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segunda-feira, 19 de março de 2012

Tombamentos demoram até 20 anos e SP mantém 1.237 imóveis 'congelados'

Conpresp não tem nenhum prazo para resolver os processos, que muitas vezes acabam sem recursos ou estímulos para conservação

São Paulo tem 1.237 imóveis com valor histórico e cultural que pouca gente conhece. Eles fazem parte de um patrimônio no limbo, à espera de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). Alguns estão nessa situação há mais de 20 anos.

De um lado, a espera pelo tombamento definitivo prejudica os proprietários, que ficam de mãos atadas e sem incentivo ou contrapartida da Prefeitura para manter o imóvel. De outro, atinge a população, que perde um pedaço da história paulistana para a burocracia. O abandono acaba sendo o destino natural de prédios congelados, mas sem preservação nenhuma.

Como não existe prazo para que um prédio com processo aberto seja tombado, o tempo de espera é imprevisível. Um exemplo é um conjunto de 41 casas e galpões industriais no Brás, que remontam ao início do século passado. O processo de tombamento foi aberto em 1990, dois anos após o Conpresp iniciar as atividades. Vinte e dois anos depois, o Conselho ainda não decidiu se tomba as casas, hoje em mau estado de conservação.

Para os proprietários, responsáveis ou locatários de prédios "congelados", qualquer pequena reforma precisa de autorização da Prefeitura. O ônus é o mesmo de um prédio tombado - o bônus, não.

"Se tombasse seria muito bom, pois poderíamos recorrer às leis de incentivo à cultura para financiar um projeto de restauro. Mas com o processo em aberto isso não é possível", conta Antônio Carlos Forte, superintendente de obras da Santa Casa, sobre o Hospital Geriátrico D. Pedro II, conhecido como Asilo do Jaçanã, "congelado" desde 2001. "Por outro lado, o hospital é uma estrutura viva. Cada novo equipamento demanda uma pequena reforma, e a autorização demora meses." O caso do asilo - projeto de 1906 assinado por Ramos de Azevedo - também exemplifica como algumas relíquias da arquitetura paulistana ficam desconhecidas da população enquanto o processo não anda.

Muitos paulistanos não sabem, por exemplo, do Mosteiro de Santa Teresa de Ávila, uma construção da década de 1940 repleta de azulejos portugueses e um enorme jardim. No bairro da Saúde, na zona sul da cidade, fica escondido atrás de um muro alto e uma parada de ônibus na Avenida Jabaquara. "O casarão foi construído em 1943, quando as irmãs doaram à Arquidiocese o terreno onde hoje funciona a PUC, em Perdizes", diz a madre superiora, Maria José de Jesus.

O imóvel abriga 23 feiras da Ordem das Carmelitas Descalças, que vivem em clausura. O exterior e uma pequena capela são abertos à visitação das 8h às 10h30 e das 15h às 16h30. Há missas diariamente, às 7h.

Sem valor significativo. Também acontece de o Conpresp manter um imóvel congelado e, anos depois, decidir não tombá-lo. Este mês, 15 casinhas nas Ruas Piauí e Mato Grosso, em Higienópolis, foram consideradas "sem valor significativo de caráter cultural, paisagístico e ambiental" - depois de oito anos completamente "congeladas".

Questionada, a Secretaria de Cultura diz que assuntos analisados pelo Conpresp "não obedecem ordem cronológica", mas têm prioridade áreas "que sofrem pressão por uma modificação mais rápida", quando há "grande mobilização de interessados na preservação" e maior risco de perda do bem que se pretende tombar. No caso de abertura de tombamento, o processo "pode ou não ser deliberado na primeira reunião em que foi pautado".

Fonte: Nataly Costa e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

sábado, 17 de março de 2012

Cidades brasileiras ficaram entre as 20 localidades com aluguéis mais altos para estrangeiros em 2011

Rio de Janeiro e São Paulo estão entre as vinte cidades com os aluguéis mais caros para expatriados no mundo, segundo pesquisa da ECA International citada pela revista The Economist. As duas cidades brasileiras subiram posições de 2010 para 2011: o Rio passou de 16º para 12º lugar, e São Paulo passou do 23º para o 17º lugar. As três cidades com aluguéis mais caros do mundo para expatriados continuam sendo Hong Kong, Tóquio e Moscou, nesta ordem.

A pesquisa da empresa de soluções para profissionais de RH levanta os valores dos aluguéis para propriedades de luxo locadas a estrangeiros em 130 cidades do mundo. A média mundial do aluguel para um apartamento de três quartos sem mobília foi de 3.080 dólares por mês, levando-se em conta imóveis localizados onde os estrangeiros costumam gravitar, geralmente localizados nas áreas mais nobres.

O aluguel médio desse tipo de imóvel no Rio de Janeiro foi de 5.210 dólares em 2011, apresentando uma alta de 20% em reais ou 30% em dólares em relação a 2010. No texto de divulgação da pesquisa, Lauren Smith, gerente geral da ECA International, atribui essa alta ao crescente interesse na cidade em função dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, o que teria resultado numa valorização semelhante até em áreas mais populares.

Já em São Paulo, os imóveis de três quartos ficaram em 17º lugar com um aluguel mensal de 4.547 dólares em média. A alta de 2010 para 2011 foi de 17% em reais e 27% em dólares americanos.

Nas Américas, a média do aluguel mensal foi de 3.010 dólares. As três cidades que ficaram acima do Rio foram Nova York, em quarto lugar no ranking geral com aluguel de pouco mais de 8.000 dólares, Caracas, sexto lugar geral com aluguel de 7.000 dólares, e Bogotá, oitavo lugar com aluguel de quase 6.000 dólares. Nas duas últimas localidades, executivos internacionais geralmente vivem em imóveis de alta segurança, com alugueis caros.

O aluguel para expatriados mais caro do mundo é encontrado em Hong Kong, onde o custo mensal de um apartamento de três quartos sai por 11.813 dólares. Em seguida, vem Tóquio, com aluguel de mais de 9.000 dólares, e Moscou, com aluguel de pouco mais de 8.000 dólares.

Fundo com Banco do Brasil e Odebrecht é o dono do Itaquerão, informa vice do Corinthians

Um fundo imobiliário criado pelo Banco do Brasil será o verdadeiro dono do Itaquerão. A informação consta de documento assinado pelo vice- presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosemberg, e enviado ao Ministério Público do Estado.

O Arena Fundo de Investimento tem dois sócios iniciais, a Odebrecht e o Banco do Brasil. “Tecnicamente, o Corinthians só será dono do estádio quando terminar de pagar a dívida de R$ 740 milhões, em 12 anos (incluindo juros e taxas de risco no total de R$340 milhões)”, revelou uma fonte ao UOL Esporte .

Nesse caso, a despesa anual do Corinthians ficaria acima de R$ 60 milhões ou cerca de R$ 5 milhões mensais, informou o mesmo analista.

A proposta de empréstimo enviada ao BNDES contempla também uma carência de até três anos para ser iniciado o pagamento.

Para agilizar o processo de aprovação das garantias oferecidas, os bancos envolvidos teriam exigido a consignação da renda do clube para evitar calote das parcelas, mas o clube não teria concordado.

Outra informação importante cerca o batismo da nova arena, que deverá abrir a Copa 2014: o direito de batismo do estádio (naming rights) faz parte do fundo de investimento e não seria vendido separadamente, segundo um analista que leu o documento assinado por Rosemberg, antes de ser enviado ao MPE.

O MPE e o Ministério Público Federal investigam os detalhes das operações de isenção tributária assinadas pelo governo federal, estadual e municipal. O inquérito do MPE deve ser concluído em abril. O MPF expediu ofícios para ouvir os envolvidos também.

A maior parte dos investimentos necessários à conclusão do Itaquerão virá dos certificados de incentivo ao desenvolvimento (CIDs). Sem os juros, a remoção dos dutos e os assentos móveis, o custo oficial do estádio ficará em R$ 820 milhões.

Os títulos da prefeitura têm valor de face de R$ 420 milhões. O BNDES oferece até R$ 400 milhões de empréstimo a todas as sedes necessitadas.

Desde maio de 2011, Odebrecht e Corinthians tentam montar uma proposta de empréstimo junto ao BNDES, mas a dificuldade tem sido grande quanto à oferta das garantias reais exigidas pelo banco estatal.

Para receber R$ 400 milhões, o BNDES exige R$ 520 milhões de garantias reais de empresas (como a Odebrecht) que não operam na Bolsa de Valores de São Paulo. Para empresas que operam na Bovespa, as garantias são iguais ao valor emprestado.

Sem dinheiro oficial até agora, a Odebrecht tenta o segundo empréstimo particular no sistema financeiro para cumprir os prazos de entrega da obra. O Banco do Brasil aparece como intermediário da operação, que pode ser concluída nos próximos dias, no formato de empréstimo-ponte, junto ao próprio BNDES.

Uma fonte ligada ao sistema financeiro garantiu nesta sexta-feira que o BB “pode intermediar a operação toda junto ao BNDES e ter um ganho extra com taxa de risco de até 3,57% ”.

Alegando sigilo comercial, a assessoria do Banco do Brasil, em Brasília, afirmou que os diretores da instituição não comentariam os detalhes do empréstimo principal nem a tentativa de empréstimo-ponte junto ao BNDES, para reforçar o caixa da Odebrecht.

O vice-presidente do clube, Luis Paulo Rosemberg, não retornou as ligações feitas pela reportagem.

Túnel de vento obriga técnicos a mudar cálculos para cobertura do Itaquerão

Rajadas de Itaquera, simuladas em túnel de vento na Alemanha, obrigam engenheiros a ajustar os cálculos de estrutura para a cobertura do novo estádio do Corinthians, em obras na Zona Leste de São Paulo e que deverá abrir a Copa 2014. Os técnicos alemães foram contratados especialmente para calcular a estrutura de fixação da cobertura do Itaquerão, que tem formato de asas.

“Os cálculos estão sendo refeitos para que a cobertura suporte a vibração e “não alce voo”, explicou o engenheiro Joerg Spangenberg, do escritório alemão Werner Sobeck, em São Paulo.

. “Não temos muito vento no Brasil, mas como a cobertura é uma asa, precisamos garantir que fique fixa, sem vibração nas rajadas da Zona Leste”, confirmou o engenheiro.

Segundo Spangerberg, a estrutura em aço mescla leveza e resistência, seguindo a escola alemã de construção ultraleve, que causa menos impacto ambiental. O projeto prevê a cobertura de um espaço de cerca de 120 metros de extensão:

“Quanto menor o peso menos impacto, mas a fixação da estrutura tão leve exige ajustes em túnel de vento. As rajadas são nosso primeiro desafio nessa obra e gostamos de enfrentar e vencer esses desafios”, disse o técnico.

