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terça-feira, 31 de julho de 2012

MRV Engenharia está em nova atualização da “lista suja” do trabalho escravo

A MRV Engenharia, empresa do setor de construção de edifícios residenciais que obteve o maior lucro das Américas em 2011 (segundo estudo recente da Economática), foi incluída na atualização da “lista suja” do trabalho escravo divulgada nesta terça (31). O cadastro mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem sendo atualizado semestralmente, desde o final de 2003, e reúne empregadores flagrados pelo poder público na exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão. Com as 115 novas inclusões efetivadas nesta terça (o governo divulgou que são 118, porém ele incluiu nomes que retornaram à lista neste cálculo, ou seja, não são inéditos), a “lista suja” atingiu o número recorde de 398 nomes.

A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista por determinação do Conselho Monetário Nacional. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam mais de 25% do PIB brasileiro.

O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista. A matéria, abaixo, é da Repórter Brasil:

Com as 115 inclusões efetivadas nesta terça, a “lista suja” atingiu o número recorde de 398 nomes. Oito empregadores foram excluídos (sete deles em decorrência do vencimento do prazo mínino de permanência de dois anos e do pagamento das multas, e um por conta de liminar obtida recentemente na Justiça). Dois reingressaram em decorrência da invalidação de instrumentos judiciais que os mantinham fora da relação.

A entrada da MRV se deve a duas fiscalizações que encontraram grupos de trabalhadores migrantes em condições de trabalho escravo em obras de condomínios no ano de 2011: Parque Borghesi, na cidade de Bauru (SP), e Residencial Beach Park, em Americana (SP). O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a protocolar uma representação inédita, há alguns meses, para que a construtora, que lidera contratos do programa federal de habitação popular, “Minha Casa Minha Vida”, seja investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por prática de dumping social.

Também entrou na “lista suja” a Prime Incorporações e Construções, que faz parte do grupo econômico encabeçado pela MRV. Fiscalizações no setor de construção civil resultaram ainda em outras inclusões: MSKE Construções e Serviços entrou para a relação por conta de um flagrante também em obras do “Minha Casa Minha Vida”, em São José do Rio Pardo (SP). E a Eplan Engenharia Planejamento e Eletricidade passou a constar no cadastro em função da libertação de nove pessoas em frentes de trabalho de expansão do programa “Luz para Todos”, em Guajará-Mirim (RO).

Entre os ingressantes, também destacam-se nomes de empregadores ligados à política, como o engenheiro René Pompêo de Pina, que foi secretário de infra-estrutura do Estado de Goiás e presidente do conselho da Celg Distribuição S/A, filiado ao PSDB, e o de Janete Gomes Riva, esposa do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Riva (PSD). O sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB/MT), Emanoel Gomes Bezerra Júnior, também aparece na “lista suja”.

Fonte: Leonardo Sakamoto

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Shoppings: ignorar a realidade não faz ela deixar de existir

“Você paga mais impostos, emprega mais pessoas, dá facilidades de conforto, dá a economia de tempo. Você entra num shopping center e tem compras, alimentação, lazer, até um simples bate-papo. Na minha cabeça, ele deveria cobrar uma contrapartida.”

A declaração é de Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers, dada aos repórteres Carolina Matos e Evandro Spinelli, da Folha de S. Paulo, ao ser questionado se as exigências viárias e ambientais impostas aos shoppings pelos órgãos públicos são equivalentes ao investimento realizado por eles.

O discurso é semelhante ao do dono da fábrica que diz que faz um favor aos operários quando abre uma unidade nova, como se ele não precisasse da força de trabalho de pessoas para ganhar dinheiro. Com argumentos bem colocados, subverte-se a vida da forma como desejarmos. Ou seja, os donos de shopping fazem uma caridade aos paulistanos ao instalarem locais onde se oferece, sem nenhum interesse, realidade virtual.

Ou, como dizem meus amigos de Alphaville, ao criticarem os condomínios fechados em que cresceram: “bolhas”. Um ambiente agradável, asséptico, sem pobreza, dor ou feiúra, com temperatura estável e luz na quantidade certa para possibilitar aquilo que fazemos de melhor: comprar.

Como já disse aqui, os produtos que consumimos são estilos de vida. Do que somos. Do que gostaríamos de ser. Do que deveríamos ser – não em nossa opinião, necessariamente, mas de uma construção do que é bom e do que é ruim. Construção essa que vem, não raras vezes, de cima para baixo. A busca pela felicidade passa cada vez mais pelo ato de comprar. E a satisfação está disponível desde que você tenha um cartão de crédito ou débito com saldo. Trabalhamos tanto que, não raro, esquecemos como demonstrar afeto de forma sincera ou simplesmente não temos tempo para isso. Então, a fim de compensar nosso silêncio ou nossa ausência, nos tornando compradores e doadores de símbolos daquilo que não conseguiremos transmitir por vivência direta.

Os shoppings oferecem um caminho fácil para tornar isso possível. Eles não são os culpados, mas fazem parte do processo. Enquanto isso, vamos feito gado, comprando bovinamente, sem questionar o que aquilo representa. Ou suas consequências para a cidade. Que vão além do aumento no trânsito ou de vagas de estacionamento.

Você que mora fora de São Paulo talvez não entende a paixão avassaladora que nós, paulistanos, temos com o shopping center. Matérias e mais matérias já foram produzidas sobre pessoas que não viveriam sem eles – não porque deles dependem para tirar o sustento, mas por terem escolhido suas luzes, vitrines, cinemas, restaurantes e academias como pano de fundo para suas existências. Gostando ou não gostando, oferecem a comodidade necessária para o nosso ritmo e fazem parte da nossa vida.

E o melhor é que a sensação de falsa segurança, no estilo “me engana que eu gosto”, oferece a garantia de que nada vai acontecer com você se estiver lá dentro. Da mesma forma que cercas eletrificadas mentem sobre a proteção de casas, que carros blindados mentem sobre a proteção de famílias, que a presença de uma arma de fogo mente quando promete afastar qualquer risco real. Mas nos esquecemos que ninguém vive apenas em suas casas, as pessoas – em algum momento – saem de seus carros e armas de fogo mudam de mãos tão rápido quanto uma cancela se abaixa atrás do veículo no estacionamento do shopping ou uma porta-automática se fecha. Daí em diante, a realidade virtual se desliga.

Em outras palavras, sentimento falso, pois não são cercas, chapas de aço ou armas que garantem segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, a bomba estoura.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto parte de nós aproveitam uma vidinha “segura” dentro de bons shoppings, clubes, restaurantes, boates e residenciais, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. Para cada assassinato em Moema, 130 são mortos no Grajaú. Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto na mídia do que a de 130 na periferia, como já aconteceu em outros tempos. Tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.

Nesse contexto, e mesmo como muleta retórica, é engraçado os shoppings sugerirem uma contrapartida da cidade por serviços prestados. Pois, mesmo involuntariamente, ajudam a evitar que as pessoas desencastelem-se e tenham a possibilidade de reconhecer no outro um semelhante e procurar um diálogo que construa uma cidade melhor e não destrua pontes. Qual o custo disso para a cidade?

Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer. Mas devemos ter em mente que há atitudes que pioram o quadro. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana em shoppings. Ignorar a realidade não faz ela deixar de existir.

Fonte: Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Brasileiros estão na lista dos maiores compradores de imóveis nos EUA

Com a desvalorização do dólar e a crise financeira, o mercado de imóveis americano está cada vez atraente aos compradores estrangeiros.

Uma pesquisa realizada pela NAR (National Association of Realtors) concluiu que o número de investimentos no país cresceu de US$ 66,4 bilhões para US$ 82,4 bilhões do ano passado até maio deste ano.

A pesquisa mostra que os brasileiros estão no ranking dos maiores compradores estrangeiros, conquistando o oitavo lugar. A três primeiras posições pertencem a canadenses, chineses e mexicanos, respetivamente.

Segundo o presidente da instituição, Moe Veissi, as vantagens do mercado imobiliário americano, como preços baixos e um boa condição da construção, são responsáveis por atrair investidores internacionais.

"A maioria das compras é destinada a investimentos, casas de férias ou a uma diversificação do portfólio. Além disso, muitos imigrantes enxergam a compra de uma propriedade como uma realização pessoal", complementa.

