos banheiros, na pia da cozinha e no terraço gastronômico. Também reaproveitam a água da chuva, via dreno do ar-condicionado. Sua iluminação é automatizada e de alta eficiência. Os elevadores dos prédios contam com sistema biométrico nos acessos sociais e de serviço. Janelas e ar-condicionado são comandados via tablets. Os apartamentos vêm com aspiração por sucção central instalada nos rodapés, sistema antiembaçante nos espelhos e vidros duplos em dormitórios e salas. Tudo é pensado visando a criação de um produto exclusivo.
“O consumidor de alto padrão reforma o apartamento inteiro assim que o compra. Ele quer imprimir ali sua história e ter um lar personalizado”, observa Eugenio. Para tanto, essas pessoas procuram arquitetos ou designers de interiores que saibam conferir tal exclusividade. Há 20 anos no mercado, Patricia Anastassiadis, fundadora e diretora da Anastassiadis Arquitetos, é especialista em personalizar e entregar projetos únicos a cada cliente. Com um time de 60 profissionais de áreas distintas, o escritório atua em projetos de hotéis de luxo — seu foco atual —, mas também na arquitetura de interiores de lojas e restaurantes, além de empreendimentos imobiliários. “Nossa marca traz um grande diferencial de mercado, que é aquilo que chamamos de arquitetura integrada. Oferecemos um serviço que vai desde o desenvolvimento do conceito e do planejamento do empreendimento, passando pela arquitetura dos interiores, até chegar ao design de produtos”, conta Patricia. Ela explica que um projeto precisa ter um conceito formulado, que possa ser elaborado. Por isso, ela estuda cada detalhe dos trabalhos que assume, buscando unir preocupação estética às melhores soluções técnicas e funcionais. “Como trabalhamos com projetos exclusivos, há uma preocupação com todas as minúcias e detalhes. Nossos clientes são exigentes e, cada vez mais, sabem bem o que querem”, finaliza.
O mercado imobiliário de luxo é mais delicado que o comum, e as construtoras precisam estar preparadas para seduzir e encantar seu consumidor — o qual, vale frisar, é rigoroso, quer personificação e identidade própria, além de distinção e um relacionamento exclusivo e de satisfação com a incorporadora. As empresas sabem bem a importância e o peso que tais características têm para seu público-alvo; por isso, estão dispostas a não medir esforços ao investir em diferenciais, inovações e tecnologia.





segunda-feira, 11 de maio de 2015

Você sabe informar a orientação solar dos imóveis?

Você já sabe quais são os fatores externos que valorizam ou depreciam um imóvel. Agora, existe uma informação que muitas vezes o corretor se esquece de falar para os clientes durante uma visita e que é fundamental: a incidência solar.

Se tiver boa iluminação natural, o imóvel pode ter benefícios e, assim, ter um preço maior. Além do conforto térmico, sobretudo no inverno, a incidência da luz solar no apartamento traz outros benefícios como a economia de energia elétrica e o combate de fungos e ácaros.

Não dá mais para responder “não tenho ideia” quando perguntar qual a orientação solar.

Se você não tem ideia de como se descobre isso (e se as aulas de geografia não eram o seu forte), não se preocupe. Vamos mostrar de forma simples como descobrir a incidência solar de cada imóvel.

Leste, Oeste, Norte ou Sul?

Primeiro você precisa descobrir qual é a direção que a fachada do imóvel está apontada. Como nem todo mundo tem bússola, baixe um aplicativo no seu dispositivo móvel que imita esse aparelho e pronto. Você sabe a orientação.

Nesse sentido, o que o corretor precisa saber basicamente é que no Brasil (hemisfério sul), enquanto um imóvel com fachada leste recebe sol pela manhã, um outro com fachada oeste tem sol pela tarde. Nos imóveis com fachada norte, o sol aparece o dia inteiro (inclusive no inverno). Por fim, o sol não dá as caras na face sul.

Na prática, isso quer dizer que a melhor fachada em relação à incidência solar depende da região em que o imóvel está localizado. Por exemplo, quanto mais ao norte do país, logo, mais quente, é mais vantajoso optar por uma fachada sul para manter o ambiente menos aquecido.

Claro que todo esse raciocínio não funciona quando há grandes árvores ou empreendimentos em frente ao apartamento, tampando a chegada dos raios solares.