Na verdade, o escritório alemão tem vários desafios até a conclusão das obras do Itaquerão. O vento em rajadas pode ser controlado em laboratório. Mas ainda há a questão dos custos e calendário apertado para a conclusão de todo o projeto.

O ritmo é acelerado no canteiro de Itaquera, que avança para a conclusão de 30% dos trabalhos previstos até a entrega final. Inicialmente, discutiu-se que a cobertura seria retrátil mas os custos seriam muito altos para o orçamento previsto.

“Estrutura retrátil é muito bem recebida pelos torcedores do mundo todo. É uma festa quando o teto se abre ou se fecha durante a chuva. Chegou-se a pensar em estrutura móvel, mas os custos eram altos”, explicou Spangenberg. O engenheiro disse ainda que por enquanto, os prazos estão sendo mantidos, “mas que a correria vai começar daqui a pouco”, sem querer detalhar as etapas da construção.

A cobertura dos estádios para a Copa custam cerca de 20% do valor total da obra, ou cerca de R$ 180 milhões para ao caso da arena corintiana.

O padrão Fifa estabelecido para estádios que sediam jogos internacionais exige que as coberturas sejam mais arejadas. Além do Corinthians, outras cinco arenas usarão estruturas mistas para instalação de membranas sintéticas ou um tipo de tecido especial.

“O Corinthians terá uma cobertura de telha rugosa. A parte de baixo da estrutura (como se fosse um forro) será mista”, disse Spangenberg. “Além da vibração provocada pelas rajadas de vento, temos ainda o desafio da resistência e do efeito acústico”.

A durabilidade da estrutura deve chegar a 40 anos, prevê Spangenberg: “temos uma referência de durabilidade de 35 anos, no mínimo. Mas queremos 40 anos para que a obra seja sustentável ao longo dos anos, com baixa manutenção”.

A obra do Itaquerão vem sendo bancada pela Odebrecht até que o BNDES aprove a operação de empréstimo de R$ 400 milhões. O pedido de crédito está sob análise do banco estatal há dois meses. No total o custo do Itaquerão será de cerca de R$820 milhões fora despesas bancárias. Cerca de R$ 420 milhões serão captados por um fundo especial, que negociará títulos de isenção fiscal ( IPTU e ISS) emitidos pela Prefeitura de São Paulo (certificados de incentivo ao desenvolvimento).

"Minha Casa" mantém ritmo lento para baixa renda

As contratações do programa Minha Casa, Minha Vida estão dentro da meta do governo federal, mas a proporção de moradias para a primeira faixa de renda familiar (até R$ 1,6 mil) ainda está baixa considerando a intenção do governo de contratar 1,2 milhão de casas para esse público até 2014 - equivalente a 60% do total de 2 milhões de casa da segunda fase do programa.

De janeiro de 2011 a fevereiro deste ano, foram contratadas 555.787 moradias, o que representa 28% da meta para os quatro anos. Desse total, 151.748 são para a faixa mais baixa de renda, o que equivale a 27% das contratações. Considerando o objetivo de assinar 1,2 milhão de contratos para esse grupo, apenas 12,6% da meta foi atingida até agora.

O número também é menor que o volume de projetos - cerca de 200 mil - para essa faixa de renda que a Caixa Econômica Federal já tinha em lista de espera de aprovação antes das mudanças de regras para a segunda fase. A informação de que havia esse estoque foi dada no meio do ano passado pela Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades, e ele incluía os imóveis que ainda não estavam enquadrados nas exigências de aumento de área, acessibilidade e uso de energia solar para aquecimento de água.

Para seguir as novas regras, o reajuste dado pelo governo para a segunda fase do programa deve dificultar novas contratações, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O subsídio do governo varia de acordo com o Estado, mas em São Paulo, por exemplo, o valor máximo por habitação é de R$ 65 mil.

De acordo com o vice-presidente da entidade José Carlos Martins, é possível que haja um novo período de estagnação das contratações para a faixa mais baixa de renda. "A maior parte das contratações para a faixa 1 ainda é de projeto antigo. Para os novos projetos, vamos depender da ajuda dos Estados nas cidades maiores", diz José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC.

O diretor de Habitação da Caixa, Teotonio Rezende, no entanto, afirma que o ritmo de apresentação das propostas hoje garante o cumprimento da meta no ano. "O estoque de novos projetos e o ritmo de novas propostas dão segurança quanto ao cumprimento da meta da faixa 1 para 2012, que é de 300 mil unidades habitacionais", respondeu por e-mail. Em janeiro, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, informou que a meta total de contratações para 2012 é de 600 mil moradias.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe, o que preocupa são as contratações nas capitais. Segundo balanço da Caixa, foram contratadas 107.463 habitações nas capitais, 19% do total. "Vamos continuar com dificuldade de atender a cidade de São Paulo. Dependemos dos incentivos do governo do Estado", diz.

O executivo se refere a convênios como o de São Paulo, onde o governo estadual complementará com R$ 20 mil o valor da moradia. Ontem foi assinado um termo de cooperação entre a Caixa e os governos federal e paulista para a construção de 3.029 moradias na região metropolitana. O valor do investimento é de R$ 225,3 milhões, sendo R$ 163,1 milhões da União, R$ 54,7 milhões do Estado e R$ 7,5 milhões de contrapartida de entidades e associações beneficiadas. A meta total do convênio entre São Paulo e o Minha Casa é de 100 mil moradias até 2014.

"Vejo muita dificuldade em viabilizar os investimentos, mesmo com essa ajuda do Estado", diz Watanabe. Segundo ele, considerando o déficit habitacional em São Paulo, o Estado deveria conseguir contratar 140 mil casas para a faixa mais baixa de renda até 2014. Na primeira fase do programa, encerrada no fim de 2010, a capital paulista deveria contratar até 40 mil habitações, mas foram assinados apenas 3 mil contratos. "Quando se olha o número geral do programa, a impressão é que estamos indo bem, mas nos locais onde o déficit habitacional é maior, as contratações estão devagar", diz ele.

Para Martins, da CBIC, a necessidade de ajuda dos governos acaba reduzindo o ritmo dos investimentos. "Temos movimentos de vários governos além de São Paulo, mas ficamos na dependência deles", diz o executivo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Com média de 50 por jogo, RR ganha R$ 100 mi do governo para reformar estádio

Uma obra de reforma e ampliação do estádio Flamarion Vasconcelos, na cidade de Boa Vista, capital de Roraima, está sendo executada pelo governo estadual com recursos do governo federal a um custo previsto de R$ 100 milhões.

Este é o valor estimado para transformar o Canarinho, como é conhecido o estádio com capacidade para 8.000 pessoas construído em 1975, em uma arena moderna para 10 mil pessoas e enquadrada nos padrões de qualidade da Fifa, para que o estádio possa concorrer a ser sede de treino e aclimatação de uma das 31 seleções que virão disputar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Há 158 municípios no país disputando para receber as equipes.

Depois da Copa, o equipamento ficará à disposição do futebol roraimense, cujo campeonato estadual é disputado por seis equipes profissionais, tem uma média de público de 50 torcedores por partida e não cobra ingresso para os jogos. A disputa é subsidiada por governos municipais e pelo Estado.

No dia 22 de junho de 1996, quando ainda havia cobrança pelos ingressos, uma partida entre Rio Negro e Progresso atraiu um público total de um pagante. O servidor federal Abraão Pereira de Souza proporcionou uma renda de R$ 5. Cada clube ficou com R$ 1. As informações são da Federação Roraimense de Futebol.

Se as dimensões da arena já parecem desproporcionais à realidade do futebol de Roraima, o que dizer do projeto inicial do governo do Estado, que firmou um convênio em 2010 com o Ministério do Esporte para transformar o Canarinho em uma arena multiuso para 22.500 pessoas (quase 10% da população de Boa Vista), a um custo inicialmente previsto de R$ 257 milhões?

Era esta a intenção do governo local, e com esses objetivos o então ministro do Esporte, Orlando Silva, assinou o convênio da pasta com o Estado. Mas, graças a uma intervenção do procurador da República Rodrigo Golivio Pereira, que definiu o tal projeto como uma "ofensa à moralidade", a empreitada ganhou contornos menos vultuosos.

O contrato inicial foi desfeito. Um novo convênio, de pouco mais que R$ 99 milhões, foi assinado no mês passado. "O redimensionamento do projeto foi importante, mas não nos satisfaz. Mantemos aberto o inquérito civil que acompanha a destinação dos recursos e apura se há necessidade de investimentos da ordem de R$ 100 milhões", avisa o procurador.

O dinheiro para realizar toda a façanha ainda não está disponível. Até agora, a Caixa Econômica Federal liberou - via convênio firmado entre o Estado de Roraima e o Ministério do Esporte - R$ 28,95 milhões. O Estado entra com uma contrapartida de R$ 8,8 milhões.

Este é o orçamento da primeira das três fases da obra, em execução há dois meses, que consiste em modernizar as arquibancadas já existentes, mexer no solo e trocar o gramado do campo, reformar os vestiários e construir uma pista de atletismo. A capacidade da arena será reduzida dos atuais 8.000 lugares para pouco mais de 5.000, em virtude da instalação de cadeiras individuais com assento rebatível.

O dinheiro federal foi obtido em 2010, graças a uma emenda ao Orçamento da União de autoria do senador Romero Jucá (PMDB/RR), ex-líder do governo no Senado, que a apresentou junto com toda a bancada parlamentar de Roraima. A intenção dos políticos é, ano a ano, ir propondo emendas ao Orçamento que destinem recursos para a obra do Canarinho.

Em 2011, quando o plano ainda era erguer uma arena de R$ 257 milhões, Jucá e seus colegas propuseram uma emenda para levar R$ 160 milhões dos cofres federais para o canteiro de Boa Vista. Não passou. "Vamos seguir propondo as emendas, e assim iremos obtendo os recursos para a obra", planeja o senador.

Nas segunda e terceira etapas, serão realizadas melhorias urbanísticas ao redor do estádio e um novo setor de arquibancadas será erguido, atingindo a capacidade de 10 mil espectadores. A previsão é que os trabalhos terminem em 2015.

Para o secretário de Gestão Integrada do Governo de Roraima, que diz considerar o Canarinho como um filho, Orlando Júnior, não há desproporcionalidade entre as dimensões da obra e as necessidades de Boa Vista e do futebol roraimense: "Mesmo que nenhuma seleção venha para Boa Vista na Copa, o objetivo deste investimento é resgatar um patrimônio do Estado e o próprio futebol roraimense, que precisa aparecer, pelo menos, no cenário regional".