Na lista dos lugares mais procurados estão Flórida, Califórnia, Texas e Arizona, que somados representam um total de 51% das aquisições.

Ainda segundo o levantamento, as condições climáticas e territoriais e a proximidade com o país de origem são características decisivas para compra: a costa leste, geralmente, é a primeira opção dos europeus, enquanto a costa oeste é o destino preferido dos chineses.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Prefeitura rejeita documentos do Shopping Paulista, aplica multas e ameaça interditar local

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou hoje (23) que a documentação apresentada pelo shopping Pátio Paulista na última quarta-feira (18) não conseguiu comprovar que o estabelecimento não cometeu as irregularidades que provocaram a cassação da licença de funcionamento do local.

Por conta disso, o shopping recebeu mais duas multas, de R$ 1,18 milhão e R$ 477 mil. A Brookfield Gestão de Empreendimentos (BGE), administradora do shooping, foi intimada a encerrar ou regularizar a atividade do shopping dentro de dez dias. Caso não cumpra a ordem, a prefeitura afirma que irá interditar o local em 31 de julho.

A licença de funcionamento foi cassada no último dia 10. Segundo a prefeitura, o shopping não oferece número suficiente de vagas no estacionamento e possui um lava-rápido funcionando indevidamente na área onde deveria haver vagas para clientes do local.

Ainda de acordo com a administração municipal, o déficit no estacionamento do shopping é de 470 vagas. Procurada pela reportagem, a Brookfield afirmou que não irá se manifestar sobre o assunto.

Irregularidades nos shoppings

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, órgão subordinado à Prefeitura de São Paulo, fez um levantamento das irregularidades cometidas pelos shoppings centers da capital paulista. Só neste ano, foram aplicadas aos administradores, lojistas e proprietários dos estabelecimentos multas que somam quase R$ 20 milhões, segundo a secretaria.

Dos 47 shoppings da cidade de São Paulo, apenas 19 estão com a situação regular. De acordo com a prefeitura, 22 estabelecimentos cometeram alguma irregularidade ou estão com algum tipo de pendência junto à administração municipal. Seis shoppings (Villa Lobos, Center Norte, Lar Center, Jardim Sul, Mooca e Aricanduva) conseguiram liminares na Justiça que impedem a fiscalização da prefeitura.

A fiscalização nos shoppings teve início em junho, após reportagem publicada pelo jornal "Folha de S. Paulo" revelar que Daniela Gonzalez, ex-diretora financeira da BGE, empresa do grupo Brookfield que administra shoppings, acusou a empresa de ter pago propina para obter licenças para seus empreendimentos.

Desde então, a prefeitura encontrou irregularidades na documentação de vários shoppings, entre eles o Higienópolis e Pátio Paulista, que podem ser fechados ainda neste mês.

Veja abaixo quais são as irregularidades cometidas por cada shopping:

Pátio Paulista - Certidão de Diretrizes não cumprida; vagas insuficientes no estacionamento

Pátio Higienópolis- Certidão de Diretrizes não cumprida; vagas insuficientes no estacionamento

Eldorado - Falta certidão de acessibilidade; vagas insuficientes no estacionamento

Interlagos - Documentação incompleta; construções irregulares; vagas insuficientes no estacionamento

Raposo Tavares - Documentação das lojas incompleta

West Plaza - Construções irregulares; documentação incompleta

Pirituba - Vagas insuficientes no estacionamento; documentação incompleta

Light - Falta certificado de regularização da edificação

Butantã - Documentação incompleta para a atividade de estacionamento

Portal do Morumbi - Documentação incompleta para a atividade de estacionamento

Metrô Itaquera - Área construída em discordância em relação ao projeto

Continental - Documentação incompleta

Bourbon/Matarazzo - Documentação das lojas incompleta

Pompéia Nobre - Documentação incompleta

Brascan - Documentação incompleta

Santana Parque - Sem processo de execução de reforma

Santana - Documentação incompleta

Top Center - Documentação incompleta

SP Market - Documentação incompleta

Capital - Fechado em 26.jun.2012 - deve adequar-se ao Código de Obras e apresentar a devida documentação

Central Plaza - Documentação incompleta

Frei Caneca - Auto de Intimação nas lojas

Shoppings com a documentação em dia

Anália Franco
Cidade Jardim
Campo Limpo
Plaza Sul
Center Lapa
D
Metro Boulevard Tatuapé
Metrô Tatuapé
Penha
D&D
Iguatemi São Paulo
Vila Olímpia
Parque JK
Boa Vista
Market Place
Morumbi
Center 3
Ibirapuera
Metrô Santa Cruz

Shoppings que conseguiram liminares

Villa Lobos
Center Norte
Lar Center
Jardim Sul
Mooca Plaza
Aricanduva

Fonte: Uol Notícias

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Os cuidados na hora de redigir as cláusulas tributárias de obras e serviços

Por Martelene Carvalhaes Pereira e Souza, consultora tributária para Construção Civil

Por empreitada ou por administração, a obra ou serviço deve conter cláusulas contratuais bem definidas sobre retenção tributária e fornecimento de materiais

Para a administração tributária, a redação dos contratos é fundamental para evitar conflitos e erros de interpretação. Os usos e costumes gerados pela cultura desse setor devem ser compatibilizados com a legislação tributária que regula essa atividade tão complexa. Ou os contratos trazem uma redação que contribua para a solução dos conflitos e do planejamento tributário ou afastarão a possibilidade de novos negócios e investimentos, além de vir a onerar o custo das obras e expor as empresas a riscos fiscais. No que tange à forma de contratação, a construção civil contrata por empreitada ou por administração.


Contratos por empreitada

O art. 610 do Código Civil regula as espécies de empreitada, sendo que o empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com trabalho e os materiais.

A empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido e predeterminado.

Empreitada com ou sem fornecimento de materiais

O parágrafo 1o do art. 610 do Código Civil não admite a presunção do fornecimento de materiais. Deve estar expresso no contrato e principalmente no valor dos materiais constantes da composição do preço da empreitada na apuração do Valor dos Serviços, a base de cálculo da retenção para a previdência social de 11%. O Decreto 3.048/99 em seu art. 219 vincula a dedução do valor dos materiais da base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que haja previsão contratual e discriminação nas notas fiscais.

Pelo Regulamento da Previdência Social, a falta da previsão contratual do valor dos materiais ou utilização de equipamentos, transfere para o INSS a fixação do valor mínimo da base de cálculo da retenção, ou seja, 50% do valor total da nota fiscal, situação que em muitos casos resulta em excesso de retenção, que compromete o fluxo de caixa das empresas.

Não havendo previsão contratual de fornecimento de materiais, haverá significativo aumento na carga tributária das empresas quanto à retenção do INSS, que incide sobre o valor total, além de aumento de IR (Imposto de Renda) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para as empresas optantes pelo Lucro Presumido, cuja base de cálculo para o IR salta de 8 para 32%, e CSLL, de 12 para 32%.


Empreitada total ou parcial - Para o INSS, a empreitada poderá ser total ou parcial, independente de fornecimento ou não de materiais. A empreitada total somente pode ser contratada por empresa construtora, e nesse caso é a responsável pela matrícula CEI e pela emissão da CND da obra. Nas empreitadas parciais, o responsável pela CEI e pela CND será sempre da empresa contratante, na qualidade de proprietária ou dona da obra, sendo nula a cláusula que o estipular de forma diferente. Em relação aos tributos federais e o ISS (Imposto Sobre Serviços), a tributação é feita da mesma forma, levando-se em conta somente se a empreitada é com fornecimento de materiais ou não, pois a caracterização de total ou parcial somente vincula a responsabilidade pela obra, matrícula e CND perante o INSS.


A Subempreitada - O art. 626 do Código Civil deixa claro que o contrato de empreitada não é intuitu personae, podendo o empreiteiro contratado pelo dono da obra vincular-se a outros empreiteiros, para que executem parte ou mesmo toda a construção contratada. Na construção civil é comum a existência de várias subempreitadas, que é contrato dependente do contrato de empreitada, mas distinto deste. A tributação segue as mesmas regras da empreitada tanto para a retenção de 11% para a previdência social quanto para os tributos federais (PIS/Cofins/IR/CSLL) e para o ISS.