Quartos e salas precisam mais de luz solar

Dentro de casa, as pessoas gastam mais tempo nos quartos e salas. Por isso, é importante que esses imóveis recebam mais raios solares do que os outros. Para deixar esses cômodos mais luminosos pela manhã, eles precisam estar voltados para a face norte ou leste.

Já em outros cômodos, a presença solar pode até atrapalhar. Se a cozinha tiver sol forte o dia inteiro, os eletrodomésticos, como geladeiras e micro-ondas, podem se danificar.

O que fazer se você já tem o imóvel

Quando o imóvel recebe pouca luz solar, por exemplo, o ambiente fica escuro e úmido influenciando até na saúde dos moradores. Para piorar essa situação, as chances de aparecer fungos e ácaros aumentam. Nesse caso, você precisa redobrar a limpeza na sua casa, já que os ácaros vivem no pó das casas. Jogue fora roupas de cama velhas e evite, também, carpetes e excesso de tapetes.

Por outro lado, em caso de forte incidência de sol, fato que pode incomodar e até deteriorar pisos e pinturas das paredes, cortinas persianas e telas solares podem diminuir esses excessos.

Ainda há uma opção de reformar e instalar vidros especiais que bloqueiam a entrada de calor. Por fim, se os raios solares chegam mais forte à sua varanda, uma outra alternativa é investir em vegetação para refrescar o espaço.

Para fazer uma escolha mais assertiva, é importante visitar o imóvel em diferentes horários, de manhã e a tarde.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Como declarar compra de imóvel no imposto de renda?

Muitos contribuintes que em 2014 ou mesmo anteriormente adquiriram um imóvel estão agora com uma grande dúvida: como declarar esse bem adquirido na Declaração de Imposto de Renda 2015. Essa preocupação se justifica, sendo que os dados, se inseridos de forma incorreta, pode levar o contribuinte à malha fina.

Assim, preparei um pequeno roteiro de como fazer a declaração da compra de imóveis. A primeira coisa a ser feita para declarar corretamente é o de levantamento de dados. Assim, separe os documentos comprobatórios da aquisição do referido imóvel, tais como: compromisso de venda e compra de imóvel e/ou escritura de venda e compra de imóvel; comprovantes de pagamento, inclusive de financiamentos realizados; contratos de financiamento, demonstrando o quanto de FGTS fora utilizado para amortização do saldo devedor.

Com essa documentação em mãos deverá abrir sua declaração no programa da Receita Federal e lançar na FICHA DE BENS E DIREIROS as informações:

Código do bem (01 para prédio residencial; 02 Prédio comercial; 03 para Galpão; 11 para apartamento; 12 para terrenos; 14 para terra nua; 15 para salas ou conjuntos; 19 para outros bens imóveis).
Pais onde está localizado o imóvel
Discriminação deve conter:
Tipo do imóvel,
Endereço,
Número de Registro (matricula, por exemplo),
Data e forma de aquisição,
Nome ou Razão Social do Vendedor, com CPF ou CNPJ destacado;
Informações sobre condôminos (caso seja comprado em conjunto com outra pessoa física ou jurídica);
Informações sobre usufruto (se for o caso);
Valor pago no período (destacar valores totais no ano por evento e receptor);

Ponto muito importante é que no campo "Situação em 31/12/2013", se o bem foi adquirido até essa referida data, deverá transportar o saldo da Declaração de Imposto de Renda do ano de 2014 ano, base 2013.

Se for a primeira declaração do contribuinte, será necessário deverá "somar" os valores pagos até antes de 2014 (inclusive valores pagos de impostos de transmissão (ITBI), benfeitorias realizadas no período, parcelas pagas a titulo de financiamentos, amortizações com saldo do FGTS, parcelas pagas ao antigo proprietário, etc) e declarar também nessa coluna. Caso o bem tenha sido adquirido durante o ano de 2014, deixar esse campo com saldo "zero".

Já no campo "Situação em 31/12/2014", serão lançados os valores pagos para aquisição do imóvel até o fim de 2014, sendo o saldo inicial o de 2013. Caso tenham sido feitos, também lançar os valores pagos em 2014 de impostos de transmissão (ITBI), benfeitorias realizadas, parcelas pagas a titulo de financiamentos com instituições financeiras, parcelas pagas ao antigo proprietário, amortizações com saldo do FGTS em 2013, dentre outros valores.