O custo da reforma do Canarinho será de R$ 10 mil por assento, proporção igual ou superior às de cinco dos 12 estádios que estão sendo construídos ou reformados para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014, que contarão com restaurantes, sistemas de telecomunicações de última geração e até túnel de ligação com um centro de convenções, como é o caso do Estádio Nacional Mané Garrinhcha, em Brasília.

segunda-feira, 12 de março de 2012

BB quer quintuplicar carteira imobiliária em 5 anos

Disposto a ser o segundo maior ofertador de crédito imobiliário do país, o Banco do Brasil está deflagrando uma ofensiva com a qual pretende quintuplicar sua carteira no setor até 2014, segundo um diretor da instituição.

Para atingir a meta, o banco passou a ofertar empréstimos para famílias com renda mensal inferior a 5 mil reais. É uma novidade para o banco, que só entrou no setor em 2008 oferecendo empréstimos imobiliários apenas a clientes das chamadas classes A e B.

"Agora vamos atacar mais a base da pirâmide," disse à Reuters Gueitiro Matsuo Genso, no comando da recém-criada diretoria de Crédito Imobiliário do BB. Para ele, só entre correntistas de banco, a mudança cria um público potencial adicional de 50 milhões de pessoas.

De um lado, o banco está passando a concorrer diretamente com a Caixa Econômica Federal, a líder de financiamento habitacional do país, com três quartos de market share.

O exemplo mais nítido nesse sentido foi a entrada em janeiro no segmento de renda mais baixa dentro do programa federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV), até então exclusividade da Caixa. O plano é fechar 40 mil nesta faixa já neste ano. "Já temos um volume de propostas suficiente para atingir nossa meta deste ano," disse Genso.

A meta de financiamentos do BB nas três faixas do MCMV é de 137 mil financiamentos neste ano, e 412 mil unidades até o fim de 2014, quando espera que sua carteira imobiliária total tenha subido dos atuais 8 bilhões para 40 bilhões de reais.

Além do MCMV, o BB passou a operar financiamento imobiliário com recursos do FGTS, alternativa também antes restrita apenas à Caixa. Em paralelo, passou a usar parte da chamada poupança rural também para financiar a compra da casa própria.

Tendo taxas competitivas devido a essas fontes de financiamento, o banco quer se sobressair em relação à concorrência e ter maior agilidade nas aprovações de propostas.

O banco vem costurando acordos com grandes construtoras e corretoras de imóveis que, espera, sejam as principais originadoras de negócios.

"Quando a proposta chegar à agência, já terá grande parte da documentação pronta," disse Genso, explicando que a meta é que as aprovações aconteçam num prazo de até oito dias úteis ou 12 corridos.

Além disso, o banco montou no centro da capital paulista uma estrutura que batizou como "Fábrica de financiamentos," que integra as soluções envolvidas no processo de aprovação de crédito.

Por último, o BB prepara uma campanha de massificação para as classes populares, incluindo 'feirões da casa própria', em modelo semelhante ao da Caixa, e propaganda na mídia. (Reuters)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vendas de imóveis residenciais novos em SP caem 21% em 2011 segundo levantamento do SECOVI-SP

As vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo apresentaram queda de 21% no ano passado sobre 2010, passando de 35,9 mil unidades para 28,3 mil unidades, segundo levantamento divulgado hoje pelo Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. A média anual de 2004 a 2011 foi de 30,2 mil unidades.

No ano passado, foram lançadas 37,65 mil unidades no mercado paulistano. A oferta final de unidades novas no fim do ano foi de 19,7 mil unidades, ante 16,5 mil unidades de dezembro de 2010.

Em relação ao total de imóveis novos vendidos na capital paulista, o montante chegou a R$ 13,3 bilhões, 0,7% acima dos R$ 13,2 bilhões de 2010, segundo levantamento.

A velocidade de vendas anual foi de 57,2%, parcela próxima à média histórica de 60,2% do período de 2004 a 2011.

A maior parte da comercialização de imóveis novos se concentrou no segmento de dois dormitórios, que respondeu por 47% do total, seguido pelo de três dormitórios, com a fatia de 30%.

O mercado de escritórios comerciais também teve expansão na cidade de São Paulo. Foram lançados 7,3 mil conjuntos no ano passado, 25,9% acima do volume registrado em 2010.
(Fonte/ChiaraQuintão/Valor)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Imóvel do 'Minha Casa, Minha Vida' ficará com mulher após divórcio

A presidente Dilma Rousseff assinou uma medida provisória determinando que, em caso de divórcio ou dissolução de união civil estável, a propriedade da casa financiada pelo programa Minha Casa, Minha Vida ficará com a mulher. A decisão deverá ser publicada ainda nesta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, em edição extra do Diário Oficial da União.

Dilma anunciará a decisão durante pronunciamento na cadeia nacional de rádio e TV nesta quinta-feira, às 18h50, o qual vai dedicar ao Dia da Mulher. As mudanças nas regras do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foram antecipadas pelo porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann.

As novas regras valem para famílias beneficiadas pelo programa que têm renda de até três salários mínimos, faixa na qual o governo subsidia 95% do financiamento.

A medida provisória, segundo Traumann, prevê apenas uma exceção: quando o casal tiver filhos e a guarda for exclusiva do pai. Neste caso, a propriedade da casa ficará com o pai. Até a edição dessas novas regras, não havia nenhum dispositivo que determinasse quem deveria ser o proprietário em casos de divórcio.

Nesta quarta (7), o governo anunciou que no ano passado foram aplicados R$ 10 bilhões no programa, que visa a construção de 2 milhões de casas para a população de baixa renda. Nesta segunda fase do programa, iniciada no ano passado, o governo diz que já contratou 929.043 moradias.

O programa é uma parceria da União com estados, prefeituras, empresas e movimentos sociais com foco nas famílias com renda bruta de até R$ 1.600,00, mas abrangendo também aquelas cuja renda vai até R$ 5 mil.

A depender da faixa familiar de renda, os beneficiários recebem ajuda do governo para financiar a casa própria a longo prazo em parcelas que tem o valor diminuído com o passar do tempo. Podem ainda ter redução dos custos do seguro e acesso ao Fundo Garantidor da Habitação, que refinancia a dívida em caso de desemprego.

BB e governo de SP lançam 'Minha Casa' paulista

Fonte: Folha.com

O Banco do Brasil e o governo de São Paulo lançam convênio para aquisição da casa própria pelos servidores públicos estaduais.

O Casa Paulista é alinhado ao Minha Casa, Minha Vida da administração federal.

O benefício dado pelo programa paulista pode chegar até a 150% do valor dos descontos ou subvenções oferecidos pelo programa federal, segundo o novo diretor do BB em SP, Walter Malieni.

"Ele integra o subsídio do programa do governo federal ao do governo paulista, podendo ser de cerca de R$ 60 mil", afirma. Os recursos virão do governo estadual, de acordo com o diretor.

O Casa Paulista estará disponível para servidores ativos e inativos da administração direta, fundacional e autárquica dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Para solicitar o subsídio complementar da Casa Paulista, o servidor deve atender às condições exigidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, pelo FGTS e pelo banco, e ter renda familiar bruta mensal de até R$ 3.100.

O imóvel deve ser novo e localizado em área urbana de qualquer município do Estado de São Paulo.

A expectativa é de 20 mil operações em quatro anos - 8.000 ainda em 2012.

Os juros são de 5% a 6% ao ano e o prazo, de 360 meses.

"O programa ampliará a participação do banco no mercado imobiliário", diz.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Secovi-SP divulga Balanço do Mercado Imobiliário 2011

Estudos e pesquisas se assemelham às condições dos seres vivos. Assim como nada no mundo é estático e tudo sofre, constantemente, a influência do meio, as análises de comportamento de mercado vão se alterando conforme o dinamismo e a evolução das economias local e global. Essas interferências produzem consequências para as atividades, e o mercado imobiliário não fica de fora desta dinâmica.

A velocidade de disseminação da informação e de elaboração do conhecimento na indústria imobiliária criou a necessidade de se pensar na ampliação dos indicadores que nos ajudam a compreender os caminhos e as tendências desse setor.

Para atingir esse fim, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação) apresentará nesta edição do balanço um novo indicador, que poderá se tornar parte integrante dos índices atuais.

Ao analisarmos as edições anteriores dos relatórios da Pesquisa Sobre o Mercado Imobiliário, percebemos que o mercado de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo em 2011 pode ser classificado como o ano dos ajustes.

Todavia, o volume de lançamentos manteve-se nos patamares observados em 2010, com reposição de oferta.

Em síntese, 2011 foi um bom ano, com o ritmo de vendas de imóveis novos superior à média histórica, justamente em um momento de ligeira instabilidade econômica, reflexo das crises nos Estados Unidos e na Europa.

•Valor comercializado em 2011: R$ 13,3 bilhões diante dos R$ 13,2 bilhões da média dos anos de 2004 a 2011, com variação de 0,7%;
•Índice de Velocidade de Vendas Anual de 57,2%, próximo à média histórica de 60,2% calculada de 2004 a 2011;
•Oferta final de dezembro de 19,7 mil unidades, diante das 16,5 mil de dezembro de 2010.
Velocidade de Vendas
Propomos analisar o mercado imobiliário da cidade de São Paulo a partir do Índice de Velocidade de Vendas Anual, ou seja, de 12 meses.

O conceito parte do VSO mensal, mas é calculado com base em um período maior, composto pelo mês de referência, no caso dezembro, somado aos índices dos 11 meses anteriores.

Ou seja, a venda acumulada no ano é dividida pela soma do total de lançamentos realizados durante o ano mais o estoque observado no primeiro dia desse ano. Por exemplo, se a velocidade de vendas anual for de 50%, isso significa que se vendeu metade das unidades da soma do estoque remanescente e dos lançamentos no ano.

Dessa forma, de janeiro a dezembro de 2011, a Velocidade de Vendas Anual foi de 57,2%. Obtém-se esse resultado somando a oferta inicial do ano de 11,8 mil unidades com o total lançado de 37,65 mil unidades, comparado com o total de vendas de 2011, que foi de 28,31 mil unidades.

Cenário Econômico e Demanda

O ano de 2011 foi marcado pelos desdobramentos da turbulência econômica dos Estados Unidos e a desconfiança da solvência de sua economia interna, e e pelas dificuldades dos países europeus. Para agravar a situação, o Japão sofreu uma tragédia natural que abalou sua economia, já enfraquecida pela longa recessão.

Porém, no cenário nacional, houve alternância entre boas notícias e fortes momentos de indefinição e preocupação.

Vivemos um período de pleno emprego, com taxa de desemprego de 4,7%, e apesar de se encontrar em um patamar superior à meta governamental, a inflação está controlada. Vale lembrar que no primeiro semestre de 2011 foi registrada uma forte tendência de alta, contida com a adoção, pelo governo, de medidas macroprudenciais.

A desaceleração da economia reduziu a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do País para algo em torno de 3%.