Cláusulas com faturamento direto contra o cliente - É muito comum nos contratos de empreitada na construção civil a cláusula de faturamento direto, em que a empreiteira contratada assume a responsabilidade do preço, porém os materiais são adquiridos em nome da empresa contratante e quitados diretamente por esta. Tal prática evita a bitributação do PIS e da Cofins que incide sobre o faturamento. Para o INSS, não descaracteriza a empreitada total, continuando a construtora responsável pela CEI e pela CND da obra.

Nesse caso, deve ser analisada a questão do faturamento direto de subempreiteiros, pois assim passamos a ter empreitadas parciais, visto que os prestadores de serviços especializados são contratados diretamente pelo proprietário ou dono da obra e não pela empreiteira, ou pela empreiteira em nome do cliente, autorizada por contrato.

A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária no 03, de 2005, traz expressamente tal contratação no art. 413, parágrafo 2o, inciso IV: "Terá tratamento de empreitada parcial aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteiros diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora".

Nesse caso o responsável pela CEI e CND da obra será sempre o proprietário ou dono da obra, descaracterizando a empreitada total somente perante a legislação do INSS, continuando a construtora responsável pelo preço ajustado.

Contratos por administração

É aquele em que a empresa contratada somente administra a obra de construção civil e recebe como pagamento uma percentagem sobre todas as despesas realizadas na construção, denominada "taxa de administração", e não tem retenção de 11% para a previdência social.

Nesse caso todos os materiais e empreiteiros são contratados diretamente pelo proprietário ou dono da obra, que é o responsável pela matrícula CEI perante o INSS, similar ao contrato de empreitada com faturamento direto para o cliente de materiais e subempreiteiros.

Nos contratos por administração nos quais a construtora contratada também fornece mão-de-obra, mesmo que o faturamento da taxa de administração e da mão-de-obra seja efetuado em notas fiscais distintas, a retenção de 11% incide sobre o total das duas notas fiscais, de acordo com as determinações do art.153 da Instrução Normativa SRP no 03/2005.

Estudo mostra pérolas dos currículos

Excepcionalmente transcrevo matéria que não é relacionada com o mercado imobiliário.

Um levantamento da consultoria Americana CareerBuilder indicou "pérolas" presentes em currículos enviados pelos candidatos a vagas. A empresa ouviu 2.298 recrutadores e pediu que eles listassem erros ou informações pouco usuais presentes nos currículos. Veja abaixo alguns exemplos:

1. Um candidato disse que era um gênio e convidou a recrutadora para entrevistá-lo no apartamento dele.

2. Na carta de apresentação, o candidato dizia que sua família pertencia a uma gangue.

3. Candidato listou "caçar crocodilos" como uma de suas habilidades.

4. Um candidato incluiu a atividade de phishing (furto de dados pessoais pela internet) na lista de hobbies.

5. Uma pessoa destacou que seu currículo deveria ser lido como uma certa canção.

6. Um candidato destacou que ele foi o príncipe do baile de formatura em 1984.

7. A pessoa disse que sabia falar "antártico" ao se candidatar para trabalhar na Antártida.

8. A foto do currículo mostrava o candidato em uma rede.

9. Um dos currículos era decorado com coelhos cor-de-rosa.

10. Interessado em uma vaga no departamento de contabilidade disse que era detalhista e escreveu o nome da empresa errado

Fonte: Folha de Sâo Paulo

terça-feira, 17 de julho de 2012

Apenas 19 dos 53 shoppings de SP estão com situação regularizada

Dos 53 shoppings de São Paulo, apenas 19 estão com sua situação regularizada. A prefeitura está fiscalizando 22 empreendimentos da cidade. Outros seis têm limares judiciais que proíbe qualquer ação administrativa.

A blitz da prefeitura sobre os shoppings teve início em junho, quando a Folha revelou que Daniela Gonzalez, ex-diretora financeira da BGE, empresa do grupo Brookfield que administra shoppings, acusa a empresa de ter pago propina para obter licenças para seus empreendimentos.

Daniela citou os cinco shoppings da qual a BGE é sócia na cidade --Pátio Higienópolis, Pátio Paulista, West Plaza, Raposo e Vila Olímpia.

Desde então, os alvarás do Higienópolis e do Paulista já foram cassados.

O shopping Mooca Plaza, inaugurado em novembro, não tinha licença de funcionamento e foi notificado a fechar as portas. Também foram multados os shoppings Aricanduva e Interlagos, ambos do grupo Savoy.

Apesar da notificação, o Mooca Plaza conseguiu na Justiça uma liminar que lhe garante prazo até setembro para concluir as obras viárias do entorno exigidas pelo município. O prazo anterior, dado pela Subprefeitura da Mooca, para que o estabelecimento obtivesse a licença de funcionamento terminaria no fim deste mês.

O shopping informou que termina hoje a última das 17 obras viárias exigidas. Com isso, o empreendimento já pode pedir à Secretaria dos Transportes o último documento que falta para obter o Habite-se do prédio e o alvará de funcionamento.

Shoppings com documentação em dia

Anália Franco
Cidade Jardim
Campo Limpo
Plaza Sul
Center Lapa
D
Metro Boulevard Tatuapé
Metrô Tatuapé
Penha
D&D
Iguatemi São Paulo
Vila Olímpia
Parque JK
Boa Vista
Market Place
Morumbi
Center 3
Ibirapuera
Metrô Santa Cruz

Shoppings com processo de fiscalização iniciado

Pátio Paulista
Pátio Higienópolis
Eldorado
Interlagos
Raposo Tavares
West Plaza
Pirituba
Light
Butantã
Portal do Morumbi
Metrô Itaquera
Continental
Bourbon/Matarazzo
Pompéia Nobre
Kinoplex/Brascan
Santana Parque
Santana
Top Center
Frei Caneca
Lar Center
Center Norte
Central Plaza

Shoppings com liminar

Villa Lobos
Center Norte
Lar Center
Jardim Sul
Mooca Plaza
Aricanduva

Fonte:
Folha de São Paulo / EVANDRO SPINELLI e ROGÉRIO PAGNAN

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Imóveis: segmento de luxo está em plena expansão no Brasil, diz especialista

SÃO PAULO – O mercado imobiliário é altamente segmentado, com imóveis que atendem desde a baixa renda até aqueles que têm milhões para gastar. E, de acordo com a administradora de bens, Primar, o segmento de luxo está em expansão no Brasil, especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

O público que procura esse tipo de imóvel valoriza, sobretudo, a localização. “Eles querem imóveis com a melhor localização possível. Não dão tanta importância ao que tem dentro do apartamento na hora de comprar, mesmo porque, o que estiver faltando eles colocam”, analisa o advogado imobiliário Carlos Samuel de Oliveira Freitas.

Preços crescem 200%
O advogado ainda destaca que a alta demanda vem pressionando bastante os preços das unidades habitacionais de luxo. Citando dados do Secovi-Rio (Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro) Freitas pontua que, só nos últimos cinco anos, o preço dos imóveis de alto padrão aumentaram 200% no Rio de Janeiro.

Como medida de comparação, mostra que as demais categorias imobiliárias registraram crescimento de 150%. "Ipanema e Leblon, considerados os bairros cariocas mais cobiçados, possuem o metro quadrado mais caro do Brasil", aponta.

Investimento em segurança e infraestrutura
Entre os fatores que ajudaram a aumentar os preços nesse segmento, segundo Freitas, está a escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016. Os investimentos em segurança pública e infraestrutura, por conta da realização dos eventos, melhoraram muitas regiões e permitiram o aumento dos preços.

"Ações como a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram fundamentais para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Rio e para a valorização das edificações. A segurança é primordial, especialmente quando o assunto é imóveis de alto padrão. Quem compra um imóvel de luxo quer privacidade e tranquilidade", observa.

Além disso, conta para o aumento dos preços a escassez de espaço para novos lançamentos e construções nos bairros mais procurados do Rio de Janeiro, como Ipanema, Leblon e algumas áreas de Copacabana. “Essas regiões estão sempre em ebulição. Se uma unidade é posta a venda, não fica no mercado por muito tempo”, diz o especialista.

Inclusive, segundo ressalta Freitas, existe certa dificuldade atualmente para encontrar imóveis de alto padrão. “Até tem oferta, mas estão caros demais”, diz.