Lembrando que não se deve pagar imposto de renda na aquisição de imóveis. O único imposto que incide é o ITBI - Imposto de Transmissão de Bens Imóveis "Inter Vivos", que geralmente são cobrados juntamente com a lavratura da escritura de venda e compra do imóvel para ser levado a registro público.

Também acho relevante apontar os principais erros relacionados a declaração desse bem:
Não relacionar na declaração os imóveis pertencentes a dependentes;
Atualizar o imóvel com o valor de mercado. Esses devem ser declarados com base no preço pago (para o vendedor, para a financeira, impostos de transmissão, benfeitorias, reformas e ampliação), não é admitido atualização do valor do imóvel.
Quando a DIRPF é feita em separado do cônjuge, e o referido bem tenha sido adquirido durante a sociedade conjugal, ou o regime de casamento do casal seja comunhão universal de bens, os bens do casal deverão figurar em uma das duas declarações (assim como os demais bens e direitos);
Quando a aquisição do imóvel é financiada e o bem é dado como garantia (alienação fiduciária), o valor do bem a ser lançado são as somas das parcelas pagas ao longo do período, não só para o vendedor, mas também para a financeira, além dos impostos de transmissão e benfeitorias. Não devendo lançar o saldo devedor na FICHA DE DIVIDAS E ONUS REAIS.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Setor imobiliário vive 'tempestade perfeita', avaliam especialistas


A demanda fraca por escritórios e o ciclo de alta na taxa de juros formam um contexto extremamente desafiador para o setor imobiliário, segundo Felipe Goes, diretor-presidente da São Carlos Investimentos. "O momento atual é quase a tempestade perfeita para o setor", afirmou, durante o Summit Imobiliário 2015, promovido pelo Estadão e pelo Secovi-SP, na capital paulista.

Ele apresentou dados que evidenciam o aumento da vacância de imóveis em São Paulo. Com o crescimento significativo de novos estoques entre 2011 e 2013, em um ritmo bem mais expressivo que a absorção líquida, a taxa de crescimento da vacância passou de 3,9% em 2010, para 12% em 2014. Apesar deste cenário, na avaliação de Goes, no longo prazo, o setor apresenta um "altíssimo potencial de crescimento".

Nessa mesma linha, Alexandre Machado, gestor de fundos imobiliários do Credit Suisse Hedging-Griffo, estima que a taxa de vacância de escritórios em São Paulo deve continuar crescendo e atingir 22%. "Uma vacância nesse nível vai acabar puxando os preços para baixo", projetou.

Segundo Machado, existe uma correlação muito forte entre a taxa de juros real e o desempenho dos fundos imobiliários na bolsa de valores. O recente aumento na taxa básica de juros (Selic) fez o valor de mercado desses fundos cair fortemente, segundo o economista, ficando abaixo do patrimônio líquido a partir de junho de 2013.

"Hoje, os fundos em bolsa são negociados com desconto de 30% em relação ao valor patrimonial", afirmou. "A defasagem muito grande entre o valor do ativo e das cotas negociadas em bolsa pode estar atraindo grandes investidores", pontuou Machado.

Construção. 2015 será o mais complicado dos últimos anos para o mercado imobiliário, com redução de lançamentos por parte das construtoras, segundo o presidente da Even, Carlos Terepins. "Teremos redução de lançamentos neste ano e 2016 ainda é uma incógnita. As construtoras vão equacionar estoques neste ano", afirmou ele, no Summit Imobiliário 2015, promovido pelo Estadão e o Secovi-SP.

Teremos redução de lançamentos neste ano e 2016 ainda é uma incógnita, Carlos Terepins, Even
A própria Even já anunciou que não deve fazer novos lançamentos neste ano. A construtora lançou sete empreendimentos nos últimos três meses do ano passado, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,014 bilhão (parte Even). Na comparação com o mesmo período de 2013, o valor total das unidades lançadas recuou 17,63%. O volume de vendas contratadas também recuou entre outubro e dezembro, cerca de 43% na comparação anual, para R$ 536,2 milhões.

Segundo o presidente da Even, houve um excesso de aberturas de capitais de empresas do setor imobiliário no passado e que alguns casos "complicados" comprometeram outros players. "As construtoras são empresa que devem estar voltadas para o longo prazo. Nosso ciclo no mínimo são três anos. Querer que a cada trimestre que nós apresentemos resultado favorável é condenar a empresa a ter uma série de problemas. É uma insanidade", afirmou ele, acrescentando que não vê consolidação no setor, pois as empresas devem preferir crescimento orgânico.