Lembremos, também, que houve transição no governo federal, e tradicionalmente as eleições presidenciais geram questionamentos sobre os rumos da política econômica.

Para 2012, as projeções são as seguintes:

Países europeus ficarão com o PIB estabilizado, com variação de 0,2% a 0,4% em relação a 2011.

Os Estados Unidos iniciarão a retomada de crescimento com PIB aproximado de 2%. Países emergentes, principalmente Brasil, Rússia, Índia e China, poderão crescer em torno de 6,3% - com a China chegando a 8,5%, apesar da desaceleração em relação ao crescimento dos anos anteriores. A expectativa é de o Brasil crescer em torno dos 3,3% a 3,5%.

O governo aposta na aproximação do índice de inflação com as metas estabelecidas, e com a redução da taxa básica de juros, a Selic, nos próximos meses. Para tanto, o governo conta com o prolongamento da estagnação da economia mundial, principalmente a europeia, e com a queda dos preços dos bens cotados internacionalmente.

O consumo das famílias continuará em expansão, mas a taxas moderadas. Esse comportamento em um país de proporções continentais e com grande contingente populacional representa um trunfo para proteger o Brasil da crise internacional.

A demanda tem papel relevante para a indústria imobiliária, principalmente no sentido de se traçar tendências e planejar os rumos da atividade.

Conforme consta no livro Administração de Marketing, do professor Philip Kotler, o fator cultural exerce maior influência na aquisição de imóvel, com destaque para os valores de comportamento das famílias. Tal tese pode ser confirmada por meio da observação da nação brasileira, que possui forte componente de cultura mediterrânea no tocante à valorização do bem imóvel.

Uma reflexão menos acadêmica pode ser feita a partir de estudo conjunto do Plano CDE, Planilhar e Serasa, demonstrando que a compra ou renovação da moradia é o principal item de consumo de todas as classes sociais, desde A até a DE.

Outros fatores demográficos demonstram aspectos altamente favoráveis à aquisição de imóveis no País.

A mobilidade social ampliará a classe C de 66 milhões de pessoas, em 2003, para algo em torno de 113 milhões, em 2014. Ou seja, um crescimento de 71% no período de 11 anos.

Estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgado no Construbusiness prevê que, de 2010 a 2022, serão necessárias 23,5 milhões de novas moradias, das quais 6,2 milhões para suprir o deficit habitacional e 17,3 milhões para atender ao crescimento vegetativo. Esse contingente de novas famílias vai precisar de habitação, independentemente da situação econômica.

E quando se fala em necessidade de habitação, isso inclui imóveis para locação. Atualmente, há escassez de oferta de casas e apartamentos para alugar e a solução para o retorno do investidor para esse tipo de imóvel pode passar pela concessão de incentivos sobre a renda em aluguéis.

Mercado Imobiliário em 2011 e Perspectivas para 2012
A evolução dos recursos para o crédito habitacional é importante, ainda que a análise corresponda aos dados do mercado imobiliário da cidade de São Paulo.

Em 2011, os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), com captação em cadernetas de poupança, proporcionaram crédito de R$ 79,9 bilhões, com crescimento de 42% sobre 2010 (R$ 56,2 bilhões). O montante equivale a 493 mil unidades financiadas em 2011, um aumento de 17% sobre o volume de 2010 (421 mil unidades).

Em termos de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), houve crédito de R$ 34,2 bilhões, com aumento superior a 22% sobre 2010 (R$ 27,9 bilhões). Ou seja, foram 550 mil contratos em 2011 diante dos 450 mil do ano anterior, um crescimento de 22%.

O crédito imobiliário atingiu R$ 114,1 bilhões em recursos, com a soma das fontes SBPE e FGTS. Foram mais de um milhão de moradias (1,04 milhão) em um ano.

Nesse cenário, a carteira de crédito apresenta-se extremamente saudável. De acordo com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o índice de inadimplência foi o mais baixo dos últimos oito anos, chegando a 2,0% em 2011. Considerando a garantia por alienação fiduciária, a taxa de inadimplência cai para 1,4% no ano.

Outro fator que garante a saúde das operações de crédito imobiliário no Brasil é a relação de endividamento diante do valor do imóvel.

O financiamento habitacional em 2011 representou aproximadamente 63% do valor do imóvel, ou seja, o comprador investiu em recursos próprios 37% do total.

Mercado de Imóveis na Cidade de São Paulo em 2011

O mercado de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo refletiu a movimentação da economia e dos recursos disponíveis.

Em síntese, além dos dados citados anteriormente, o mercado em 2011 registrou 47% das vendas no segmento de 2 dormitórios (13.298 unidades acumuladas no ano) e 30% no nicho de 3 dormitórios (8.483 unidades).

Vale destacar a participação das unidades de 1 dormitório, caracterizadas por imóveis diferenciados (flats, lofts, estúdios, dentre outros), na região central da cidade, provavelmente como reflexo do processo de revitalização.

Ao longo do ano, imóveis de 2 dormitórios marcaram presença constante e marcante em bairros periféricos, principalmente na zona Leste da Capital, como Guaianazes, São Miguel, Cangaíba e Vila Carrão.

Também foi registrada a diversificação do produto em bairros mais tradicionais da atividade imobiliária, como Mooca, Vila Prudente, Morumbi, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Vila Mariana.

Outros Mercados

A incorporação de escritórios cresceu 25,9% em 2011, com o lançamento de 7,3 mil conjuntos na cidade de São Paulo, diante das 5,8 mil unidades de 2010.

Já o mercado de locação residencial sofreu forte influência da escassez de oferta e os valores de contratos novos realizados na cidade tiveram aumento médio de 18,48% no ano passado.

A dificuldade de se encontrar imóveis para alugar pode ter sido um dos fatores responsáveis pela forte redução no volume de ações locatícias. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo registrou 18,6 mil casos em 2011, contra 20,1 mil no ano anterior. Foi o menor volume de ações protocoladas desde o início do acompanhamento dos dados, em 1993.

Perspectivas para 2012

A economia europeia deve continuar a “andar de lado”, ao contrário da norte-americana, que já esboça recuperação.

O cenário econômico nacional conta com boas notícias e as perspectivas para este ano são muito melhores em comparação com as de 2011: a produção expressa pelo PIB deve girar em torno dos 3,5%, o momento é de pleno emprego, com taxa de desocupação baixa e crescimento da massa salarial.

Somado a esses aspectos, o Brasil possui elevado potencial de consumo interno e há a previsão de crescimento do crédito habitacional com recursos da poupança da ordem de 30%, o que completa o cenário de expectativas favoráveis para o setor em 2012.
(Fonte:Divulgação SECOVI-SP)

Conheça a suíte de Hotel mais cara do Mundo

A Suite Royal Penthouse ocupa todo o oitavo andar do Hotel, em Genebra, numa área total de 1680m². Tem 12 quartos, outras tantas casas de banho, uma sala com 250 metros quadrados, um piano de cauda Steinway e um terraço privado. E muito mais...

O Hotel President Wilson, em Genebra, na Suíça, orgulha-se de anunciar ter a suite mais cara do planeta, mas o título costuma oscilar com frequência. Uma coisa é certa, entre o interior suntuoso e o cenário exterior, com o lago Genebra e o monte Branco como fundo, este quarto não é para todos.

Podíamos dizer que é um apartamento de luxo – daqueles difíceis de imaginar, tal é o nível das mordomias. Mas não. É apenas uma suite de um hotel europeu, que vale uma viagem até à Suíça para uma estadia de conto de fadas – com que provavelmente nunca sonhou.

A Suite Royal Penthouse ocupa todo o oitavo andar do Hotel, em Genebra, numa área total de 1680 metros quadrados. Tem 12 quartos, outras tantas casas de banho, uma sala com 250 metros quadrados, um piano de cauda Steinway e um terraço privado. Ah, claro, e uma área de fitness, um jacuzzi com vista sobre o monte Branco, área de bilhar e um elevador particular.

A vista da suíte é outro deslumbramento, já que o hotel se situa nas margens do lago Genebra e ele pode ser visto facilmente, bem como da famosa fonte Jet d’Eau.

Depois de ter sido recentemente renovado – “uma transformação multimilonária”, nas palavras do proprietário, Charles Tamman – o Hotel President Wilson tornou-se ainda mais exclusivo e luxuoso e a Suite Royal é o auge dessa exclusividade.

O hotel ainda providencia um sistema de vídeo e audio exclusivo e tem um dos maiores televisores caseiros do mundo, com 103 polegadas. O preço destes luxos? Apenas 58 mil euros por noite. Sem extras! Um valor que talvez justifique uma experiência única para fazer uma vez na vida. Ou por uma noite.

terça-feira, 6 de março de 2012

Comissões da Fifa e do COL vistoriam a Arena de São Paulo

No dia em que a Odebrecht, construtora responsável pelas obras da Arena de São Paulo, anunciou que quase 30% dos trabalhos estão concluídos, o estádio do Corinthians foi vistoriado por comitivas do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, da Fifa e do Comitê Paulista.Comandado por Púlvio Danilas, diretor do escritório da Fifa no Brasil, e por Ricardo Prade, diretor executivo de operações do COL, a comitiva, que contou com cerca de 40 pessoas, fez uma vistoria técnica de rotina.

Após a vistoria, haverá uma coletiva de imprensa. No entanto, os jornalistas já foram informados de que a conferência abordará somente os detalhes técnicos e não entrará na polêmica entre Jérôme Valcke e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A justificativa é que os membros da Fifa na vistoria não estão capacitadas a responder pelo secretário-geral da entidade.
O estádio receberá seis jogos da Copa do Mundo, entre eles a abertura da competição e um confronto das semifinais. No entanto, a Arena de São Paulo não terá partidas da Copa das Confederações, uma vez que a previsão é de que a arena fica pronta somente em dezembro de 2013.

Os próximos dias serão de mais vistorias. Após São Paulo, a comitiva visita o Beira-Rio nesta quarta, a Arena da Baixada, em Curitiba, na quinta. No sábado será a vez da Arena da Amazônia, em Manaus. A agenda fecha na segunda com uma vistoria à Arena das Dunas, em Natal. Pelo atraso nas obras, o estádio vem recebendo monitoramento especial da Fifa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Apartamentos compactos conquistam o mercado imobiliário

Nos últimos seis anos, o mercado imobiliário e a economia do País viveram uma união perfeita. Ao mesmo tempo em que havia facilidade para a compra da casa própria, com o crédito fácil e taxas de juros sedutoras, a construção civil trabalhava a todo vapor, concretizando os anseios dos consumidores e investidores. Nos anos de 2007 e 2008, a procura maior foi por apartamentos de quatro dormitórios. Agora, os imóveis da vez são os compactos de alto padrão localizados em bairros nobres, com destaque especial para os empreendimentos mixed-use, uma espécie de flat rejuvenescido.

