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terça-feira, 1 de julho de 2008

Primeiro andar agora é a atração

O setor imobiliário começa a dar mais atenção ao primeiro andar, considerado por muitos uma espécie de "patinho feio" dos prédios. Novos empreendimentos preveem apartamentos de primeiro piso em alturas maiores, com mais espaço, quintal particular e até em forma de sobrado.

Essa tendência se concentra hoje principalmente nos projetos de alto padrão, afirma o diretor de incorporações da Galli CGN, Carlos Alberto Innocencio, 39.

Nos demais, o maior diferencial ainda é o preço, "de 10% a 12% menor em relação aos outros andares do prédio", segundo o diretor comercial da imobiliária Júlio Bogoricin, Leandro Amaral, 46.

A construtora Kauffmann colocou o primeiro piso "nas alturas": em seus novos projetos, com pé-direito maior no térreo, o primeiro pavimento residencial começa onde antes seria o terceiro.

O espaço disponível é destinado à área de lazer, à sala de ginástica e à piscina aquecida, conta Clélio de Albuquerque Melo Júnior, diretor comercial da agência Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins (zona oeste de São Paulo). No Pallazzo del'Imperatore, no Jardim Paulistano, as unidades são oferecidas a partir do quinto piso.

Primeiros andares de prédios da construtora Líder também "ficam a até 15 metros de altura, entre o quarto ou quinto pisos", diz a coordenadora de projetos da empresa, Patrícia Valadares, 29.

Além do pé-direito duplo, a Líder projetou um mezanino para serviços e piscina coberta no térreo do futuro Studio Home Bela Cintra, na região central.

Odair Senra, 54, diretor de incorporações da Gafisa, cita o condomínio Liberty, no bairro Colina de São Francisco (zona oeste), como exemplo de solução. Lá, o térreo e o primeiro andar foram integrados, criando uma espécie de sobrado, com quintal nos fundos.

Janela indiscreta

Barulho, proximidade da área de lazer, entupimentos nos canos. Isso faz com que muitos considerem o primeiro andar um pavimento não tão nobre no edifício.

"Após dois anos morando no primeiro andar de um prédio na Chácara Flora (zona sul), jurei que nunca mais compraria outro abaixo do quinto piso", diz Raul Lessa, 51, empresário. Para ele, o maior inconveniente é a falta de privacidade. "Todos conheciam meus lustres, minhas cortinas e até minhas roupas íntimas."

Além disso, a unidade distante do solo "é mais fácil de vender", aponta Melo Júnior. Para o diretor de produtos da imobiliária Fernandez Mera, Fábio Soltau, 40, esse tipo de imóvel, com uma vista mais agradável, seduz "potenciais moradores e também investidores". 

Fonte: Folha de Sâo Paulo / Nathalia Barboza

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