Também presente no debate, o CEO da Max Casa, José Paim de Andrade, disse que o aumento dos distratos tem elevado o número de estoques na construtoras, citando investidores que compram apartamentos e na hora da entrega das chaves não ficaram satisfeitos com a estabilização dos preços dos imóveis.

Shopping centers. O setor de shopping centers atravessa um momento desafiador comum a todos os setores da economia brasileira, e as maiores preocupações se concentram na perspectiva de queda da renda, redução do nível de emprego e o aumento da taxa de juros, aliados a um cenário de inflação alta. A avaliação é de Renato Rique, economista e diretor presidente da Aliansce. "São fatores que levam à compressão do consumo, afetam o varejo e acabam refletindo nos shopping centers também", afirma. Ele ressalta, no entanto, que os reflexos da crise econômica nos shoppings não devem ser da mesma ordem que na economia como um todo ou mesmo no setor de varejo.

Os shoppings não são uma ilha isolada da economia, mas são mais resilientes, Renato Rique, Aliansce
"Os shoppings não são uma ilha isolada da economia, mas são mais resilientes", disse. Além de questões macroeconômicas, Rique apontou outros fatores intrínsecos ao segmento que são complicadores no atual cenário. "Vemos o excesso de shoppings nos últimos quatro anos, com o "brotamento" de novos empreendedores de shoppings", disse, em referência à profusão de novos shoppings mesmo em cidades em que não há mercado consumidor para tanto.

Para Alessandro Poli Veronezi, presidente do conselho de administração da General Shopping Brasil, os desafios impostos pelo cenário macroeconômico serão vencidos pelo setor de shoppings centers. O que não se consegue contornar, segundo ele, são decisões equivocadas no âmbito micro. "O cenário de ajuste macroeconômico vai levar um tempo, mas vai passar. Deve passar em dois anos", estimou. Segundo ele, no entanto, quando há falta de equilíbrio entre oferta e demanda não há muito o que ser feito. "Um shopping colocado no lugar errado não tem como ser corrigido", exemplificou.

Para Renato Rique, no entanto, apesar dos problemas, os empresários do setor entenderam a necessidade de adaptar seus negócios à nova realidade, que se impõe há alguns anos. "A concorrência hoje não é apenas com shoppings vizinhos, mas da própria casa do consumidor e de outras opções de lazer", disse. "Shopping hoje é ponto de encontro. É um oásis em meio ao caos e deserto urbano", comparou.

Não tem mais espaço senão para um shopping ultra bem concebido e ultra bem mantido, José Auriemo Neto, JHSF
José Auriemo Neto, presidente da JHSF, exemplificou como a empresa aplica a mudança nos negócios. A noção de usos mistos do espaço é um dos pontos reforçados. A estratégia é investir na parte interna, com investimentos em paisagismo e na oferta de serviços diferenciados, desde spas e academias a centro de eventos. "Não tem mais espaço senão para um shopping ultra bem concebido e ultra bem mantido", afirmou.

Na intenção de integrar os empreendimentos a outras atividades, a JHSF está construindo o primeiro aeroporto corporativo do País, que se interligará a um outlet. "O objetivo é ter projetos mais atrativos e mais sinérgicos de maneira geral", disse Auriemo Neto.

Fonte: Aline Bronzati, Mário Braga, O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A marca Sotheby's International chega ao Brasil

A Sotheby's International Realty Affiliates LLC anunciou que a Imobiliária Bossa Nova, do Brasil, uniu-se à marca Sotheby's International Realty® e começará a operar como Bossa Nova Sotheby's International Realty.

 
 
A empresa, comandada pelos proprietários Luciano Amado, como presidente, e Marcello Romero, como vice-presidente, localiza-se na Alameda Gabriel Monteiro da Silva 2027, Pinheiros, São Paulo.
 
"São Paulo e Rio de Janeiro são excelentes mercados, que contam com propriedades extraordinárias em um destino muito diversificado, além de oferecer uma fonte muito influente de ávidos compradores de imóveis", afirmou Philip White, presidente e diretor geral da Sotheby's International Realty Affiliates LLC. "Estamos muito felizes por receber Luciano, Marcello e sua equipe em nossa rede global."
 