De acordo com Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), cerca de 7 mil unidades de um dormitório foram lançadas somente no ano passado. “Foi o ano de maior número de lançamentos deste segmento na história do setor”, revela. As justificativas para este fenômeno são muitas, entre elas a redução do tamanho da família brasileira, o maior número de solteiros convictos, viúvos, casais com filhos adultos que venderam o imóvel grande e se mudaram para um menor, e a articipação do público homossexual. “As construtoras que pensarem em produtos voltados para este público terão muita ascensão nos próximos anos”, diz Pompéia.

Araújo, superintendente de Vendas da Helbor, concorda com a opinião do diretor da Embraesp, e também garante que “os apartamentos amplos estão saindo de cena para dar espaço a empreendimentos mixed-use que reúnem apartamentos, salas comerciais, hotéis, flats e centro comercial”. “Recentemente, o antigo Ca’d’oro dos anos 1950, localizado na região central de São Paulo, ganhou duas torres, uma residencial e outra comercial, que também abriga uma nova versão do hotel. Este modelo foi um sucesso de vendas e promete conquistar terras até 2013”, conta Araújo.
A Esser também tem diversos produtos de grande aceitação neste segmento. Os imóveis compactos das construtoras estão preferencialmente em bairros atendidos pelo metrô e regiões ricas ou em ascensão. “Lançamos produtos em áreas nobres de São Paulo, como Vila Madalena, Cerqueira César, Alphaville e no município de Santo André. Estamos estudando ingressar nas regiões de Vila Prudente e Largo 13 de Maio, Santo Amaro”, comenta Nick Dagan, diretor de incorporação da Esser.

Por outro lado, os empreendimentos econômicos vão continuar impulsionando o mercado imobiliário. Para o diretor da construtora MBigucci, Marcos Bigucci, “a demanda continuará intensa, pois há muitos brasileiros querendo abandonar o aluguel para realizar o sonho da casa própria”. Segundo a Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), em 2012 os brasileiros devem ter R$ 160 bilhões em crédito imobiliário para adquirir seu imóvel.

sábado, 3 de março de 2012

Financiamento Imobiliario: Dicas para evitar problemas na contratação

Descubra maneiras de se organizar para que tudo corra bem durante a compra de um imóvel
Para evitar problemas, o melhor a fazer é estar bem informado

São Paulo - O sonho da casa própria leva milhões de pessoas todos os anos a buscar financiamento, mas a realização deste sonho pode trazer muitas dores de cabeça. Cobranças de taxas inadequadas, taxa de abertura de crédito perdida se o crédito não for aprovado, vendas casadas e outros inúmeros problemas levam a muitas reclamações durante o ano todo. Para evitá-los, o melhor a fazer é estar bem informado. Então confira as dicas e financie o seu imóvel sem problemas:

1- Escolha a modalidade de financiamento mais adequada para o seu perfil: financiamento bancário, consórcio, financiamento direto com a construtora;

2- Simule e analise o valor das primeiras às últimas prestações do financiamento em diversas instituições;

3- Faça as contas: analise qual é a sua reserva financeira, proveniente de FGTS ou outros investimentos, que possam servir para dar como entrada no imóvel; coloque em uma planilha todas as suas despesas principais e veja com o quanto você pode se comprometer para pagar as parcelas;

4- Esteja ciente das exigências para obter crédito junto ao banco: a pessoa não pode apresentar restrições cadastrais em seu nome, e o valor da prestação mensal não pode ultrapassar 30% sobre o valor do salário líquido disponível, ou seja, após descontadas outras despesas fixas e/ou empréstimos. O ideal é aprovar o crédito antes de assinar o contrato de compra do imóvel;

5- Analise com um consultor de confiança os termos que desconhece no contrato;

6- Esteja atento à documentação necessária, tanto do imóvel, quanto do comprador e do vendedor;

7- Programe-se financeiramente para pagar as taxas extras: as despesas com cartório para escritura e registro, giram em torno de 2% a 3% do valor do imóvel. Além disso, há o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que gira em torno de 2% sob o valor total, dependendo do município;

8- Esteja ciente e seguro de que tem condições financeiras para assumir as prestações no prazo determinado. A inadimplência pode levar à perda do bem e de todo o valor investido nele;

9- Lembre-se: quanto maior é o prazo para quitar o financiamento, maior será a incidência de juros e o valor final pago pelo imóvel, portanto, utilize o FGTS ou outras reservas financeiras para abater a dívida ao longo dos anos;

10- Prepare-se para imprevistos: pense na estabilidade do emprego e verifique se, em caso da perda da ocupação, terá auxílio desemprego ou outra fonte de renda para quitar as parcelas.(Imovelweb / Exame)

sexta-feira, 2 de março de 2012

USP lança pós-graduação com enfoque em construção sustentável

A Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), ligada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), abriu as inscrições para a pós-graduação lato sensu em construção sustentável, através do programa Poli Integra. De acordo com a FDTE, “o mercado está necessitando de profissionais especialistas com visão sistêmica e domínio na aplicação de soluções sustentáveis, as quais dependem das condições locais, dos aspectos sociais, culturais e econômicos dos agentes envolvidos”

O objetivo do curso, destinado a arquitetos, engenheiros e profissionais da construção é “não apenas capacitar o profissional para planejar, projetar, executar e gerenciar empreendimentos da construção civil, novos e em operação, empregando tecnologias, materiais sustentáveis e ferramentas para a gestão de insumos como água e energia, como também habilitar o profissional de modo sistêmico para a aplicação de conceitos de sustentabilidade ambiental, social e econômica em edifícios e entorno, cidades e zonas rurais”

As inscrições para o processo seletivo podem ser feitas pelo site do curso. As primeiras turmas serão iniciadas ainda no primeiro semestre de 2012. O processo de seleção será feito com base no currículo profissional e escolar do candidato, além de entrevista pessoal.

As aulas serão realizadas no período da noite, no Campus Cidade Universitária da USP, em São Paulo. Mais informações No site do curso, pelos telefones (11) 3814-1988 e (11) 3031-7000 ou pelo e-mail educacao@fdte.org.br.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Entenda por que os apartamentos novos encolheram

Com a evolução do mercado imobiliário e das tendências em arquitetura e construção, os apartamentos sofreram diversas alterações ao longo dos anos. A mudança mais notável foi o encolhimento desses imóveis, para reduzir as despesas com obras e tentar aproveitar ao máximo os espaços disponíveis. Arquiteto e urbanista, Leonardo Picinatto destaca o que mudou de apartamentos antigos para os mais novos:
Condomínios – Antigamente, a construção de um edifício residencial surgia da formação de um condomínio, quando um grupo de pessoas interessadas em um apartamento se organizava para adquirir um terreno e contratar uma construtora. Hoje, há a figura do promotor imobiliário, que procura reduzir as despesas com a construção e tirar o maior proveito possível do espaço disponível, visando ao lucro.

Menos espaço – Os cômodos perderam espaço, principalmente cozinha e banheiro, onde o custo com instalações hidráulicas e revestimento é maior.

Banheiros – O bidê foi substituído pela ducha higiênica (chuveirinho), diminuindo o custo do empreendimento.

Pé-direito – O pé-direito ficou menor, por uma questão de redução de despesas com a obra e para permitir a construção de mais unidades dentro da altura máxima permitida para o prédio, de acordo com o código de obra (aproveitamento de gabarito).

Quarto de empregada – As dependências de empregadas foram reduzidas ou eliminadas do imóvel, para contenção de despesas e pela perda do hábito da contratação de funcionários residentes. O cômodo deu lugar a despensas, depósitos ou escritórios. Passou-se a oferecer a opção de quarto reversível, ou seja, que pode ser usado como um escritório, de acordo com a preferência do comprador.

A nova onda na base do mercado imobiliário já começou

Diversos setores da economia brasileira mudaram muito nos últimos dez anos. Foram fusões, aquisições, novos concorrentes, preços mais baixos, preços mais altos… Enfim, setores que passaram transformações, por um mesmo motivo, fazem parte de uma aldeia global e existe uma organização econômica que se espalha pelo mundo e que aos poucos vai equalizando as relações de mercado.

No Brasil e no mercado imobiliário não será diferente. Surgiram as empresas de capital aberto, fusões e aquisições com empresas internacionais no setor de construção e incorporação. Soma-se a isto a chegada das grandes redes de franquias imobiliárias.

Esta última categoria traz, em minha opinião, uma mudança importante na base da pirâmide desse setor. Um exército de profissionais e empresários imobiliários está entrando em uma nova onda: a das redes imobiliárias. Por que eu digo que essa é uma nova onda? Principalmente porque traz em si, além do trabalho compartilhado, VALORES, além de um CÓDIGO DE ÉTICA e CONDUTA que vai realmente profissionalizar o mercado imobiliário brasileiro e nos fazer chegar aos NÚMEROS que podemos. Por incrível que pareça e apesar do mercado imobiliário brasileiro parecer enorme, você ficaria surpreso em saber que grande parte dele é puro potencial, mas que necessita de um agente transformador na base, onde estão as empresas imobiliárias e corretores formais (e informais) que existem em nosso país.

O negócio imobiliário na base da pirâmide, foi e é assim em todo o mundo, nasce com as mesmas características. São empresas familiares de baixo custo e ótima rentabilidade que normalmente levam o nome do empresário como marca por conta da sua boa penetração política e geográfica na região onde atua; e assim, a tradição, o conhecimento e a influência acabam determinando o sucesso da empresa.

Muito bem, o segundo momento na evolução desse mercado é o compartilhamento, onde os empresários percebem que o seu poder de influência diminui na medida em que existem outras empresas com tradição e conhecimento disputando mercado na mesma região. Então, eles se unem muitas vezes de maneira informal, em outras, criando redes bem estruturadas, mas sempre com um objetivo: manter o poder de influência e proteção de seu mercado para evitar novos entrantes. É comum vermos redes imobiliárias que simplesmente param de crescer porque se sentem donas de uma região geográfica.

Mas uma nova onda começou no Brasil, num primeiro momento de forma tímida, mas vai fazer com que muitas empresas, simplesmente avancem da fase um para a fase três, quatro ou cinco. Isso porque a realidade do mercado imobiliário com o crescimento econômico somado à velocidade de informação e tecnologia permite isso. Novos entrantes, novos empresários estão se estruturando para trabalhar de forma mais equalizada com o resto do mundo. Quando digo resto do mundo, estou falando de mercados imobiliários mais desenvolvidos como o americano e o de alguns países europeus.