Imóveis: segmento de luxo está em plena expansão no Brasil, diz especialista

SÃO PAULO – O mercado imobiliário é altamente segmentado, com imóveis que atendem desde a baixa renda até aqueles que têm milhões para gastar. E, de acordo com a administradora de bens, Primar, o segmento de luxo está em expansão no Brasil, especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

O público que procura esse tipo de imóvel valoriza, sobretudo, a localização. “Eles querem imóveis com a melhor localização possível. Não dão tanta importância ao que tem dentro do apartamento na hora de comprar, mesmo porque, o que estiver faltando eles colocam”, analisa o advogado imobiliário Carlos Samuel de Oliveira Freitas.

Preços crescem 200%
O advogado ainda destaca que a alta demanda vem pressionando bastante os preços das unidades habitacionais de luxo. Citando dados do Secovi-Rio (Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro) Freitas pontua que, só nos últimos cinco anos, o preço dos imóveis de alto padrão aumentaram 200% no Rio de Janeiro.

Como medida de comparação, mostra que as demais categorias imobiliárias registraram crescimento de 150%. "Ipanema e Leblon, considerados os bairros cariocas mais cobiçados, possuem o metro quadrado mais caro do Brasil", aponta.

Investimento em segurança e infraestrutura
Entre os fatores que ajudaram a aumentar os preços nesse segmento, segundo Freitas, está a escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016. Os investimentos em segurança pública e infraestrutura, por conta da realização dos eventos, melhoraram muitas regiões e permitiram o aumento dos preços.

"Ações como a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram fundamentais para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Rio e para a valorização das edificações. A segurança é primordial, especialmente quando o assunto é imóveis de alto padrão. Quem compra um imóvel de luxo quer privacidade e tranquilidade", observa.

Além disso, conta para o aumento dos preços a escassez de espaço para novos lançamentos e construções nos bairros mais procurados do Rio de Janeiro, como Ipanema, Leblon e algumas áreas de Copacabana. “Essas regiões estão sempre em ebulição. Se uma unidade é posta a venda, não fica no mercado por muito tempo”, diz o especialista.

Inclusive, segundo ressalta Freitas, existe certa dificuldade atualmente para encontrar imóveis de alto padrão. “Até tem oferta, mas estão caros demais”, diz.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Grifes lançam 'loja dos sonhos' em pontos de luxo, onde cliente testa de chinelo a geladeira

Grandes marcas têm investido fortemente na criação de "flagship stores", ou lojas-conceito, no Brasil. Nelas, o consumidor tem acesso às últimas novidades das empresas e podem, ainda, experimentar produtos.

Nos últimos meses, a montadora Citroën e a marca de lingerie Hope abriram lojas do tipo em áreas nobres de São Paulo. Elas se juntaram a marcas como C&A, Valisere, Samsung, Electrolux e Havaianas, entre outras, que já investem no modelo.

Em comum, as lojas-conceito têm também o design diferenciado, com produtos expostos em espaços criados por arquitetos renomados. O projeto da flagship da Havaianas é de Isay Weinfeld; a loja-conceito da marca de lingerie Valisere foi criada por Patricia Anastassiadis.

O Espaço Conceito da Citroën foi montado na Rua Oscar Freire, na zona oeste de São Paulo, em abril deste ano, e é o primeiro do tipo que a empresa abre fora da Europa.

Além de apresentar os mais novos modelos de carro, o espaço tem exposições e workshops, além de uma loja onde o consumidor pode comprar "souvenirs" da marca, como lápis, canetas, canecas, camisetas e miniaturas de veículos.

A marca de lingerie Hope também abriu sua primeira "loja dos sonhos" este ano, igualmente na Rua Oscar Freire.

O grande diferencial da loja é o serviço de customização de produtos --os consumidores podem pedir a aplicação de monogramas ou cristais nas peças, por exemplo. Consultoras de estilo ajudam as clientes a fazerem as escolhas mais adequadas ao seu tipo físico.

"Flagship serve para representar universo da marca"

Em 2010, a Electrolux abriu a primeira "flagship store" da marca no mundo no bairro dos Jardins, em São Paulo. Lá funciona um showroom com as novidades da empresa, que podem ser testadas pelos consumidores.

A loja-conceito da Samsung, chamada de Samsung Experience, funciona no Shopping Morumbi, na zona Oeste de São Paulo, e também dá ao consumidor a oportunidade de testar as novidades da empresa.

"A flagship é um espaço que deve representar o universo da marca", diz Amnon Armoni, coordenador dos cursos de pós-graduação em Moda da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).

O professor diz que lojas do tipo, apesar de contarem com alto investimento por parte das empresas, nem sempre são criados para darem retorno financeiro. O objetivo é que o consumidor conheça as marcas e tenha boas experiências com ela, o que pode influenciar positivamente numa decisão de compra no futuro.

"A flagship é, sobretudo, um investimento das empresas em comunicação", afirma Armoni.

Aiana Freitas
Do UOL, em São Paulo

quinta-feira, 12 de julho de 2012

BNDES aprova empréstimo de R$ 400 milhões para obra do Itaquerão

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o empréstimo de R$ 400 milhões para a construção do Itaquerão. O anúncio da liberação dos recursos foi feito nesta quarta-feira em comunicado enviado pelo banco.

O empréstimo é o nono da linha BNDES ProCopa Arenas, que financia obras de estádios da Copa do Mundo de 2014. O valor do crédito será repassado à Sociedade de Propósito Específico (SPE) Arena Itaquera S.A., formada por Jequitibá Patrimonial S.A. e Odebrecht Participações e Investimentos S.A..

O Itaquerão será o estádio de São Paulo para a Copa. A obra custará, oficialmente, R$ 820 milhões. Entretanto, o governo do Estado deve investir mais R$ 70 milhões na arena para que sua capacidade seja ampliada para o Mundial.

Com esse dinheiro, o estádio deve ganhar 20 mil assentos temporários e estará apto a receber 68 mil torcedores. Assim, ele terá a capacidade exigida pela Fifa para que possa sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho de 2014.

Além do Itaquerão, outros oito estádios já receberam financiamento do BNDES: Mineirão, de Belo Horizonte (R$ 400 milhões); Arena Pantanal, de Cuiabá (R$ 393 milhões); Castelão, de Fortaleza (R$ 351,5 milhões); Arena Amazônia, de Manaus (R$ 400 milhões); Arena das Dunas, de Natal (R$ 396,5 milhões); Fonte Nova, de Salvador (R$ 323,7 milhões); Arena Pernambuco, de Recife (R$ 400 milhões); e o Maracanã, do Rio de Janeiro (R$ 400 milhões).

Outros dois estádios aguardam a aprovação do empréstimo pelo BNDES. São eles, a Arena da Baixada, de Curitiba, e o Beira-Rio, de Porto Alegre.

Dos 12 estádios da Copa do Mundo, o único que não será apoiado pelo BNDES será o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Obras em aeroportos não terminarão até a Copa e é preciso pensar em um "Plano B", diz Ipea

Estudos realizados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que 11 dos 14 aeroportos localizados em cidades que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014 não deverão ter concluído suas reformas e ampliações até o início do evento.

A informação é do coordenador de Infraestrutura Econômica da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais do Ipea, Carlos Campos, que participou de audiência pública sobre aviação civil no Senado na última quarta-feira.

"No atual estágio dos terminais de passageiros e considerando os prazos médios de obras de infraestrutura no Brasil, existe uma reduzida possibilidade de no início do Copa tudo estar pront", alertou Carlos Campos, defendendo que é preciso trabalhar com um plano “B”, como a construção de terminais temporários, que não podem, no entanto, virar permanentes.

Segundo o técnico do Ipea, dos 20 maiores aeroportos do Brasil, 14 operam acima de 100% da capacidade. Dentre eles, cinco – Galeão (Rio de Janeiro), Confins (Belo Horizonte) e os de Recife, Curitiba e Fortaleza – atuam no limite de sua eficiência operacional.

A solução, na avaliação do coordenador do Ipea, é investir no setor. Dados do instituto apontam que, nos últimos anos, a Infraero investiu em infraestrutura aeroportuária menos de 50% dos recursos orçamentários disponíveis. Mas mesmo que todo o orçamento fosse investido, ainda assim teriam sido insuficientes para adequar o setor à sua crescente demanda.