De acordo com Romero, a nova associação com a marca Sotheby's International Realty representa uma oportunidade de expansão e crescimento. "O apoio dessa marca permitirá que proporcionemos à nossa equipe novas tecnologias, treinamento e inteligência de mercado, com um inventário extraordinário em São Paulo, no Rio de Janeiro e nos melhores locais de praia e campo", afirmou Amado. "Graças a essa associação, agora temos acesso direto a um mercado global por meio dos 760 escritórios da marca Sotheby's International Realty no mundo todo."
 
Atualmente, a rede da Sotheby's International Realty conta com mais de 16.500 associados de vendas em aproximadamente 760 escritórios, em 60 países e territórios. As propriedades da Bossa Nova Sotheby's International Realty são comercializadas no site global sothebysrealty.com. Além das oportunidades de indicação e à maior exposição gerada por essa fonte, os corretores e clientes da empresa se beneficiarão com a associação à casa de leilões da Sotheby's e aos programas mundiais de marketing da Sotheby's International Realty. Cada escritório é de propriedade e operação independentes.
 
Sobre a Sotheby's International Realty Affiliates LLC

Fundada em 1976 com o objetivo de oferecer corretagem independente com um programa poderoso de marketing e indicação para listas de luxo, a rede da Sotheby's International Realty foi desenvolvida para conectar as melhores empresas imobiliárias independentes com os clientes de maior prestígio do mundo. A Sotheby's International Realty Affiliates LLC é uma subsidiária da Realogy Holdings Corp. (NYSE: RLGY), líder mundial em franquia imobiliária e prestadora de serviços de corretagem de imóveis, remanejamento e liquidação. Em fevereiro de 2004, a Realogy iniciou uma aliança estratégica de longo prazo com a Sotheby's, operadora da casa de leilões. O acordo envolvia o licenciamento do nome Sotheby's International Realty e o desenvolvimento de um sistema completo de franquias.

As associações ao sistema são concedidas a corretoras e indivíduos que atendem a qualificações estritas. A Sotheby's International Realty Affiliates LLC apoia seus associados com um conjunto de recursos operacionais, de marketing, de recrutamento, educacionais e de desenvolvimento de negócios. Os associados de franquias também se beneficiam com a associação à respeitável casa de leilões da Sotheby's, fundada em 1744.
 
FONTE Sotheby's International Realty Affiliates LLC

quinta-feira, 19 de março de 2015

Vagas de garagem podem valorizar apartamentos em mais de 20%


 
São Paulo - A falta de vagas de garagens e estacionamentos em determinadas regiões das grandes cidades pode valorizar em mais de 20% um apartamento que inclui vagas em relação a um imóvel semelhante, mas que não oferece vaga para veículos.
 
Esse é o resultado de um levantamento do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro(Secovi Rio), realizado em oito bairros localizados na Zona Sul e na Zona Norte da cidade. A pesquisa faz parte do Panorama do Mercado Imobiliário de 2014, que será divulgado pela entidade no dia 24 deste mês.
 
Um apartamento de dois quartos com garagem no Leblon, bairro da Zona Sul, é, em média, 22,8% mais caro do que um imóvel de dois quartos, mas sem vaga, localizado no mesmo bairro. Em Laranjeiras, também na Zona Sul, a diferença é de 22,7%.
 
Em Ipanema, Botafogo, Méier, Tijuca, Copacabana e Flamengo, os porcentuais são menores, mas ainda ultrapassam 10%. “O valor da vaga de garagem na cidade corresponde, em média, entre 7% a 9% do valor do imóvel”, diz Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio.
 
Veja, na tabela a seguir, a diferença de preços entre apartamentos de dois dormitórios com e sem vagas de garagem em oito bairros do Rio de Janeiro: 
 
 
Fonte: Secovi Rio
 
A garagem é considerada uma unidade autônoma e faz parte da área comum do imóvel. Seu valor é adicionado ao preço da unidade com base em seu custo de construção.
 
Mas o custo de uma vaga depende da necessidade de espaços para estacionamento na região na qual está localizada. Quanto maior a procura, mais alto será o seu preço. 
 
Alguns bairros que fazem parte do levantamento do Secovi Rio incluem muitos apartamentos antigos, que foram construídos sem garagens.
 
Além disso, estão localizados em regiões que limitam a construção de vagas nos empreendimentos. Por ficarem próximos a praias, a areia e água existente no subsolo impedem a construção de estruturas subterrâneas.
 
Essas características fazem com que, naturalmente, o valor da garagem nesses bairros fique acima da média registrada na cidade.
 