Nessa nova onda, as redes e o compartilhamento de informação estabelecem o poder de influência e penetração geográfica, a marca unificada dá a musculatura para um iniciante que muitas vezes empresas com anos de mercado não conseguem ter. Isso tudo é muito rápido! Essa transformação vai ocorrer muito mais cedo do que alguns imaginam, porque ela não depende de um modelo que indique um caminho, ela é o próprio caminho e assim não depende que alguém mostre como fazer, ela é feita a todo tempo, em todo lugar, na mesma velocidade em que o mercado imobiliário cresce.

Pode tomar nota: redes imobiliárias, marcas unificadas e maior valorização financeira do corretor no processo são os primeiros passos para quem quiser surfar essa nova onda.

(*Guilherme Carnicelli Publicitário com MBA em Gestão Empresarial, especialista em inovação e Planejamento Empresarial.)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Após tentativas frustradas de negociação amigável com a empresa Odebrecht, o cantor Caetano Veloso vai recorrer à Justiça com o intuito de impedir que

Após tentativas frustradas de negociação amigável com a empresa Odebrecht, o cantor Caetano Veloso vai recorrer à Justiça com o intuito de impedir que a construtora utilize o termo “Tropicália” para dar nome a um condomínio de luxo em Patamares, no litoral de Salvador, na Bahia. Segundo a advogada do artista, Simone Kamenetz, uma ação com pedido de tutela antecipada será protocolada até a próxima semana.

Além de Caetano, outros artistas que participaram do movimento cultural surgido no fim da década de 60 – que valorizava a experiência estética como um instrumento social revolucionário–, tais como os cantores Gilberto Gil e Tom Zé, que já apoiaram publicamente a revolta de Caetano, devem fortalecer a movimentação judicial contra os planos da empreiteira.

De acordo com a Odebrecht Realizações Imobiliárias, o objetivo da empresa é o de “referendar um importante movimento artístico, de grande representatividade na Bahia e no Brasil”. Porém, Kamenetz afirma que a “homenagem” proposta pela Odebrecht é uma violação dos direitos de propriedade intelectual (referindo-se a Caetano Veloso), e argumenta que o objetivo do cantor não é o de cobrar retorno financeiro. “Ele não vai licenciar de jeito algum e não quer receber dinheiro da Odebrecht, que já sinalizou querer se apropriar na marra”, disse.

Segundo a advogada, o artista baiano não quer ver em hipótese alguma a sua obra associada a um empreendimento imobiliário –atividade que está em plena expansão na capital baiana e já foi constantemente criticada pelo próprio Caetano Veloso. O artista compreende que a construção desregrada de grandes imóveis está “desfigurando” a orla de Salvador.

“Salvador tem sido assaltada com esses empreendimentos gigantescos. A postura do Caetano é muito clara: não usem a minha obra. Ele nunca comercializou a sua obra para ganhar dinheiro com propaganda. Você nunca viu nenhuma música do Caetano associada a refrigerantes ou detergentes, por exemplo. A Odebrecht fala em homenageá-lo, mas a verdade é que os homenageados não querem essa homenagem. Há muitas outras pessoas por aí que ficariam felizes com essa homenagem. Não é o caso do Caetano”, explicou.

Kamenetz argumenta que a questão não se resume apenas ao batismo do novo condomínio de luxo – que se chamaria “Tropicália”. “Na verdade, os edifícios internos também receberiam nomes inspirados na obra do Caetano”, disse.

“Um dos prédios se chamaria ‘Alegria’ [em referência ao clássico 'Alegria Alegria', considerado o marco inicial do movimento tropicalista, em 1967]. Outro se chamaria ‘Divino, Maravilhoso’ [alusão a um dos grandes sucessos da dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil]. Já há outdoors em Salvador que utilizam expressões como ‘Onde o divino encontra o maravilhoso’. Os princípios do Caetano estão sendo violados”, completou.

Outro lado
Em nota, a Odebrecht afirmou ao UOL que “foram feitas as devidas consultas prévias ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão competente, e ficou constatado que não há impedimento para o uso do nome ‘Tropicália’ em um empreendimento imobiliário”.

No entanto, segundo a advogada de Caetano Veloso, Simone Kamenetz, o argumento da Odebrecht em relação à consulta no INPI é “fraco”, já que há clara intenção de se apropriar do ideário de um movimento artístico cuja expressão icônica se dá na imagem e na obra de músicos como Caetano, Gilberto Gil e Tom zé.

“Além da música, Caetano é um formador de opinião, que frequentemente expressa suas convições políticas e ideológicas. Eles querem se aproveitar disso”, afirmou a advogada.

A empreiteira destacou ainda que o termo “Tropicália” é ou já foi utilizado como nome de “vários produtos, serviços e estabelecimentos no país”. De acordo com a assessoria da construtora baiana, a empresa “não utilizou, tampouco sugeriu nem autorizou o uso dos nomes dos integrantes do movimento para promover o empreendimento”.

Outros artistas
A reportagem do UOL tentou entrar em contato com Gilberto Gil, porém o cantor estava gravando em seu estúdio no Rio de Janeiro. Foram enviadas perguntas para a assessoria de imprensa do artista, que deverá se pronunciar em breve sobre o caso.

Já o cantor Tom Zé, um dos ícones do movimento tropicalista, expôs as suas opiniões sobre o assunto por meio de uma carta formal enviada à diretoria da Odebrecht.

“Portanto, manifesto-me aqui, como membro do movimento tropicalista e artista da música brasileira, para requerer aos senhores que cessem o uso indevido dos nomes das obras artísticas que foram e são referência no cenário artístico nacional e internacional, posto que tal uso, além de não autorizado, vai contra toda a filosofia desse movimento, cujos participantes jamais autorizariam vincular sua obra a um empreendimento imobiliário desse porte”, escreveu.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Incorporadora dos EUA chega ao Brasil com R$ 1 bi para investir

Com o plano de investir 1 bilhão de dólares em três anos, a incorporadora Related Brasil anunciou sua chegada ao país com uma meta ambiciosa: estar entre as maiores empresas do setor neste mesmo prazo. Criada a partir das incorporadoras norte-americanas The Related Group e Related Companies, a nova empresa começa a dar os passos iniciais em território brasileiro com a estimativa de destinar 120 milhões de dólares aos primeiros projetos, que devem ser lançados em cerca de três meses.

“A intenção é estar entre as maiores empresas (incorporadoras) em três anos”, disse o presidente-executivo da Related Brasil, Daniel Citron, que foi presidente no Brasil da gestora de investimentos imobiliários de alto padrão Tishman Speyer. Entre as maiores construtoras e incorporadoras do país estão a PDG Realty e Cyrela Brazil Realty.

Segundo Citron, o aporte de 1 bilhão de dólares – formado por recursos próprios e de terceiros- deve se converter em Valor Geral de Vendas (VGV) entre três e quatro vezes maior até 2014. Este ano, a empresa deve ter de três a quatro projetos no país. “De todas as possibilidades que olhamos, o país com maior potencial de crescimento nas próximas duas ou três décadas é o Brasil”, afirmou o cubano Jorge Pérez, um dos sócios da Related Brasil.

O Related Group, fundado em Miami por Pérez, e a Related Companies, criada por Stephen Ross em Nova York, estão entre as maiores incorporadoras dos EUA, com portfólio combinado de cerca de 20 bilhões de dólares. Ross também é sócio da Related Brasil. “Vemos (no Brasil) muitas das características encontradas nos Estados Unidos anos atrás”, acrescentou. Para atingir a meta de alcançar o topo do setor, a Related considera parcerias e até mesmo aquisições.

Com posicionamento nos padrões de renda médio e alto, a nova empresa ainda não formou um banco de terrenos e está negociando áreas para empreendimentos nos segmentos residencial, comercial (venda e locação), hoteleiro e projetos de desenvolvimento urbano.

Time brasileiro – Os sócios da Related Brasil se apoiam no argumento dela ser a única incorporadora de origem totalmente norte-americana a investir no país por meio da criação de uma empresa nacional. Com escritório sediado na região da avenida Faria Lima, em São Paulo, Citron está cuidando atualmente de compor a diretoria da companhia, que será composta por brasileiros. “Não queremos saber mais que os brasileiros… vamos trazer conhecimento. Estamos falando com empresas aqui, queremos firmar parcerias e ser uma empresa brasileira, não apenas ter um ou dois projetos”, disse Pérez.

Ele acrescentou que o grupo vem negociando parcerias em projetos com “grandes empresas” no Brasil, principalmente parcerias regionais. A Related também recorrerá a parceiros por não ter construtora própria. Embora não descarte operar em cidades carentes de terrenos como São Paulo e Rio de Janeiro, o comando da companhia está de olho na região Nordeste. “É mais fácil entrar onde os preços não subiram tanto, onde existe mais área disponível… o Nordeste oferece mais possibilidades”, disse Citron.

Inicialmente, a Related Brasil deve ter participação pequena nas operações do grupo norte-americano, mas a fatia tende a aumentar gradualmente e se tornar parte relevante, segundo Pérez. Embora a companhia tenha projetos isolados em outros países da América Latina, como México, Colômbia e Uruguai, o executivo ressaltou que o Brasil será “foco de atenção” do grupo agora.

‘Bolha’ de preços – Sob a sombra da possibilidade de formação de uma bolha imobiliária no Brasil, Pérez disse estar sempre preocupado, sobretudo se considerados os preços em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, quando comparados a Miami, por exemplo.”A preocupação é se os preços estão altos porque a demanda é alta e se a demanda cair eles vão cair também”, afirmou, ponderando que o Brasil tem a seu favor o aumento de renda da população e a migração de classes.

“Diferentemente dos EUA e da Europa, a classe com maior poder de compra está crescendo de forma muito mais forte, suportando o mercado”, assinalou.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS – DOI

A Declaração Sobre Operações Imobiliárias (DOI) deve ser encaminhada mensalmente à Receita Federal pelos Tabelionatos de Notas, pelos Cartórios de Registro de Imóveis, pelos Cartórios de Títulos e Documentos e pelos serventuários da Justiça, contendo informações relativas às operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas no mês anterior. À cada operação imobiliária deve corresponder uma DOI. Não há mais o que o Imposto de Renda não saiba….

NOVA PESQUISA SOBRE USUÁRIOS DAS REDES SOCIAIS

A Lopes, uma das maiores empresas brasileiras de intermediação e consultoria imobiliária, realizou um estudo sobre o uso das mídias sociais pelos interessados na compra de imóveis. A pesquisa mostrou que 64% dos entrevistados utilizam as redes sociais, havendo uma relação direta de aumento entre o público mais jovem: enquanto apenas 31% dos usuários entre 50 a 74 anos usam as redes sociais, o público de 18 a 34 anos tem um índice de uso de 72%. Para os usuários entre 35 e 49 anos, o uso desses canais é comum para 55%. O estudo também mostrou que há uma relação inversamente proporcional entre o uso de redes sócias e os aspectos demográficos. Entre as pessoas com renda familiar mensal até R$ 6,9 mil, 71% são usuários assíduos de mídias sociais, relação que diminuiu em famílias com renda a partir de R$ 30 mil, em que somente 27% utilizam as ferramentas online.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A 28 meses da Copa, só um estádio tem mais de 50% de obras feitas

Faltando pouco mais de dois anos para a Copa do Mundo de 2014, apenas um dos 12 estádios que serão usados no torneio tem pelo menos metade de sua preparação concluída. A informação consta de um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre obras para o Mundial.