Carlos Campos alertou também para a demora nos processos de transferência da infraestrutura dos aeroportos para a iniciativa privada. Dos 13 aeroportos das 12 cidades sedes dos jogos da Copa do Mundo, apenas dois têm situação confortável – o de Recife, onde será apenas construída uma torre de controle, e o de Natal, que já foi privatizado. Dos 11 restantes, apenas três tiveram o processo de concessão concluído (Brasília, Garulhos e Viracopos) e quatro ainda estão com concessão em fase de projeto.

sábado, 30 de junho de 2012

A expansão da cidade - Os bairros que mais recebem imóveis novos em São Paulo

A cidade hoje se expande para bairros mais centrais e não necessariamente ricos em amplos terrenos

São Paulo – Os bairros campeões de lançamentos imobiliários dos primeiros cinco meses de 2012 diferem, em grande parte, daqueles que estavam no topo da lista no mesmo período do ano passado. Enquanto que regiões com grande oferta de terrenos e mesmo de alto padrão se destacavam em 2011 – como Morumbi (foto), Brooklin e Vila Nova Conceição – neste ano são os bairros mais adensados das Zonas Oeste e Sul, bem como os da Zona Leste próxima ao Centro que se destacam.

Levantamento da imobiliária Lopes feito a pedido de EXAME.com mostra os bairros da capital paulista que foram campeões de lançamentos em unidades de janeiro a maio de 2012. Na lista dos seis primeiros lugares - os mais significativos -, há representantes de todas as regiões, com lançamentos tanto da própria Lopes quanto de outras empresas. O levantamento levou em conta o Valor Geral de Vendas (VGV), métrica que considera a receita potencial que os empreendimentos lançados podem gerar. Veja abaixo para onde a cidade se expande:

1. Tatuapé
O bairro paulistano que mais se destaca em lançamentos neste início de ano é o Tatuapé, na Zona Leste, cujo Valor Geral de Vendas (VGV) é de 513 milhões de reais. Esse é quase o mesmo VGV do bairro campeão nos primeiros cinco meses do ano passado, o Morumbi, cujo valor lançado foi de 531 milhões de reais.

“O Morumbi sempre teve grande volume de lançamentos, mais terrenos e áreas menos exploradas. Mas também houve muitos lançamentos no ano passado, e o mercado não absorveu tudo. O Tatuapé, por sua vez, tinha projetos grandes, em terrenos igualmente grandes, que demoraram a ficar prontos, mas foram lançados neste ano”, diz Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da Lopes.

Ela cita alguns empreendimentos lançados neste início de ano no Tatuapé: o You Metropolitan, empreendimento misto comercial e residencial, com apartamentos de um ou dois quartos; e o Helbor Boulevard Tatuapé (foto), prédio residencial com apartamentos de três quartos e 100 metros quadrados. Ambos, diz Mirella, são próximos ao metrô Tatuapé e ao shopping de mesmo nome, além de terem sido completamente vendidos no primeiro dia.


2. Perdizes
O segundo lugar ficou com o bairro de Perdizes, na Zona Oeste, com Valor Geral de Vendas de 455 milhões de reais. De janeiro a maio de 2011, o bairro sequer aparecia entre os dez campeões de lançamentos. Apesar de ser um bairro adensado, ainda há espaço para verticalizar. “É uma região de muitas casas de terrenos pequenos. Não há mais uma área mais nobre e uma menos nobre. Já existem prédios de excelente padrão em ruas onde só há casas e já estão sendo transformadas”, diz Mirella Parpinelle.

Segundo ela, o futuro comprador interessado em Perdizes vai também se interessar pela Barra Funda, que foi o nono bairro com mais lançamentos em valor de vendas deste início de ano. Próximo a Perdizes, Pinheiros também se destacou em lançamentos de janeiro a maio, com 241 milhões de reais em VGV, ficando na sétima posição. Mirella Parpinelle destacou a região da Faria Lima entre a Avenida Rebouças e o Largo da Batata, que vem sendo revitalizada. “As ruas paralelas à Faria Lima são ótimas para quem quer morar perto do trabalho, em um eixo maravilhoso, próximo à Avenida Paulista e à Marginal Pinheiros”, diz a diretora da Lopes.

3. Campo Belo
Em segundo lugar de janeiro a maio no ano passado, o bairro do Campo Belo, na Zona Sul, continua campeão em lançamentos, mas desta vez em terceiro lugar, com 375 milhões de reais em Valor Geral de Vendas (VGV). É um pouco menos do que seus 490 milhões de reais de 2011. De acordo com a diretora da Lopes, Mirella Parpinelle, esses lançamentos são reflexos da Operação Água Espraiada, projeto urbanístico e viário que visa a revitalizar a região. “Numa sequência, outro bairro beneficiado com lançamentos será o Brooklin”, observa Mirella.

Um exemplo de lançamento feito na região neste início de ano é o empreendimento de alto padrão Altto Campo Belo (foto), com apartamentos de 485 metros quadrados e cinco suítes, ou duplex de 838 metros quadrados.

4. Vila Mariana
Ainda na Zona Sul, a Vila Mariana vem em quarto lugar, com 328 milhões de reais em Valor Geral de Vendas (VGV). Ausente da lista dos campeões de lançamentos do ano passado, o bairro é rico em infraestrutura, ainda dispõe de bons e amplos terrenos para construção e tem perfil de classe média alta. Um dos exemplos de lançamentos é o d.o.t Ibirapuera Living (foto), parte residencial de um empreendimento misto localizado próximo ao parque homônimo, na altura da estação Ana Rosa do metrô. Os apartamentos são compactos e possuem um ou dois dormitórios.

A opção mais em conta à Vila Mariana, para a classe média de menor poder aquisitivo, é o bairro da Saúde, um pouco mais ao Sul, que agora passa por um período mais intenso de verticalização. No início deste ano, a Saúde foi a oitava colocada em lançamentos, com VGV de 190 milhões de reais.

5. Moóca
Outro representante da Zona Leste – mais para a região central de São Paulo, uma fronteira de expansão imobiliária – a Mooca vem em quinto lugar, com Valor Geral de Vendas (VGV) em 324 milhões de reais. No bairro, que ainda contava com grandes terrenos para venda, foi lançado, por exemplo, o empreendimento de médio padrão SP Mooca Urban Life (foto), com apartamentos de dois, três ou quatro dormitórios, variando de 65 a 117 metros quadrados. Segundo Mirella Parpinelle, bairros próximos que devem apresentar um bom número de lançamentos mais para frente são a Barra Funda e o Bráz.

6. Santana
O representante da Zona Norte na lista é o tradicional bairro de Santana, onde foram lançados 253 milhões de reais em Valor Geral de Vendas (VGV) nos primeiros cinco meses do ano. Segundo Mirella Parpinelle, Santana se assemelha a Perdizes por ser um bairro ainda de muitas casas e terrenos pequenos, o que dificulta um pouco a verticalização. “Santana é um bairro de grande desejo do morador da própria região. O público é bairrista e gosta de manter suas raízes”, observa a diretora da Lopes. Ela cita o lançamento do empreendimento Boreal Santana (foto), com apartamentos de quatro quartos ou três suítes, próximo à Bráz Leme, uma das vias principais do bairro.

Fonte: Exame

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Governo quer mais contratações na faixa 1 do "Minha Casa, Minha Vida"

Governo quer acelerar as contratações de imóveis voltados à faixa da população de renda mais baixa.

Belo Horizonte - O governo federal tem como prioridade, no âmbito do Programa "Minha Casa, Minha Vida", acelerar as contratações de imóveis voltados à faixa da população de renda mais baixa, cujo desempenho desde o lançamento do projeto está abaixo do esperado.

"Há uma obsessão para que as metas da faixa um sejam cumpridas", disse nesta quinta-feira a diretora de Infraestrutura Social do Ministério do Planejamento, Maria Fernanda Caldas, durante Encontro Nacional da Indústria da Construção, em Belo Horizonte.

"Vamos tomar todas as medidas necessárias para que a meta se realize", acrescentou ela, citando, entre as medidas, o incentivo a parcerias público-privadas. "O programa só vai dar resultado com parcerias." Desde que a primeira etapa do programa foi lançada, em 2009, foram contratadas cerca de 1,8 milhão de unidades, sendo quase 800 mil dentro da segunda fase do projeto, que prevê 2,6 milhões de moradias contratadas até 2014.