O vice-presidente do Secovi Rio também cita a falta de investimentos em melhorias no transporte público da cidade, além do aumento do financiamento para a compra de carros nos últimos anos, como fatores que contribuíram para ampliar a necessidade por garagens. 
 
Nos bairros incluídos no levantamento, as vagas ficaram ainda mais escassas com o boom imobiliário registrado na cidade nos últimos cinco anos.
 
Diversos prédios foram construídos nessas regiões e ocuparam terrenos que antes eram utilizados como estacionamentos, segundo Schneider. “No período, a diferença de valor entre um prédio com e sem garagem dobrou: passou de 10% para 20%.”
 
Quem tem um imóvel com garagem em um bairro com escassez de vagas, portanto, pode ser beneficiado caso queira vender o apartamento. 
 
A tendência é que a vaga de garagem continue valorizando o imóvel até que haja melhorias no transporte coletivo da cidade, diz Schneider, do Secovi Rio. “Não dá para prever quando isso irá acontecer, mas sabemos que é difícil haver mudanças significativas no curto prazo”.
 
São Paulo pode seguir o mesmo caminho
 
Com uma estrutura geológica favorável à construção de garagens nos subsolos dos prédios, além de uma lei que exigia a construção de, no mínimo, uma vaga por imóvel, até há pouco tempo São Paulo não sofria com a escassez de garagens, ou não no mesmo nível que o Rio, ao menos.
 
Na cidade, vagas em apartamentos de dois quartos em bairros bem localizados representam, em média, de 8% a 12% do valor do imóvel, segundo Ricardo Yazbek, vice-presidente de Legislação Urbana do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
 
Porém, o novo Plano Diretor da cidade, que define as regras para a construção de empreendimentos, anunciado em 31 de julho de 2014, passou a deixar de exigir um número mínimo de vagas de garagem por imóvel e a limitar o número de vagas de garagem em novos prédios próximos a eixos de transporte público, como corredores de ônibus e estações de metrô.
 
Nessas regiões, desde julho do ano passado, apenas uma vaga de garagem por apartamento não é incluída no potencial construtivo do empreendimento. Construtoras que quiserem construir prédios com mais de uma vaga de garagem por apartamento ficaram obrigadas a descontar os espaços adicionais do total que pode ser construído no espaço.
 
A lei antiga permitia que mais vagas de garagem não fossem incluídas no potencial construtivo da obra. “Com os terrenos cada vez mais caros, quem quiser oferecer mais de uma vaga por apartamento nesses locais certamente irá vendê-la por um preço mais alto para compensar a restrição”, diz Yazbek.
 
O executivo do Secovi-SP acredita, portanto, que a nova regra deve valorizar apartamentos com vagas de garagem já existentes nesses locais. “A diferença de valor entre um imóvel com e sem garagem pode se ampliar e se aproximar da situação verificada no Rio”.
 
Mas Yazbek ressalta que essa valorização tem um limite no médio prazo. “Daqui a cerca de seis anos, novas estações de metrô e melhorias no transporte público devem diminuir a necessidade do uso de veículos e, consequentemente, das vagas”.
 
Como muitos imóveis novos ainda serão lançados na cidade sob as regras antigas, o diretor do Secovi-SP estima que o impacto das novas regras só possa ser observado a partir do segundo semestre do ano que vem. 
 
Fonte: exame.com



sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Caixa Econômica Federal suspende novos contratos do programa Minha Casa Melhor

A Caixa Econômica Federal confirmou a suspensão do programa Minha Casa Melhor, que facilita a compra de móveis e eletrodomésticos. O banco informou que novas contratações estão sendo discutidas para uma nova fase do programa, mas não informou detalhes nem prazos. Para os beneficiários que já tem cartão referente a contratos realizados não haverá mudanças.

Lançado em 2013, o programa facilita a aquisição de bens conforme as necessidades das famílias inscritas no Minha Casa, Minha Vida. A Caixa oferece a cada beneficiário do programa habitacional do governo crédito subsidiado de até R$ 5 mil para compra de móveis e eletrodomésticos, a juros de 5% ao ano e prazo de pagamento em 48 meses.

Sobre a suspensão a Caixa distribui apenas um nota com o posicionamento do banco. “Novas contratações do Minha Casa Melhor estão sendo discutidas no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida fase 3. Os cartões referentes a contratos já realizados continuam operando normalmente”, diz.

Fonte: Agência Brasil