O documento traz informações sobre todas as obras para a Copa coletadas até janeiro deste ano. Segundo o relatório, o Estádio Castelão, em Fortaleza (CE), é o que está mais adiantado quanto à sua preparação para o torneio. Orçado em R$ 518 milhões, ele tem 50,9% de sua obra já executada.

Na média, a preparação dos estádios está 26% executada, de acordo com o TCU. Esse percentual ainda desconsidera o andamento da obra da Arena Amazônia, não foi informado no relatório elaborado pelo Tribunal de Contas, que fiscaliza os contratos do governo. Como quase todas as obras dos estádios estão recebendo recursos ou empréstimos com dinheiro público, elas foram todas incluídas no relatório.

De acordo com o documento, as obras que mais preocupam são as do Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), e da Arena da Baixada, em Curitiba (PR). A reforma do estádio da Copa no Rio Grande do Sul está parada há oito meses esperando um acordo entre o Inter, clube dono da arena, e as construtoras responsáveis pela obra. Já o estádio do Paraná tem só 5,5% da sua obra de preparação para o Mundial concluída, segundo o tribunal.

O Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília (DF), é que está mais adiantado depois do Castelão. Ele tem 42,5% de suas obras executadas.

Arena Pantanal, em Cuiabá (MT); Arena Fonte Nova, em Salvador (BA); e Mineirão, em Belo Horizonte (MG), vêm em seguida com cerca de 35% das obras prontas. Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ); Itaquerão, em São Paulo (SP); e Arena Pernambuco, em Recife (PE), estão mais de 20% concluídos. Já a obra da Arena das Dunas, em Natal (RN), está 11% executada.

A obra da arena de Natal, inclusive, foi citada como a mais preocupante pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em sua visita ao Brasil em janeiro. Em entrevista coletiva, Valcke disse até que o estádio poderia ser excluído do Mundial caso não acelerasse suas obras.

À época, a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, disse que a obra está dentro de seu cronograma e que não há motivos para preocupações

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Construtoras planejam entrega recorde de escritórios

O mercado imobiliário de São Paulo e do Rio deverá ter recorde de entrega de edifícios comerciais de alto padrão em 2012, de acordo com pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield. Só em São Paulo, as construtoras estimam entregar 570 mil metros quadrados de escritórios “classe A”, cinco vezes mais do que o volume registrado em 2011 e um aumento de 28% em relação ao estoque total.

A expansão em São Paulo se justifica, em parte, pelo atraso na entrega de empreendimentos previstos para 2011 e antecipação de projetos que seriam finalizados em 2013, afirmou a gerente de Pesquisa de Mercado para América do Sul da Cushman, Mariana Hanania.

A taxa de vacância de escritórios de alto padrão em São Paulo caiu 2,4 pontos porcentuais em 2011, para 7,8%, o menor nível registrado desde 2008. A redução dos espaços vagos se refletiu no valor do aluguel, que atingiu em 2011 a máxima desde 1995, quando a pesquisa foi iniciada. O preço médio do metro quadrado na cidade ficou em R$ 114 ao mês no fim do ano passado, uma alta de 24% em relação a 2010.

Para Mariana, o aumento da oferta no mercado paulistano deve elevar a taxa de vacância e estabilizar os preços, em média. Mas, segundo ela, não há risco de bolha. “Esse aumento reflete o ótimo momento pelo qual passa o mercado. O que tem sido entregue em São Paulo está sendo absorvido rapidamente”, disse.

As construtoras responderam à demanda com mais lançamentos nos últimos anos, que estão sendo finalizados agora. A Brookfield estima que cerca de 10% dos seus negócios estão focados em edifícios comerciais de alto padrão em São Paulo e no Rio. “É um negócio que exige mais capital, mas traz margens maiores. É uma forma de diversificar nossa atuação”, afirmou o diretor executivo da Brookfield, Alessandro Vedrossi.

Neste ano, a empresa contribuirá para o aumento da oferta no mercado. Um único empreendimento, por exemplo, entregue no fim de janeiro e localizado na avenida Faria Lima, um dos mais cobiçados endereços comerciais de São Paulo, adicionou ao mercado uma oferta de 70 mil metros quadrados. O empreendimento está 100% previamente locado desde a metade do ano passado, por mais de R$ 170/m² ao mês.

A Brookfield não está sozinha. A Regus, multinacional britânica que oferece espaços comerciais, pretende abrir quatro novos centros empresariais em 30 dias. Com isso, a empresa terá 30 complexos, o triplo de 2010. “Existe escassez de produtos. Temos centros 100% ocupados em diversas regiões”, disse o diretor-geral da Regus no Brasil, Guilherme Ribeiro.

Assim como Ribeiro, o executivo da Brookfield não espera excesso de oferta de escritórios de alto padrão. Vedrossi vê dois movimentos de demanda no segmento. São empresas em expansão, que precisam de espaços maiores, e companhias com sede em prédios antigos, que buscam edifícios mais modernos.

Carioca
No Rio, o recorde de entregas de escritórios de alto padrão foi quebrado em 2011. No ano passado, chegaram ao mercado 148 mil m², mais do que o pico do setor, registrado em 2008. Para 2012, a expectativa do mercado é superar 2011 e entregar 220 mil m² de imóveis comerciais no segmento, segundo a pesquisa da Cushman.

Em 2011, o preço médio do aluguel desses imóveis caiu 10% no Rio de Janeiro, para R$ 120/m² ao mês. Mesmo assim, a cidade registra o maior valor de locação das seis capitais analisadas pela Cushman. “A queda foi pontual. Foram entregues muitos edifícios na Barra, que é um bairro com aluguel mais barato que o Centro, o que puxou a média para baixo”, explicou Mariana.

A estimativa dela é que os preços de locação no mercado corporativo voltem a crescer no Rio este ano. A previsão de entrega de novas unidades em bairros mais caros, como o Centro, deve elevar o preço médio.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

'Puxadinho' cede espaço para casa nova

Fonte: O Estado de São Paulo

Construtoras respondem hoje por 65% do PIB do setor e a autoconstrução, que sempre foi a maior parte, representa 35%, revela Sinduscon-SP.
O tradicional hábito do brasileiro de fazer um "puxadinho", isto é, acrescentar cômodos à casa baseado na autoconstrução, está perdendo força. Um estudo do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) revela que as empresas formais, as construtoras, respondem hoje por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, enquanto a autoconstrução, que sempre foi a maior fatia, representa 35%.

Em 2003, as proporções eram invertidas. As construtoras detinham 44% do PIB do setor e a autoconstrução, que sustentava o consumo "formiga" de materiais, era maioria, com mais da metade (56%) da produção da construção. "Hoje a maior parte do PIB da construção está nas empresas formais, pequenas ou grandes", afirma a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV e responsável pelo estudo.

Ela explica que o trabalho foi feito com base nos dados do PIB da construção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que incluem obras de infraestrutura, investimentos da indústria, do comércio e habitação. "Mas o grande impulso para essa mudança de perfil do PIB da construção veio das moradias das famílias, porque a outra parte (obras de infraestrutura) sempre foi formal", observa a economista. O segmento de habitação inclui tanto as moradias feitas dentro programa habitacional do governo, Minha Casa, Minha Vida, como aquelas que não contam com esse subsídio.

Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do Sinduscon-SP, aponta a oferta de crédito para aquisição da casa própria como o fator que desencadeou essa inversão entre a parcela das empresas formais e da autoconstrução. "Antes não havia financiamento e as famílias tinham de fazer a casa por conta própria."

No ano passado, o crédito imobiliário atingiu a maior marca da história. Entre recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foram emprestados R$114,1 bilhões para a habitação, com crescimento de 36% em relação a 2010. A maior parte dos financiamentos foi bancada com dinheiro da caderneta de poupança (R$ 79,9 bilhões), que teve acréscimo 42% ante 2010, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

"Para este ano, esperamos um crescimento de 30% nas cifras financiadas com recursos da poupança", prevê o presidente da Abecip, Octávio de Lazari Junior. Em 2011, a fatia do crédito imobiliário no PIB total do País foi de 4,7% e a perspectiva é de que essa participação atinja 6% em 2012 e chegue a 10% em 2014.

Ele observa que as instituições financeiras traçam um cenário favorável para o crédito. A taxa de desemprego no menor nível da série histórica, o crescimento da renda e o déficit habitacional de mais de 8 milhões de moradias criam um quadro seguro para os bancos emprestarem. Aliás, o crédito imobiliário encerrou 2010 com a menor inadimplência em nove anos (2%).

As condições dos financiamentos imobiliários refletem esse quadro favorável. Lazari Junior ressalta que dez anos atrás o prazo máximo dos empréstimos era de 15 anos e hoje está em 30 anos. Além disso, a taxa de juros, que era de 12% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial), caiu para 10% mais TR. "Com mais crédito, renda e segurança no emprego, as pessoas procuram um lugar melhor para morar."

Materiais. As construtoras e a indústria de materiais de construção confirma a mudança de perfil da construção civil. "Antes, dois terços do materiais de construção produzidos pelas indústrias eram vendidos para o varejo e um terço para as construtoras. Hoje essas proporções são de 60% e 40%, respectivamente", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, Walter Cover. Ele enfatiza que o forte incremento da demanda por materiais de construção para cumprir programa habitacional do governo também contribuiu para a mudança de perfil do setor.

"Crédito farto e juros em queda provocaram essa mudança entre a formalidade e a informalidade na construção", afirma Roberto Gerab, diretor da construtota Kallas. Nos últimos tempos a empresa, que atua do mercado de imóveis superluxuosos e moradias do Minha Casa, Minha Vida, registra um ritmo de vendas de apartamentos de dois dormitórios, no valor de até R$ 350 mil, que é o dobro ou o triplo dos imóveis mais caros.

Na Tenda, braço da Gafisa para o segmento popular, a diretora Daniela Ferrari diz que não tem informações se quem está comprando casa antes morava com muitas pessoas da família. "Não questionamos se teve moradia de coabitação." Mas ela diz que a expansão do crédito e a aceleração do subsídio dado pelo programa habitacional do governo impulsionaram as vendas de imóveis populares. "Eles percebem que na autoconstrução não usufruiriam do desconto dado pelo Minha Casa, Minha Vida."

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Você já pensou em instalar portas blindadas em casa?