Deste montante, 60 por cento dos imóveis devem ser destinados a famílias com renda mensal de até três salários mínimos.

No resultado acumulado até agora, entretanto, a maior parcela de contratações ocorreu na faixa 2 -famílias com renda de três a seis salários mínimos-, 835,6 mil unidades, contra 706,5 mil na faixa mais baixa.

"Embora no acumulado (o resultado) esteja abaixo da meta, nossa leitura é favorável", disse Maria Fernanda. "Entre os desafios, acelerar as contratações na faixa 1 é prioridade." Entre os fatores que têm travado o avanço do programa para a população de baixíssima renda, o principal, citado por representantes do setor, é o descolamento dos custos de produção em relação aos valores estipulados pelo governo.

"A questão das cidades e dos valores tem sido o grande obstáculo... as mudanças são urgentes", afirmou o vice-presidente de Governo e Habitação da Caixa Econômica Federal, José Urbano Duarte, durante o Enic.

No mês passado, foi aprovado o aumento do valor comercial, de 75 mil para 85 mil reais, de imóveis a serem classificados como populares e, assim, entrarem no Regime Especial de Tributação (RET) da construção civil no âmbito do programa.

Em abril, o governo havia fixado em 25 mil reais o valor do subsídio a cada unidade habitacional em municípios com até 50 mil habitantes.

Segundo Maria Fernanda, a questão de novos ajustes está em debate. O governo pondera, contudo, "a necessidade de controlar o programa em nível nacional".

Ainda conforme ela, o governo irá liberar em um primeiro momento a contratação média de até 50 por cento acima do valor dos imóveis, de acordo com o tamanho do déficit habitacional de cada cidade.

"Será um aumento quase automático de 50 por cento, respeitando o limite da União Federativa, distribuído conforme o déficit das cidades", afirmou.

Também na defesa de mudanças nos termos do programa, o presidente-executivo da MRV Engenharia, Rubens Menin, assinalou a necessidade de não preterir a segunda faixa de renda dentro do projeto.

"Precisamos muito da faixa 2, onde está 60 por cento da população, para não haver desequilíbrio... o programa tem que ser aperfeiçoado na faixa 1, mas temos que prestar atenção na faixa 2", ressaltou.

Fonte: Reuters

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A PDG está sem dono e sem brilho

A PDG, maior incorporadora do país, era comandada por um presidente que queria sair e um sucessor que não queria ficar — e seu valor de mercado caiu 60% em um ano.
São Paulo -Por quase seis anos, a dupla formada pelos cariocas José Antonio Gra­bowsky e Michel Wurman virou o mercado imobiliário brasileiro de pernas para o ar. Fundadores da incorporadora PDG, ambos vindos do mercado financeiro, os executivos imprimiram à empresa um ritmo de tirar o fôlego.

Quatro anos e uma série de aquisições depois, já comandavam a maior incorporadora do país — Gra­bowsky na presidência e Wurman no departamento financeiro. Foi um fenômeno. Entre 2007 e 2011, as ações da PDG na Bovespa valorizaram 124%, o triplo do Índice Bovespa, que reúne as maiores empresas listadas do país.

A PDG faturou 6,8 bilhões de reais no ano passado. Tudo correu às mil maravilhas até que, de repente, a sintonia que regia a dupla foi-se embora. De um ano para cá, o valor de mercado da PDG caiu 60%. Em abril, a empresa anunciou que as obras estavam custando mais caro que o previsto.

No primeiro trimestre, o lucro caiu 79%. E, para completar o enredo, Wurman deixou a empresa de maneira surpreendente em maio. As ações caíram tanto que, no final daquele mês, o fundo de investimentos Vinci anunciou uma oferta para voltar ao controle da PDG (posição ocupada pela Vinci até fevereiro de 2010).

Nas últimas semanas, EXAME ouviu conselheiros, executivos e ex-funcionários da PDG para reconstruir a história de seu espetacular tropeço recente. Não é de surpreender que essa história gire em torno dos dois mandachuvas.

A dupla viveu um período conturbado, e no pior momento possível — foi no último ano, afinal, que os resultados se deterioraram e ficou claro que haveria pela frente um árduo processo de reestruturação. O estopim da crise, que acabaria com a parceria e destruiria anos de amizade, foi a sucessão de poder na maior incorporadora do país.

Em novembro, Grabowsky avisou o conselho de administração da PDG que deixaria a presidência da empresa em 2012, ocuparia um assento no conselho e passaria o bastão a seu braço direito.

O plano estava tão adiantado que Grabowsky acertava os detalhes finais de sua ida para a Vinci, onde participaria da gestão de um fundo imobiliário. Em um semestre, tudo foi por água abaixo. Wurman deixou a empresa e Gra­bowsky teve de adiar sua saída. Hoje, os dois mal se falam.

Por que a sucessão da PDG deu errado? Segundo EXAME apurou, Wurman desistiu do acordo (nas palavras de um conselheiro, “aos 47 minutos do segundo tempo”) ao constatar que a presidência da empresa lhe traria problemas de mais e dinheiro de menos. Se o período de Grabowsky à frente da PDG seria conhecido como a “época de ouro”, a gestão de Wurman seria a do ajuste.

Com custos em alta e lançamentos em baixa, a PDG entra agora, assim como quase todas as construtoras do país, numa fase menos exuberante. Seria necessário, segundo Wurman tem dito a amigos, cortar custos drasticamente — algo que só os executivos sádicos gostam de fazer.

Segundo um conselheiro ouvido por EXAME, o executivo até topava a tarefa — desde que fosse muito bem recompensado e que seu mandato fosse de um ano. Wurman alegou que a PDG passaria por um teste de credibilidade no mercado motivado por aquilo que ele via como um conflito de interesses nascido a partir da relação da Vinci com a PDG.

Mesmo depois de ter vendido sua participação em 2010, o fundo tem dois representantes no conselho de administração — cujo presidente é Gilberto Sayão, fundador da Vinci. A ida de Gra­bowsky da presidência da PDG para o fundo poderia, na visão de Wurman, pegar mal.

Afinal, a Vinci ia querer o melhor para a PDG, onde tem uma participação irrisória, ou para seu próprio fundo imobiliário? Para os defensores da Vinci, o conflito de interesses não existe — o fundo imobiliário seria dedicado à compra e à administração de imóveis comerciais, e a principal atividade da PDG é a incorporação de imóveis residenciais (a PDG deixou o mercado de imóveis comerciais em novembro de 2011).

Como no mercado financeiro tudo tem seu preço, Wurman condicionou sua permanência à aprovação, pelo conselho, de um novo e gordo pacote de remuneração. A proposta não foi bem recebida, já que a empresa estava para anunciar seus maus resultados do primeiro trimestre.

Como a ideia não vingou, Wurman desistiu. No final de março, comunicou ao conselho que deixaria a empresa. Ele tem em mãos uma proposta de trabalho do banco de investimento BTG Pactual — o que gerou, entre seus novos inimigos, a versão de que a saída já estava acertada há tempos.

Sua atitude é descrita por conselheiros como “irresponsável”. Já Gra­bowsky abandonou, pelo menos por enquanto, os planos de voltar ao mercado financeiro. Na conferência de resultados do dia 11 de maio, ele atribuiu a saída de Wurman a uma decisão do conselho da PDG, que entendeu que o executivo não era o nome mais indicado para o cargo.

Na segunda-feira seguinte, as ações caíram 10%. Procurados, Wurman, Grabowsky e os executivos da Vinci não quiseram se pronunciar.

Enquanto era tocada por um presidente que não queria ficar e um substituto doido para sair, a PDG se transformou num estudo de caso dos limites do modelo das “corporations”, empresas sem bloco de controle definido. Apenas sete companhias listadas na Bovespa têm essa estrutura de comando.

Nos Estados Unidos, o comum é que os conselhos de administração sejam compostos por acionistas, que têm muito a perder quando a companhia vai mal. Na PDG, os membros do conselho detêm apenas 0,53% das ações. O dia a dia da companhia acaba, portanto, nas mãos dos principais executivos — que, como se viu, estavam com a cabeça um tanto distante.

Além do bafafá sucessório, a empresa passou por momentos constrangedores. Em março, a PDG divulgou, em um relatório enviado à Comissão de Valores Mobiliários, que três diretores utilizaram derivativos para se proteger de possíveis quedas no valor das ações — em uma dessas operações, o diretor ganhava mais à medida que os papéis desvalorizassem.

“Numa empresa normal, esses executivos teriam sido demitidos”, diz um conselheiro que pediu para não ser identificado. “A manutenção dos três só mostra como ninguém aqui dentro se importa com o que acontece na PDG.” O tipo de operação financeira feita pelos executivos, embora não seja ilegal, foi proibido pelo conselho dois meses depois.

Em maio, com as ações da PDG próximas de seu menor valor desde 2009, a Vinci anunciou sua intenção de voltar ao comando da companhia com um investimento de 800 milhões de reais. Se aprovado, o negócio dará ao fundo uma série de direitos. Na prática, a Vinci terá o controle da empresa.

A manobra, que ameaça diluir os demais acionistas num momento em que as ações já estão deprimidas, não foi bem recebida pelo mercado. Mesmo assim, alguns analistas celebraram a possível volta da figura de um “dono”. Segundo executivos ligados à PDG, o plano da Vinci é aproveitar as sinergias entre as três construtoras compradas nos últimos anos, Goldfarb, CHL e Agre.

Até maio, essas construtoras funcionavam como entidades independentes. Executivos da PDG afirmam que há pelo menos 100 milhões de reais em custos para cortar. O aporte de capital prepararia a empresa para uma eventual deterioração no mercado de crédito em função da crise europeia. Os acionistas da PDG decidirão em julho se querem voltar a ter um controlador para chamar de seu.

Carolina Meyer

Fonte: Exame

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Avessas a IPOs, construtoras menores focam em nichos para crescer

Incorporadoras de menor porte aprenderam que é preciso ter foco de atuação para sobreviver no cenário de concorrência acirrada

SÃO PAULO - A corrida desenfreada de construtoras e incorporadoras rumo à Bovespa em 2006 e 2007 deixou como legado uma nova geração de companhias que aprenderam com os erros das veteranas e assumiram certa aversão à abertura de capital.

Integrantes de um setor bastante fragmentado, formado em grande parte por empresas familiares, construtoras e incorporadoras de menor porte aprenderam que é preciso ter foco de atuação para sobreviver no cenário de concorrência acirrada.

"Quem cresceu demais perdeu a mão... Não acredito em crescimento indeterminado", disse o presidente da Vitacon, construtora e incorporadora com atuação apenas em São Paulo criada há cerca de três anos, Alexandre Lafer Frankel.

Frankel citou PDG Realty e Cyrela Brazil Realty como exemplos de "aprendizado com erros de empresas de capital aberto".

Na onda da euforia vivida pelo mercado imobiliário entre 2008 e 2010, as maiores companhias do setor diversificaram o mix de produtos, ingressaram em novas regiões e começaram a trabalhar com parceiros.

Hoje, após terem seus balanços pressionados por tamanha diversificação, essas mesmas empresas passaram a abandonar regiões com baixa escala, focar a produção em determinado segmento e descartar a terceirização.

"Atuar em determinado nicho é o diferencial, com profissionalização", acrescentou Frankel. "Não adianta querer fazer tudo porque não dá certo."

A especialização, de fato, parece ser a alavanca -e o mantra- das empresas pequenas e médias no setor.

Formada a partir do banco Modal, mas hoje totalmente independente da instituição, a MDL Realty deve fechar este ano com R$ 450 milhões em lançamentos, com operações concentradas em São Paulo e Rio de Janeiro.

"A escala nacional e o aumento do volume (de produção) tiram o brilhantismo do processo", disse o diretor da MDL Realty Ricardo Freitas. "Esse é o problema das empresas grandes, que não estão conseguindo entregar os 'guidances' prometidos, porque os custos aumentaram muito."

O cenário traçado aponta para a tendência de um mercado formado muito mais por grandes empresas regionais do que nacionais.

"Neste setor, para ganhar dinheiro, não é preciso necessariamente crescer muito, mas melhorar a eficiência operacional, com foco no que se sabe fazer... Estar em todas regiões do Brasil faz perder dinheiro e escala", disse o presidente da Mudar, construtora voltada ao segmento econômico em São Paulo e Rio de Janeiro, Augusto Martinez de Almeida.

Ao notarem que o preço de gerenciar custos, parceiros e obras, somado à perda de escala, era alto demais, boa parte das grandes companhias hoje listadas na Bovespa vêm anunciando a saída de determinadas regiões e o fim de parcerias. Esse recuo, entretanto, tem saído caro até que todas as contas sejam ajustadas e as operações colocadas em ordem.

A equipe de análise do Credit Suisse afirmou, em relatório no mês passado, que "as construtoras menores devem ter vantagem competitiva nos próximos trimestres em função de menores complexidades e maior controle", citando como exemplos Tecnisa, Helbor e EZTec, esta última, com operação concentrada apenas em São Paulo.

Aversão ao IPO
Além do aprendizado quanto à especialização, a onda de ofertas públicas iniciais (IPOs, em inglês) de construtoras e incorporadoras, há cerca de seis anos, fez o sinal vermelho acender para as empresas que têm subido um degrau por vez.

Hoje, o setor imobiliário contabiliza cerca de 20 empresas listadas na Bovespa -considerando também as administradoras de shopping centers.

"Fiquei preocupado com aquele 'frenesi' de abertura de capital, em 2006", disse Almeida, da Mudar. "Foi uma decisão acertada não abrir nosso capital... Investidores que compraram esses papéis estão sofrendo e certas empresas tecnicamente estariam quebradas pela dívida que têm."

Frankel, da Vitacon, faz coro: "O modelo das empresas que estão na bolsa se mostrou ineficaz e elas estão desintegrando valor... Hoje a preocupação maior dessas empresas é com o preço da ação."

Com o capital fechado, a Vitacon tem recebido propostas de compra, fusão e investimento, segundo ele.

Menos radical, Freitas, da MDL Realty, não descarta realizar um IPO da companhia, mas assinala que o momento atual não é favorável.

"O IPO é mais uma forma de colocar recursos dentro da empresa. Eztec e Helbor, por exemplo, fizeram bem feito e focaram as operações em poucas regiões", avaliou.
Fonte: Estadão

Setor da construção lança seguro que garante entrega do imóvel

Novo instrumento dará segurança e tranquilidade ao comprador e ao mercado

Um seguro que permitirá ao comprador a garantia de entrega do imóvel adquirido antes e ou durante a construção será lançado nesta quarta-feira no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

O Seguro Garantia de Entrega de Obra foi desenvolvido, durante quatro anos, em parceria com uma seguradora e uma resseguradora francesas, afirmou o presidente da Cbic, Paulo Simão. “Ele dá a garantia ao consumidor de que vai receber a unidade que comprou pelo preço e nas especificações assinados no contrato inicial”, disse.

Paulo Simão avaliou que o novo instrumento dará segurança e tranquilidade também ao mercado. “Porque reduz os riscos da obra, tem benefício nas taxas de financiamento,facilita as vendas, o que diminui o custo de lançamento e de comercialização, além de ser uma garantia enorme para o mutuário”, ressaltou.

O presidente da Cbic admitiu que o seguro poderá ser aplicado também para os imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida, “com algumas modificações, porque o programa é coletivo e abrange a construção de muitas unidades”.

A câmara está pensando em adequar o produto nacional ao que já ocorre em outros países, onde o consumidor tem garantia de segurança após a entrega das obras por um período de dez anos em relação à qualidade do imóvel adquirido. “Isso ainda não incorporamos ao processo, mas já estamos estudando para, proximamente, fazer a adequação desse benefício. É um produto de vanguarda, que existe no mundo inteiro, inédito no Brasil”.
Fonte: O Dia OnLine

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Arquitetura e design mais populares chegam à classe C

A feira ‘Morar Mais por Menos’ surgiu em 2004 com a proposta de ampliar o público consumidor do setor.

“Quebramos um paradigma. Arquitetos não devem atender apenas à classe AA”. A frase da empresária Lígia Schuback resume seu sentimento ao procurar, alguns anos atrás, o serviço de profissionais da área de arquitetura e observar vitrines de lojas de decoração em busca de bons móveis para a casa de sua filha, prestes a se casar. O maior problema, lembra, estava nos preços altos a serem pagos, tanto em produtos como em serviços básicos na área de design de interiores.