A ideia de instalar portas blindadas em casa pode assustar muitas pessoas, mas essa é uma tecnologia disponível no mercado e que pode ser usada para complementar os sistemas de segurança residenciais tradicionais como câmeras de monitoramento e cercas elétricas. Portas e janelas deste tipo fazem parte dos equipamentos que os profissionais de segurança classificam como barreiras mecânicas capazes de retardar e impedir a invasão da casa.

Esta é justamente a intenção de quem adquire este tipo de equipamento, ao contrário do que o termo blindagem pode sugerir. "Apesar do termo 'blindada', essas portas são utilizadas exatamente para impedir intrusão e arrombamentos. Os consumidores, ao adquirir uma porta blindada, não estão de fato preocupados em levar tiros pela porta", afirma Cristiano Vargas, diretor da VAULT, empresa especializada em blindagem arquitetônica e sistemas integrados de segurança. De acordo com Cristiano Vargas, para abrir à força uma porta com estrutura blindada seriam necessárias aproximadamente seis horas de trabalho com ferramentas e muito barulho. "Temos caso de um cliente que os ladrões, após algum tempo, desistiram de tentar arrombar a porta blindada e partiram para tentar abrir um buraco na parede", comenta.

Existem diferentes graus de blindagem e, ao contrário dos veículos, não é possível mandar blindar a porta que você já tem em casa, é necessário adquirir um modelo totalmente fabricado por empresas certificadas pelo exército brasileiro. Segundo Guto Pinesi, diretor da empresa InovaGlass, que atua na área de blindagem, o modelo mais vendido no estado de São Paulo é o IIIA, que apresenta o mesmo grau de proteção balística que as blindagens aplicadas em automóveis.

As portas blindadas são feitas inteiramente de aço balístico certificado e em tamanho padrão. Guto Pinesi explica que batentes e fechadura estão incluídos no pacote quando se adquire uma porta deste tipo, ainda mais porque eles precisam seguir as especificações para suportar a blindagem. O equipamento é todo customizado e pode ser feito sob medida seguindo as necessidades e o projeto da residência. Esteticamente, não há diferença em relação às portas comuns, pois as blindadas podem ser feitas com diversos tipos de acabamentos e modelos, como pivotantes, camarão, de correr ou de vidro.

Para o arquiteto e urbanista Valter Caldana, coordenador do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Mackenzie, o uso de portas blindadas aumentou muito nos últimos anos, mas costuma estar ligado a projetos que incluem cômodos especiais para situações de emergência ou para se guardar valores e documentos e nem tanto a instalação nos locais de entrada da residência.

O professor salienta que o custo-benefício deste equipamento é mais vantajoso para quem mora em apartamentos, onde as portas que dão acesso a áreas comuns são geralmente uma ou duas, do que para casas. Além disso, ele ressalta que sem o treinamento e comportamento adequado dos usuários, qualquer equipamento de segurança tem sua funcionalidade comprometida.

As fechaduras das portas blindadas costumam ter a partir de quatro pinos, mas é possível optar por modelos com oito ou mais, por exemplo, ou até por portas que apresentam pinos nos quatros lados que ficam em contato com o batente. "As fechaduras possuem travamento multidirecional, ou seja, ao girar uma única chave a porta é trancada em todas as direções simultaneamente", esclarece Cristiano Vargas.

Guto Pinesi afirma que esse tipo de porta também pode ser integrado com fechaduras digitais que utilizam cartão ou leitura biométrica para abertura e travamento. Também é possível encontrar no mercado chaves com tecnologia que impede a fabricação de cópias. O custo dessas portas no mercado varia entre R$ 4 mil e R$ 25 mil, de acordo com o tipo de blindagem escolhido.

Na próxima página, saiba mais sobre como saber se você está comprando uma porta blindada de qualidade.

As portas blindadas devem ser fabricadas seguindo as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, que garantem que a blindagem gere os resultados que promete em relação à resistência da porta. As empresas que fabricam e comercializam esses equipamentos precisam ser autorizadas e ter seus produtos testados e aprovados pelo exército brasileiro.

Apesar de disponíveis no mercado, as janelas blindadas não tem norma de padronização. O mesmo acontece com fechaduras conhecidas como antiarrombamento, que não tem normas de fabricação no Brasil, por isso, o risco ao comprar esses produtos é maior.

Para checar se a empresa de quem você pretende comprar uma porta blindada é certificada, basta fazer uma consulta à Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), órgão vinculado ao exército. Antes de efetuar a compra, o consumidor precisa solicitar das empresas três certificados. O primeiro deles é o Título de Registro (TR), que é a autorização para fabricar e comercializar as portas blindadas. Os outros são o Relatório Técnico Experimental (RETEX) e Resultado da Avaliação Técnica (RAT) que indica que o produto foi testado e aprovado pelo exército.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vai financiar um imóvel? Conheça cinco dicas estratégicas

Se você está pensando em adquirir um imóvel, já deve ter se questionado: qual a melhor maneira de me programar financeiramente para realizar esta compra? Certamente, uma das suas primeiras opções será recorrer ao crédito habitacional.

Nos últimos anos, o financiamento imobiliário se tornou uma das principais formas para aquisição da casa própria e esse procedimento ainda gera muitas dúvidas. Por isso, hoje vamos conhecer cinco dicas importantes que devem ser levadas em consideração na hora do financiamento.

O objetivo desse post não é falar qual é o melhor agente financeiro ou quais são as melhores taxas de juros, pois isso dependerá muito do perfil de cada comprador: renda, percentual a ser financiado e valor do imóvel.

As dicas a seguir podem ser utilizadas por você na hora de escolher o financiamento mais seguro e adequado às suas expectativas.

1 – Planejamento é a palavra-chave

A compra de um imóvel é sempre um momento de muito entusiasmo e alegria. Contudo esse procedimento requer muita atenção e planejamento. Não deixe a emoção falar mais do que a razão.

Primeiramente, busque por um imóvel que seja compatível com a sua renda. Às vezes, na hora da emoção não somos capazes de mensurar os reais benefícios e contrapartidas de um financiamento imobiliário. Por isso, planeje-se muito bem antes de fechar um contrato.

Hoje, já existem vários agentes financeiros que realizam esse tipo de serviço e que trabalham com variadas taxas de juros. Pesquise em diferentes instituições e identifique aquela que melhor atende àssuas necessidades e ao perfil do imóvel que você deseja.

Compare as condições de financiamento, as taxas de juros, os prazos, tempo de aprovação, entre outros fatores. Não aja por impulso.

As linhas de crédito se diferenciam de acordo com o valor do imóvel, com a quantidade de parcelas, com o valor da entrada, entre outros fatores. Sendo assim, tenha bem definido o tipo de empreendimento que você almeja e como está o seu orçamento.

2 – Simuladores de crédito auxiliam na projeção da compra

Definir qual tipo de financiamento não é uma tarefa muito fácil. Mas já existem instituições que disponibilizam simuladores de crédito em seus sites que auxiliam na projeção da compra.

Ainda no momento de pesquisa, faça a simulação do seu financiamento. Teste as linhas de crédito disponíveis em diferentes bancos. Simule a projeção das prestações, quanto você precisará comprovar de renda para aprovar o valor que está sendo pleiteado no empréstimo, entre outras possibilidades oferecidas pelos simuladores.

3 – Convênios podem facilitar na hora do financiamento

Algumas instituições financeiras estabelecem convênios com empresas públicas e privadas. Antes de escolher em qual instituição você realizará o financiamento, verifique se o local onde você trabalha possui algum tipo de parceria com agentes de crédito que realizam o financiamento habitacional.

Esses convênios possibilitam condições diferenciadas de negociação, como juros mais baixos ou prazos maiores, por exemplo. Informe-se e aproveite as vantagens que um convênio pode oferecer.

4 – Otimize seu tempo separando a documentação necessária

A documentação para financiar um imóvel pode ser providenciada antes mesmo de ir ao banco. Mesmo que alguns documentos possam ser solicitados de acordo com cada instituição financeira, de uma forma geral, há várias exigências em comum.

Pesquise quais são esses documentos básicos necessários para tê-los sempre em mãos. Essa atitude pode otimizar o seu tempo agilizando a liberação do financiamento.

5 – O financiamento não deve comprometer mais de 30% do orçamento

Depois de escolhida a linha de crédito e instituição financeira mais adequada para o seu perfil de compra é hora de ficar atento ao valor do financiamento. O empréstimo não deve comprometer mais de 30% do seu orçamento.

A aquisição de um imóvel é um comprometimento em longo prazo. Se o imóvel financiado ainda estiver na planta, devem-se levar em consideração os custos com a moradia atual, como gastos com o aluguel, por exemplo.

Uma análise cuidadosa do orçamento pessoal e familiar é fundamental. É importante identificar quanto da sua renda poderá ser comprometida durante o prazo do financiamento.

Estar atento as essas dicas é primordial para que o seu sonho não se torne uma frustração. Lembre-se que o próprio imóvel torna-se a garantia do seu financiamento.

Portanto, planeje-se bem para não correr o risco de ter que vender o seu imóvel para quitar o valor do empréstimo ou até mesmo ter o nome negativado perante os serviços de proteção ao crédito.

A compra de um imóvel significa um momento de grande felicidade e não deve representar uma alegria temporária. Buscar colocar essas cinco dicas em prática será uma grande contribuição para que esse momento tão especial se torne um processo duradouro e seguro.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cerca de 70% dos contratos para habitação popular não são realizados

Fonte: Agência Investimentos e Notícias

Uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) revelou que sete em cada dez contratos fechados no setor de habitação pela Secretaria Nacional de Habitação (SNH) do Ministério das Cidades, envolvendo o repasse de recursos da União para Estados e municípios, não são realizados. O levantamento foi realizado nos contratos assinados entre 2004 e abril de 2011, que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e se referem especificamente a casas e melhorias em favelas e conjuntos habitacionais, mas não contemplam o programa Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a pesquisa até o quarto mês do ano passado, cerca de 74% dos 4.243 contratos que existiam na carteira da SNH, que somam cerca de R$ 12,5 bilhões em investimentos, não haviam sido concretizados.

De acordo com Sérgio Guimarães Pereira Júnior, especialista em urbanização e diretor da Vallor Urbano o País necessita de uma verdadeira política habitacional, e não de planos isolados, gerenciados por um banco. Sérgio ainda destaca que a totalidade dos casos se refere a iniciativas do poder público, tanto nas esferas municipal e estadual, conveniadas com a União. “É mais do que urgente a atuação das diversas esferas de governo como agentes de fomento e promotores, nunca executores”, comenta. Para o especialista essa situação evidencia que o poder público não pensa em criar incentivos aos programas de novos bairros urbanizados, que contribuiriam significativamente para a resolução dos problemas habitacionais brasileiros.