Em 2004, Lígia transformou as dificuldades em oportunidade e em um novo negócio. A empresária criou a feira de decoração Morar Mais por Menos, no Rio de Janeiro. Seu desejo era poder apresentar ao público móveis e acessórios mais baratos que a média do mercado, mas com a mesma exigência em sofisticação. Diferentemente de outras mostras, todos os produtos seriam negociados e comercializados. “Isso surgiu de uma realidade. Os visitantes não tinham todas as informações sobre os ambientes, por isso buscamos mais transparência e bons preços”.

Os conceitos de sustentabilidade e inclusão social também passaram a ser agregados, a cada nova edição, ao portfólio dos profissionais participantes, ao priorizarem produtos ecologicamente corretos e com colaboração de ONGs e artesãos. Aos poucos, o evento conseguiu atender a uma nova demanda no mercado brasileiro de design, preenchida pelas classes B e C e pelo público jovem. “Nosso público é bem eclético. Vai desde a classe AA até estudantes, que querem simplesmente mudar algo em seu quarto”, ressalta Lígia. Hoje, a marca Morar Mais chega a oito capitais brasileiras.

A próxima edição começa em Brasília, em 1º de agosto. Na capital federal, a expectativa é que o público de 10 mil visitantes registrado em 2011 dobre neste ano. É a sexta edição brasiliense, que contará com 50 ambientes planejados entre salas de estar, quartos e cozinhas, na Casa do Candango. No Rio, à beira da lagoa Rodrigo de Freitas, as exposições serão inauguradas em setembro.

Custo acessível

Segundo William Brandão, curador e licenciado do evento em Brasília, é possível encontrar no mercado nacional design por custo mais acessível. “O importante é ter consciência do investimento, sem repetir tendências de design europeias”.

Outra característica do evento é reservar 20% do espaço da exposição para profissionais iniciantes no mercado. Em média, 25 empresas, entre fornecedores e lojistas, apoiam cada ambiente – somando, aproximadamente, R$ 50 mil em produtos e serviços. A edição carioca, que é a maior, deve faturar R$ 3,5 milhões neste ano, o dobro da receita nos outros estados, e receber até 40 mil pessoas.

O Morar Mais, no entanto, ainda não se firmou no principal mercado do país – seja de luxo ou emergente – para arquitetos, designers e paisagistas. “Não encontramos um licenciado à altura de São Paulo”, conta Lígia. Ela explica os requisitos paulistanos: “o ideal seria um empresário extremamente bem sucedido, com grande capital para investimento e inserção social muito boa”.

Fonte: Brasil Econômico

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Apartamento tem área igual a 50 casas populares e vale R$ 22 mi

Empreendimento em São Paulo tem suíte de 230 metros quadrados e 12 vagas na garagem, mas está com um terço dos imóveis desocupados .

A planta chega a quase dois mil metros quadrados de área útil, o equivalente a cerca de 50 apartamentos do programa habitacional "Minha Casa Minha Vida". No imóvel de laje única de maior metragem da cidade de São Paulo, apenas a suíte principal ocupa 230 metros quadrados, espaço superior a apartamentos de classe média.

São 12 vagas à disposição na garagem, além de um terraço com piscina de 15 metros quadrados. Lançado em 2006, o empreendimento Adolpho Carlos Lindenberg ainda não conseguiu vender quatro de seus doze andares, incluindo o maior deles, avaliado em R$ 22,3 milhões.

Construído para ser um marco da capital paulista, o imóvel coleciona inúmeras extravagâncias. Além do tamanho faraônico, possui tratamento acústico das áreas privativas, sistema central de aspiração de ar e travas biométricas nos elevadores. As seis suítes ainda dividem espaço com uma sala de cinema.

O prédio, contudo, está localizado em uma rua fechada do Morumbi, bairro que teve a menor valorização dentre os cinco mais caros da cidade, segundo levantamento da FipeZap. De janeiro de 2008 a dezembro de 2011, o metro quadrado da região subiu 71%, ante 165% do Jardim Paulistano, por exemplo.

A alta no preço do imóvel também ficou aquém da média do mercado. Em 2006, o metro quadrado era vendido por R$ 5.500, enquanto hoje a média está em R$ 11.240, segundo o banco de dados do site 123i, referência no setor. A construtora Adolpho Lindenberg admite, porém, que as negociações estão girando atualmente em R$ 8 mil. Na Vila Nova Conceição, hoje o bairro mais nobre da capital, apartamentos de alto luxo chegaram a se valorizar 160% no mesmo período.

O público deste tipo de empreendimento está em busca de três coisas fundamentais: localização, objeto de desejo e bom investimento. Este último quesito, portanto, deixou a desejar. Mas essa não é uma constante no mercado de altíssimo padrão. Aliás, pelo contrário. A perspectiva de bons lucros voltou a atrair empresas para esse seleto nicho.

"O setor ficou carente desse tipo de produto nos últimos anos, mas agora há outro movimento. Com o juro em queda e a Bolsa em baixa, o imóvel passa a ter grande importância como fonte de renda e patrimônio", afirma Roberto Coelho da Fonseca, diretor de novos negócios da imobiliária Coelho da Fonseca.

A empresa, que desde 1989 possui um departamento de private brokers, tem bons motivos para estar otimista. No ano passado, vendeu em um único final de semana as 14 unidades do empreendimento Vitra, no Itaim Bibi, por até R$ 15 mil o metro quadrado. O prédio, que deve ser entregue em 2013, é revestido de vidro e leva a assinatura do arquiteto Daniel Libeskind, responsável pela revitalização do Marco Zero, em Nova York.

"Esse é um tipo de negócio para especialistas. Tem que saber exatamente o tamanho do apartamento, a localização e o tipo de público", alerta Marcos Goggi, diretor-presidente da imobiliária Vnc Pronto, responsável por um dos prédios mais caros da cidade de São Paulo. Localizado na Vila Nova Conceição, o L' Essence Vnc tem 726 metros quadrados, vendidos em média por R$ 29.500.

Copa de 2014 pode ampliar PIB em 1,5 ponto porcentual em três anos, diz Itaú

Fonte: Estadão.com

Segundo estudo do Itaú Empresas, geração de 250 mil postos de trabalho em caráter permanente será legado da Copa do Mundo para o Brasil.

A Copa do Mundo de 2014 tem potencial para ampliar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 1,5 ponto porcentual durante três anos - de 2011 a 2014 -, como resultado dos preparativos e legado do evento esportivo. Setores como hotelaria, transporte, comunicação, cultura, lazer e comércio varejista estão entre os destaques.

Uma das consequências desse crescimento econômico será a criação de 250 mil postos de empregos permanentes, com impacto de 1 ponto porcentual na taxa de desemprego do País.

Os dados são do Itaú Empresas, que conduziu um estudo sobre as consequências macroeconômicas da Copa de 2014, liderado pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn.

Além das estimativas, Goldfajn destaca o "efeito marca" que a Copa de 2014 trará ao País, pois vai colocar o Brasil em evidência mundial e atrair novas parcerias comerciais. "Existem estudos que mostram que os países-sede de grandes eventos esportivos aumentaram suas exportações em 30%", diz o economista-chefe.

Turismo

Durante a Copa do Mundo de 2014, a Fifa disponibilizará três milhões de ingressos para os jogos. A expectativa de entidade é de que 500 mil turistas estrangeiros desembarquem no Brasil no período.

Segundo o estudo do Itaú Empresas, até 2014 o incremento será de três milhões de turistas - sendo dois milhões de estrangeiros e um milhão de brasileiros viajando pelo País - que devem movimentar cerca de R$ 5 bilhões.

Na África do Sul - país-sede da Copa de 2010 - o crescimento do setor turístico foi de 25% após o evento.

Cronograma

Segundo o diretor de marketing da Fifa no Brasil, Jay Neuhaus, a entidade está tranquila quanto aos preparativos da Copa de 2014. "Sabemos que alguns projetos ficarão prontos no limite de tempo, mas estarão prontos", diz Neuhaus. Ele destaca o fato da Copa ter duração de apenas seis semanas, com 64 jogos entre nações: "Por esse motivo a palavra 'legado' é tão importante", diz.